Monarquia, Cidadania, Democracia


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27 de Setembro de 1910 – D. Manuel II no Buçaco

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Integrada nas comemorações do Centenário da Guerra Peninsular, a 27 de Setembro de 1910 Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II de Portugal assistiu, acompanhado do 4.º Duque de Wellington, à cerimónia do 1.º Centenário da Batalha do Buçaco, onde havia 100 anos Lorde Arthur Wesley (que depois mudou para Wellesley), 1.º Duque de Wellington, 1º Marquês Douro (Douro, era o nome com que era aclamado em campanha pelas tropas da aliança luso-britânica e é o título usado pelo herdeiro do título de Duque de Wellington), e com os títulos portugueses de 1.º Duque da Vitória, 1.º Marquês de Torres Vedras e 1.º Conde do Vimeiro, havia derrotados as tropas napoleónicas durante as Invasões Francesas.

Enquanto Dom Manuel II vestia grande uniforme de Marechal-General do Exército – posto privatístico do Rei de Portugal -, Lorde Arthur Wellesley trajava o característico uniforme de coronel-em-chefe dos British Royal Foot Guards Reserve Regiment, com o notório capacete alto de pelo de urso.

Recorde-se que a aliança entre Portugal e a Inglaterra, que perdura até aos dias de hoje, remonta ao ano 1386 data em que foi assinado o Tratado de Windsor, aliança consolidada em 1387 pelo casamento do Rei D. João I de Potugal com a Princesa Inglesa Dona Filipa de Lencastre (Lady Phillippa of Lancaster), filha de John Gant, Duque de Lancaster, e neta do então monarca inglês Eduardo III, de cujo consórcio matrimonial nasceria a Ínclita Geração.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


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Dom Carlos de Bragança – Rei e Lavrador

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Dom Carlos de Bragança – Rei e Lavrador

Dom Carlos de Bragança, como filho primogénito do Rei Dom Luís I e na qualidade de príncipe herdeiro da Coroa de Portugal, recebeu desde cedo os títulos oficiais de Príncipe Real de Portugal e Duque de Bragança, recebendo aos 21 anos as propriedades do Morgadio da Casa de Bragança, ou melhor o usufruto dos rendimentos do ducado dessa grande e Sereníssima Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal.

Dom Carlos recebeu as propriedades hipotecadas, mas apesar de não possuir formação na área – impedido pela sua condição real, tornou-as lucrativas, prósperas e livres de qualquer penhor.

Era quando cruzava a Porta dos Nós do Paço Ducal de Vila Viçosa que El-Rei irradiava felicidade, pois o dever tornava-O num cidadão urbano à força, sempre nostálgico do bucolismo e com as raízes a chamarem-No à terra dos antepassados.

Assim juntando à especial capacidade para Reinar, aos dotes preclaros de uma inteligência cultíssima que se manifestava das mais diversas formas e talentos, El-Rei era, também um competentíssimo proprietário rural, conseguindo gerir de uma forma profissional as propriedades que recebeu em herança.

Era nas Suas propriedades alentejanas que Sua Majestade Fidelíssima estava nas suas sete quintas, despindo o uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei – e trajando como simples lavrador. Criou touros na herdade do Vidigal, em Vila Viçosa produziu vinho, cortiça, azeite, produtos reconhecidos cá dentro e além fronteiras como dos melhores que se produziam em Portugal, chegando a ser premiados, diversas vezes, internacionalmente.

Quando o Rei de 44 anos morreu, juntamente com o Príncipe Real de 20, tombados em serviço da Pátria e do Reino, às balas do terrorismo, em 1 de Fevereiro de 1908, no trágico episódio que ficaria conhecido na História de Portugal como o Regicídio – a Família Real Portuguesa regressava no Comboio Real precisamente das férias de Natal em Vila Viçosa -, Dom Carlos I de Portugal deixa em herança a Dom Manuel II um vastíssimo património livre de dívidas e um enorme conjunto de propriedades produtivas e lucrativas.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


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Alberto Sanches de Castro e o 1.º Voo Civil em Portugal

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Sanches de Castro – O 1.º Aviador Civil Português

Muito se tem falado em aviação nos últimos tempos, ora a pretexto de suposta paternidade da aviação civil portuguesa, ora pelo baptismo de aeroportos com nomes de personalidades. Por isso em abono da verdade e da realidade histórica cumpre tirar do baú da memória o 1.º voo civil realizado em Portugal e nome do seu autor, Alberto Sanches de Castro, e que o controlo histórico teimou em lançar no oblívio.

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Alberto Caetano da Silva Sanches de Castro conhecido por Alberto Sanches de Castro, embora nato em Lisboa, a 27 de Março de 1888, nasceu no seio de uma Família Monárquica natural do Minho, mais precisamente de Vila Nova de Cerveira, e era neto do Conselheiro Caetano Pereira Sanches de Castro, General, diplomado em Engenharia e Infantaria militar, que na arma de Engenharia desempenhou as mais honrosas comissões: membro da Comissão da Defesa de Lisboa e dos seus Fortes, algumas das famosas Linhas de Torres – tendo sido nomeado o seu Chefe em 1870. O General Caetano Sanches de Castro, em 1871 foi nomeado membro da Comissão incumbida de apresentar o Plano Geral das Obras de Melhoramento da Capital, sendo-lhe confiada pessoalmente a apresentação do Plano Geral das Obras de Defesa do Porto de Lisboa. Em 1873 foi nomeado Director-Geral das Fortificações e assumiu a Presidência da Comissão de Defesa. Elaborou, então, os Projectos, considerados excepcionais, das Baterias do Bom Sucesso, do Forte de São Julião da Barra e dos Redutos de Sacavém e Alto do Duque.

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Todas essas qualidades granjearam ao General Caetano Pereira Sanches de Castro, primeiro a nomeação como Secretário da Guerra e depois como Ministro da Guerra, em 1881, no reinado de S. M. F. El-Rei D. Luís I. Os Sanches de Castro eram Viscondes de Santo António de Lourido, em Vila Nova de Cerveira, sendo o irmão do Conselheiro General, o 1.º Visconde, Francisco Pereira Sanches de Castro, grande proprietário no Distrito de Viana de Castelo, Chefe de Secção dos Corpos de Fiscalização Externa das Alfândegas, Chefe de Distrito de primeira classe do Corpo da Guarda-fiscal e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Cerveira e o 2.º Visconde – o sobrinho do 1.º e filho do Geenral Caetano – Francisco Pereira Sanches de Castro casado com Henriqueta Margarida Coelho de Vasconcellos V. B. Sanches de Castro, e de quem Alberto Sanches de Castro era respectivamente sobrinho-neto e sobrinho.

Alberto Sanches de Castro foi aluno do Colégio Militar e da Escola de Desenho Industrial de Lisboa e frequentou o atelier Voisin Frères, em Paris, onde obteve o brevet de aviador.

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Assim, Alberto Sanches de Castro FOI O PRIMEIRO PORTUGUÊS A EFECTUAR UM VOO DE AVIÃO “aeroplano com motor”, em Portugal, em 10 de Setembro de 1912, no Mouchão da Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, aos comandos de um Blériot XI, com motor Anzani de 25 cv. O feito, realizado na pista de 1200 metros do Campo do Mouchão, foi assim descrito na Revista Aeronáutica:

‘Os voos realizados foram quatro, todos em linha recta, sem viragens, sendo dois no sentido leste-oeste, e dois em sentido contrário. A maior distância de voo foi de 450 metros, percorrida em 30 segundos, e a maior altura obtida foi de 5 metros.’

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Sanches de Castro foi também pintor, caricaturista e jornalista. Em 1933 publicou o livro ‘Oh Chico… Não sejas Azelhudo! Ensinamentos d’Automobilismo na Linguagem Dele’, uma recolha de artigos sobre técnica de automobilismo publicados na revista O Volante. Participou com desenhos seus nos Salões Humoristas I, II e III (1912, 1913, 1920), bem como na Exposição dos Humoristas e Modernistas, inaugurada em 17 de Maio de 1915 e continuada em Junho seguinte no Salão-Jardim Passos Manuel, no Porto. Os seus trabalhos foram publicados em O Povo, A Águia, A Sátira, O Riso d ’A Vitória, Diário de Lisboa, ABC a Rir e outros periódicos. Algumas das suas caricaturas de políticos e escritores foram também publicadas sob a forma de postais ilustrados. Casou com a alemã Theodora Bachofen Lehrfeld, de quem teve dois filhos.

É bom, para além de todo o revisionismo do politicamente correcto, recordar os Heróis Portugueses.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


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4 de Setembro de 1913 – Casamento D. Manuel II

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Casamento d’ El-Rei D. Manuel II – 4/9/1913.

A  4 de Setembro de 1913, após um curto noivado de 4 meses, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei D. Manuel II de Portugal casava-se com a Princesa Augusta Victória von Hohenzollern-Sigmaringen, na capela do Castelo de Sigmaringen. A Princesa germânica era filha do Príncipe Guilherme de Hohenzollern-Sigmaringen (ramo católico dos Hohenzollern) e da Princesa Maria Teresa de Bourbon-Duas Sicílias. El-Rei havia ficado muito impressionado com a Princesa alemã havia um ano, num encontro orquestrado pela Infanta Dona Maria Antónia de Portugal, tia-avó do Rei e avó da Princesa. Assim, após uma pequena conversa a dois, em Abril de 1913, El-Rei pede a mão à Princesa, que aceita prontamente. Segue-se uma pequena comemoração entre noivos e Augustos Pais e, consequência do exílio, um rápido e singelo comunicado oficial: ‘É com a maior alegria que anúncio o ajuste do meu casamento com a Princesa D. Augusta Victória de Hohenzollern-Sigmaringen. Manuel Rei’.

Assim, com este matrimónio era cimentado meio século de aliança entre a Sereníssima Casa de Bragança e a Casa de Hohenzollern, que teve início com o casamento da Infanta Dona Maria Antónia de Bragança (irmã dos Reis D. Pedro V e D. Luís I) com o Príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen.

À cerimónia religiosa assistiram cerca de 200 convidados, entre os quais a convalescente Rainha Dona Amélia, David, Príncipe de Gales e futuro Eduard VIII (Duque de Windsor após abdicação), a Duquesa de Aosta, os Príncipes Franz Joseph e Frederik Victor, irmãos da noiva, o Marquês de Soveral e várias senhoras da aristocracia e damas portuguesas e oficiais ingleses que faziam a guarda a El-Rei – por especial deferência do primo e Rei britânico, George V.

El-Rei Dom Manuel II fez questão de casar permanecendo de pé sobre um caixote carregado de terra portuguesa, e trajou casaca, complementada com o calção da Ordem da Jarreteira de que era simultaneamente o mais jovem cavaleiro de sempre e o último português a ser agraciado com a mais distinta das Ordens Honoríficas britânica e mundiais. No calção distinguia-se a liga azul-escuro com rebordo e letras a dourado colocada no joelho esquerdo com a divisa da Ordem, ‘Honni soit qui mal y pense’. Da mesma Ordem usava a Estrela, presa ao peito esquerdo, com uma representação colorida esmaltada do escudo heráldico da Cruz de São Jorge, rodeado da Ordem da Jarreteira, cercada por um emblema de prata de oito pontos. Ao pescoço, El-Rei usava a Ordem do Tosão de Ouro, e para além de mais Ordens usava a Banda com a Placa das Três Ordens Militares Portuguesas, colocada debaixo da casaca, para o lado da anca esquerda. Já Dona Augusta Victória usou um vestido de noiva matizado a azul e branco, prestigiando as cores da Bandeira do Reino de Portugal e da Monarquia Portuguesa. Na cabeça segurando o véu que fora usado pela sua avó a Infanta Dona Antónia de Bragança quando casara com o Príncipe Leopoldo de Hohenzollern-Sigmaringen, um diadema com motivos de flor-de-lis.

Casamento Real

Dona Augusta Vitória tornava-se Rainha consorte, mas não Rainha de Portugal, pois o Rei já se encontrava exilado. O casamento feliz durou até à trágica morte de Sua Majestade o Rei, em 1932.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

 


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D. Luís Filipe – O Grande Príncipe

D. Luís Filipe e João Franco

‘A sua história, como a sua própria vida, mal chegou a começar. Contido e delicado, falando pouco e ouvindo com atenção; gostando de inquirir e de se informar, pela sua precoce seriedade e sentimento das responsabilidades afigurava-se-me uma encarnação do que eu penso de D. Pedro V, com alguma alegria a mais.

Se houvera vivido, ele, que fora preparado para reinar, a que destinos teria conduzido Portugal?’

João Franco Castello-Branco sobre SAR O Senhor Dom Luís Filipe de Bragança, 5.º Príncipe Real de Portugal e 22.º Duque de Bragança in ‘Cartas D’El-Rei D. Carlos I’