Monarquia, Cidadania, Democracia

Comentário a um debate “Monarquia ou República?” no Facebook

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Há poucos dias, tive uma troca de argumentos bastante interessante com uma cidadã portuguesa, num grupo da rede social Facebook, na sequência da partilha de uma publicação do presente blogue.

Para garantir o anonimato na partilha de alguns desses argumentos, vou simplesmente quando estiver a citar essa mesma cidadã, não direi o nome, colocando apenas “anónima”.

1. Anónima: “Na vossa Monarquia já há um Rei pré-determinado ou o povo é que o elege de entre cidadãos comuns?”

                  R: “A Monarquia garante a Democracia e a Liberdade, como é evidente. O Herdeiro do Trono é preparado para o ofício de reinar, desde criança até um dia assumir a Chefia do Estado. Devemos entender o seguinte: Portugal merece e o nosso futuro merece alguém que verdadeiramente esteja preparado ou alguém que simplesmente tenha a ambição de lá chegar? Ter ambição significa estar preparado para a grande responsabilidade? Na Monarquia Democrática, há limites ao poder. Os eleitos, vão para o Parlamento ou para as Câmaras Municipais, formam governos, executivos de Câmaras Municipais e Juntas de Freguesia. Mas o Rei não pode ser escolhido, porque a sua função é de unir e não de dividir. Que privilégio nós, os Portugueses, um Povo que já existe há mais de 900 anos, de termos um Herdeiro do Trono entre nós, que nas suas veias corre o Sangue de Dom Afonso Henriques, de D. Nuno Álvares Pereira chamado popularmente na época de Santo Condestável – entretanto já confirmado pela Igreja, é certo, entre outras grandes personalidades que marcaram a nossa História. Eu sei, vai pensar que estou aqui a ser um saudosista. Mas repare, a Espanha tem uma Monarquia que aliás restaurou a Democracia. Os Países onde há maior prosperidade, felicidade e sucesso dos povos são Monarquias, como a Holanda, a Noruega, a Suécia, etc. A República já está provado e basta vermos as notícias todos os dias, funciona mal, a justiça funciona mal, a classe política – salvo raras excepções – não dá o exemplo. Mas queremos gente séria à frente do nosso País ou queremos continuar nesta lenga-lenga da impunidade de quem prejudica e prejudicou gravemente as nossas vidas nos últimso anos? Sabe, eu conheço muito bem Dom Duarte de Bragança, o Herdeiro do Trono de Portugal, e posso lhe dizer isto a si e a outros membros deste grupo: Dom Duarte ama Portugal do fundo do coração, é uma pessoa séria e honesta, e sobretudo nunca nos deixou ficar mal. Acho e digo com toda a franqueza: dar-lhe a nossa confiança. Ele não será Rei absoluto. Provavelmente até poderá vir a ter poucos poderes enquanto Rei, porque a Democracia assim o exige, mas da Chefia do Estado, ele será o nosso maior aliado, aquele que vai com autoridade exigiri dos políticos mais seriedade e melhor serviço público. Podem ou não acreditar, mas é o que eu penso, como Português que me orgulho de ser, e como Monárquico a favor de uma melhor Democracia, porque acho que merecemos respeito.”

2. Anónima: “Afinal respondeu logo na primeira frase:”A Monarquia garante a Democracia e a Liberdade, como é evidente. O Herdeiro do Trono é preparado para o ofício de reinar, desde criança até um dia assumir a Chefia do Estado”Ou seja, não, o Rei não é eleito pelo povo,o poder é herdado. Logo, é falso quando diz que a Monarquia garante a Democracia. Era o que bem me parecia E está tudo dito.”

                  R: “A Monarquia é democrática se tiver legitimidade democrática. Por outras palavras, só um Referendo que dê vitória à Monarquia, lhe dará legitimidade democrática e por isso também dará legitimidade democrática à Dinastia Histórica. De resto a Democracia existe com eleições periódicas.”

3. Anónima: “Ahhhhh aí concordo. Mas nessa altura até uma Ditadura pode ter legitimidade democrática O povo é quem mais ordena mesmo que ordene que bata nele”

                  R: “A falar de Ditaduras, tivemos uma durante 48 anos e foi sob um regime republicano. O Chefe de Estado no Estado Novo era Presidente da República. A I República também durou 16 anos e foi um período em que houve perseguição violenta contra todos aqueles que eram contra o Governo. E na actual III República acredita mesmo que é o povo quem mais ordena? Sinceramente acho que é cada vez mais a partidocracia que domina cada vez mais os orgãos de soberania. É por isso que é fundamental um Rei para conter a ganância cega pelo poder”

4. Anónima: “Eu como democrata que sou concordo que se fizesse um referendum e que fosse o povo a escolher: se escolhesse m… é porque era da m… que ele gosta. E os gostos não se discutem”

                   R: “Curiosamente a única Constituição republicana que foi a votos foi a da Diatura do Estado Novo………….. pelo que, quanto a m…, estamos conversados. Já agora quero aqui dizer que houve muitio monárquico que lutou contra Salazar e a Ditadura Dom Duarte apoiou o Movimento das Forças Armadas.”

5. Anónima: “Eu não digo que os monárquicos sejam maus, até podem ser os melhores do mundo. Agora o que não cabe na cabeça de ninguém é o poder ser herdado. Isso é totalmente contrário ao princípio da igualdade. Numa democracia qualquer cidadão deve poder ser eleito. Se os herdeiros querem ser eleitos que se candidatem como outro cidadão qualquer”

                    R: “Na Monarquia Portuguesa é tradição os Reis serem aclamados pelos representantes do Reino. Não se trata de uma lógica de “Rei morto, Rei posto”, isso é noutras monarquias, não na nossa. A Monarquia Portuguesa é uma Monarquia electiva, com um Rei natural, não um Rei estrangeiro. Por outro lado, a nossa Monarquia tinha algo que não me recordo de ver noutras Monarquias: havendo um Rei incapaz, este é removido do poder pelos representantes do Reino. Foi assim com Dom Sancho II, com Dom Afonso VI também. A Aclamação do Rei é o reconhecimento dos Representantes do Povo, eleitos para as Cortes (Parlamento), da Legitimidade Histórica da Dinastia. Por outro lado, por exemplo, quando foram as Cortes de Coimbra de 1385, havia vários Pretendentes ao Trono, e a maioria eram filhos legítimos. Curiosamente, saíu eleito o Mestre de Avis Dom João, filho bastardo do Rei Dom Pedro I, pelo seu vasto apoio popular numa situação em que estava em jogo a Independência de Portugal, e por isso, foi aclamado Rei como Dom João I iniciando uma fantástica Dinastia que foi a Dinastia de Avis que nos deixou uma Herança fabulosa: A Lusofonia De resto, em mais nenhum orgão de soberania, o poder é herdado. A defesa da Monarquia não é hoje um regresso ao feudalismo ou às Monarquia Absoluta. Defendemos um Estado de Direito Democrático. Mas entendemos também que tem que haver um equilibrio entre Direitos e Deveres. Entendemos que a Monarquia é a antítese da ganância pelo poder, que prejudica o País e a nossa História do século XX assim o demonstrou.”

6. Anónima: “Nós já temos um Rei e uma Rainha , que é o Cavaco e a Dona Maria, e como viu não servem para nada, só servem para nos fazer gastar mais dinheiro. E também já temos o Clero e a Nobreza qua são os Deputados, o Governo e todos os boys. E nós somos a plebe. Portanto, como vê, não funciona Temos de mudar o sistema para uma democracia verdadeira.”

                   R: “estou a ser sério e a fazer até um esforço intelectual para lhe explicar bem as coisas. Acredite também no que lhe digo: a República sai-nos muito caro. A Monarquia Espanhola, mesmo aqui ao lado, custa 8 vezes menos que a República Portuguesa. http://www.youtube.com/watch?v=34hdr-0zdK8 – tire as suas conclusões. A Monarquia funciona. A República prejudica e muito o povo. Se quer o bem da república, tenha um Rei que sabe dar o exemplo para o bem público de todos – a coisa pública, a res publica, a república, o bem comum de todos, em plena e saudável Democracia verdadeira”

7. Anónima: “Entendemos que a Monarquia é a antítese da ganância pelo poder, que prejudica o País e a nossa História do século XX assim o demonstrou.”Ó Senhor, a ganância não tem nada a ver com o tipo de regime, isso tem a ver com os Homens. Uns são gananciosos, outros não. O problema é que só se candidatam os gananciosos, e podia muito bem acontecer que o Rei fosse ganancioso também, ou se tornasse ganancioso.”

                       ” “David Garcia Meu caro, estou a ser sério e a fazer até um esforço intelectual para lhe explicar bem as coisas”Eu estava a ser séria, mas então eu vou ser mais séria ainda: eu não aclamo nem Reis nem ninguém. É melhor ir fazer esse esforço intelectual com os ignorantes que aclamam futebóis e vedetas de cinema, o Big Brother e Realities shows. E nem precisa de fazer esforço.”

                   R: “Não concordo consigo. É tudo uma questão de educação de base. Se esta for no sentido de serviço para bem de todos, certamente que o Rei não seria nenhum ganancioso, quanto muito poderá ter a legitmida ambição de dar o seu melhor para bem do seu povo. A ganância é muitas vezes fruto da corrupção e do mau exemplo. Não me posso deixar disso, sabe porquê? Porque acredito nestes valores, porque sei que funciona. Não tenho ambição de ser candidato a presidente da república, nem quero saber da eleição presidencial para nada. Porque a Presidência da República não representa a essência, a legitimidade histórica, de Portugal como um todo, e estou a falar da Identidade Nacional. Por muito respeito que tenha pelas pessoas que lá tenham passado e que lá estão, não me revejo nelas. Mas pronto, olhe, gostei muito desta troca de argumentos. Uma coisa estamos de acordo: somos democratas e queremos o melhor para Portugal.”

8. Anónima: “Também foi um prazer, e como bem disse, o problema é uma questão de educação de base. Eu fui educada para ser livre e não ter de aclamar ninguém pois trato todos por igual, e você foi educado para outras coisas”

                  R: “Tive uma educação de cidadão livre e democrata”

9. Anónima: “Não disse o contrário, mas você parece dar importância a aclamações e tradições e essas cenas de reis e cerimónias, que a mim faz-me muita confusão porque é uma palhaçada e um absurdo. E note que não é só nas Monarquias que isso existe, existe na nossa sociedade em todo o lado. Sequelas da Monarquia, da vassalagem, os ritos ainda estão visíveis em muita coisa.”

                   R: “Quando os sistemas funcionam bem, e os povos se sentem bem servidos, acredite que vale a pena todos esses cerimoniais, tradições, etc. Um povo sem memória é um povo sem futuro. A preservação da memória colectiva de um povo, é um dever de todos nós. Faz parte da nossa identidade. A cara (Anónima) pode achar uma palhaçada, etc, etc, bom… é uma opção sua, cada um tem as suas opiniões neste ponto não lhe posso valer de muito, mas tenho pena que pense assim. Devia ter visto, para finalizar, agora há dias, aquando do Jubileu do Rei da Suécia; foi o próprio Rei que convidou os populares presentes e posso lhe garantir que estavam junto do Palácio aos milhares, para se juntarem à festa no páteo do Palácio Real, onde aliás o Rei dançou e se festejou um evento histórico. A Suécia é um país cuja governação é um exemplo a seguir de longe em muitos aspectos – é um país que nem déficit das contas públicas tem. Eles não sabem o que é isso. E certamente viu como o nosso Presidente da República foi recebido pelo Rei – com pompa e cerimonial digna da recepção de um Chefe de Estado de um País amigo. Mas isto são já protocolos, códigos de conduta, etc”

Comentário: Foi um debate muito interessante e que pautou-se em primeiro lugar pelo respeito democrático e boa elevação. Contudo, há um grande problema para os republicanos: facto de a Sucessão Dinástica existir, para eles é o fim da igualdade. Os republicanos em abono da verdade, é preciso de uma vez por todas dizê-lo, são incapazes de consultarem as Constituições Monárquicas Europeias. Pois se o fizessem, aperceberiam-se logo de duas coisas: Que a Lei é igual para todos e que todos os Cidadãos, digo bem, Cidadãos, são todos abrangidos nos seus direitos, liberdades e garantias. Por outro lado, afirmam que a Sucessão Dinástica acaba por ser injusta, porque impede qualquer Cidadão de poder chegar ao topo da hierarquia do Estado. Esquecem-se de dizer que só chega à Presidência da República o Cidadão que tiver uma máquina partidária atrás de si, um conjunto de despotas que circunscrevem as eleições presidenciais aos candidatos apoiados pelos partidos políticos, deixando de lado os outros candidatos que conseguiram juntar as assinaturas necessárias para a formalização das suas candidaturas, mas que não têm a mesma igualdade de oportunidade! De facto, é esta a ética republicana…

Pelo que a tão famigerada igualdade de oportunidades acaba também por não existir nesta república que se considera incontestável, impedindo os Cidadãos Livres de se poderem pronunciar sobre a forma de governo democrático que pretendem, acabando também por tratar os cidadãos monárquicos como se fossem de uma espécie de segunda categoria, demonstra outro bom exemplo da tal ética republicana…

Quem ouvir falar um bom republicano laico (não vou dizer socialista, pois também há monárquicos apoiantes desta ideologia, por muito incrível que para os republicanos possa parecer), vai acreditar que só em República somos todos iguais, só em República temos os mesmos direitos, e só em República temos as mesmas oportunidades. Que mentira descarada! A República não é sinónima de Democracia. A República não é sinónima de igualdade. Quanto muito todos os Cidadãos podem aspirar a servir bem a respublica, e para isso, nada nos impede de vivermos em Democracia, com uma Monarquia Parlamentar.

De facto, existe ainda muita ignorância, é preciso continuarmos a apostar na divulgação do Ideal Monárquico a larga escala, seja na Net, seja na Sociedade. Temos que combater a censura descarada que a República nos tem feito, pois a Lei é igual para todos, pois nós monárquicos também somos contribuintes e exigimos o respeito que é devido a qualquer Cidadão Português, em República, pois certamente na Monarquia todos os Portugueses serão tratados com a dignidade que é devida a um verdadeiro Estado de Direito Democrático!

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6 thoughts on “Comentário a um debate “Monarquia ou República?” no Facebook

  1. gostei muito de como tentou explicar o seu ponto de vista e como o debate acabou por correr bem (o que nem sempre acontece com os republicanos),achei muito interessante e só acrescentaria mais uma coisa, na república se formos a ver bem também existe muita hereditariedade e já agora porque é que nos EUA existem os republicanos e os democratas, supostamente a república não devia implicar democracia?
    Obrigada e continue o bom trabalho a divulgar o ideal monárquico

    • Cara Amiga, Ana Rute Afonso,

      Não foi um debate fácil, porque o lado republicano teve bons argumentos e que “deram luta”. Mas realmente correu bem. Não foi um grande debate, mas foi um bom exercício de cidadania.
      Muito obrigado pelo seu comentário.
      Saudações Monárquicas.

  2. “Ou seja, não, o Rei não é eleito pelo povo,o poder é herdado.” – neste momento poderia ter-se-lhe retorquido que o Rei não existe para “ter poderes”, não existe para governar. Logo não “herda poder”, que é talvez um dos maiores mal entendidos na discussão entre republicanos e monárquicos.

    • Caro Gabriel Matias, muito obrigado pelo seu comentário.
      Nestes debates há sempre algo que fica por dizer, como deve imaginar. Contudo, procurarei me recordar desse argumento. Os Reis ficam com pouco ou nenhum poder e no entanto têm autoridade.
      Cumprimentos.

  3. ainda não li tudo, mas li uma parte. o que noto, é que, desde o 25 de abril, este povo tem andado a ser enganado, e os que nasceram depois estão mal informados, e até enganados. Será preciso muito trabalho de terreno, para dinamizar, os ainda desacreditados. Qual VIRIATO, para reorganizar as ostes, para o fim comum.

    • Caro António José do Carmo, obrigado pelo seu comentário.
      A grande questão é esta: devemos continuar a ter uma Democracia com uma ideologia dominante? Ou não deveriamos ter antes uma Democracia verdadeiramente plural? Aqui o Rei teria um papel extraordinário, na união de todas as diferenças para o bem comum de todos.

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