Monarquia, Cidadania, Democracia

Crise política ou de regime?

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bandeiramonarquiaQuando eu ontem à noite escrevi o artigo “O melhor aliado do povo”, aqui na Plataforma de Cidadania Monárquica, estava longe de prever o que iria acontecer hoje; a anunciação de uma crise política com um fim inimaginável.

Precisamente ontem, abordei o quanto é importante para um País ter um Chefe de Estado independente e livre de qualquer suspeitas de favorecimento político-partidário, porque obviamente só assim o Estado em qualquer circunstância jamais sai fragilizado ou desgastado.

O que aconteceu hoje e os cenários que estão em cima da mesa levam claramente a questionarmos o que vai ser de Portugal daqui para a frente?

Creio que é pacífico para quem tem um mínimo de visão política que não temos lideranças à altura, não temos oposição à altura. Temos apenas pessoas que se acotovelam para parecer bonito na comunicação social. E digo claramente seja no que toca aos partidos políticos, como aos sindicatos, etc. O populismo e a demagogia, infelizmente para Portugal ultrapassaram a Política de qualidade e do serviço ao bem comum. Hoje cada um defende os seus próprios interesses e salve-se quem puder!

Infelizmente, quer me parecer que chegámos efetivamente a este ponto.

Esta crise política já se adivinhava de algum modo quando nem no próprio governo há organização e um mínimo de autoridade de quem lidera. Temos assistido ao longo destes 2 anos de governo à novela do “diz que disse que o outro disse e eu não sabia”… No mínimo um absurdo que não lembra a ninguém.

E assim chegámos a uma crise política a pouco menos de um ano do fim do resgate que nos devolverá a nossa total soberania.

Os cenários que alguns comentadores hoje e nos próximos dias apontam têm todos em comum apenas a incerteza e nada mais do que isso. Só isto é péssimo para a recuperação da credibilidade de Portugal junto dos mercados financeiros.

Mas o grande problema de Portugal é uma bolha bem grande que começou há já muitos anos atrás e que agora é claro para todos os que tiverem honestidade de perceberem os sinais dos tempos. O regime político, e não digo só a República mas também a Democracia estão em xeque e é, efectivamente o tempo de os que acarinham a liberdade e a democracia de apontarem novos caminhos.

Infelizmente Portugal já não vai lá apenas e só com novas eleições e uma nova maioria parlamentar. Isso seria apenas e só atirar areia para os olhos dos portugueses. E já agora, o que me parece, é que vem aí um segundo resgate com todas as nefastas consequências para Portugal. E mesmo que haja uma nova maioria, a nossa soberania continuará limitada, é bom que todos percebam isto!

A III República Portuguesa já vai no 3.º resgate e pode estar a caminho, como digo, do 4.º. E por isso mesmo esta crise política é sinónima da fraca qualidade de quem por nós eleitores foi eleito para liderar Portugal rumo a uma prosperidade que todos desejamos mas que ninguém consegue vislumbrar sequer uma pequena luz.

Entende-se por isso que não é apenas uma crise política. É sim uma violenta crise de regime que nos está a assolar.

E numa situação destas, devemos todos nós Portugueses nos questionarmos sobre o tipo de Democracia que ambicionamos, sem nos deixarmos levar pela demagogia e pelo populismo. Precisamos de Estadistas, de uma classe política à altura dos desafios difíceis que Portugal precisará de enfrentar nos próximos anos.

Que Democracia queremos? A Democracia não é única. Há vários tipos de Democracia , dependendo sempre de quem por nós for eleito para uma Assembleia Constituinte para a elaboração de uma nova Constitução.

Mas ainda não vamos aí. Agora precisamos de debater apenas e só a Democracia e precisamos de exigir mais qualidade política aos nossos líderes. Desde a Presidência da República, passando pelo Governo e pelo Parlamento. A Política não tem que ser apenas uma profissão. Tem que ser acima de tudo um Serviço que se presta ao bem comum de toda uma Comunidade e para isso precisamos de gente com elevada competência e Sentido de Estado.

O que menos interessa a um País como Portugal, com 900 anos de História, é ter partidos políticos que apenas e só se preocupam com sondagens e acotovelamentos. Precisamos de qualidade e de serviço.

A Chefia de Estado republicana aqui tem um enorme problema. Quando não intervém é criticada por isso. E quando intervém também o é, pelo simples facto de que existem Presidentes da República que pensam que são reis, mas felizmente, não o são! Um Presidente da República é um membro de um partido político, está envolvido numa rede de influências que não conseguirá nunca se ver livre, pois faz parte do sistema. E é, verdadeiramente este o grande problema de Portugal actualmente; é ter um Presidente da República que não pode demitir um governo da sua cor político-partidária! Posso me enganar, mas duvido muito que tal suceda.

À Chefia de Estado Monárquica, interessa o bom governo e a estabilidade política. Um Rei nestas circunstâncias apelaria sempre ao bom senso de toda a classe política e ao compromisso para levar a Legislatura até ao fim.

Numa situação bastante particular que ocorreu há cerca de 2 anos na Bélgica, o Rei Alberto II apelou à responsabilidade e espírito de serviço dos políticos para conseguir formar um Governo e efectivamente conseguiu vencer uma crise política muito séria, pelo simples facto de ser independente dos interesses político-partidáros diversos.

De facto, uma Monarquia Democrática em Portugal, hoje, ajudaria imenso a mudar a cultura política dos líderes partidários que actualmente só se preocupam com as sondagens e com a demagogia. Um País como Portugal, com 900 anos de História merece estadistas à altura da sua História e do legado que os nossos antepassados nos deixaram.

Por isso, como Monárquico que sou, e neste dia que também faz 81 anos que Sua Majestade o Rei Dom Manuel II faleceu, apelo ao Herdeiro dos Reis de Portugal que em primeiro lugar reuna à sua volta todos os Monárquicos Portugueses para colocarmos no terreno uma estratégia de transição Democrática para uma Monarquia Parlamentar e Democrática, apelando ao compromisso de todos os Portugueses para conquistarmos um futuro melhor, com uma nova Constituição, e uma classe política à altura dos desafios difíceis que temos pela frente.

A Plataforma de Cidadania Monárquica vai estar particularmente atenta a esta crise que obviamente também está a ferir de morte a República Portuguesa.

 

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