Monarquia, Cidadania, Democracia


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10 anos depois

Estando eu, prestes a completar, no próximo dia 19 de Agosto, 10 anos de militância monárquica na Net, gostaria de recordar com os nossos caríssimos leitores algumas passagens do que há precisamente 7 anos, no primeiro boletim do Fórum Democracia Real afirmei.

Quem se recorda desses tempos, certamente se recordará que o Fórum Monarquia-Portugal, foi a primeira grande experiência de militância a sério, da minha parte, na defesa do Ideal Real. Há pessoas que odeiam que eu fale do que fiz, com medo, presumo, de querer demonstrar algum pretensiosismo em termos de protagonismo, mas a verdade, tem que ser dita com toda a clareza: quem criou o Fórum Monarquia-Portugal fui eu, quem o manteve até ao fim, fui eu. Mas nunca me esqueceria, dos que comigo, estiveram de boa fé, na luta pela divulgação do Ideal Real.

Sempre acreditei que a Internet é o melhor meio ao dispôr dos Monárquicos para a defesa da Instituição Real. Os motivos para a construção desse espaço online, de debate, foram essencialmente, a ideia que eu tinha e continuo a ter, pois a guerra ainda não acabou, de Divulgação do Ideal Monárquico a um cada vez maior número de Portugueses. De facto, o Fórum Democracia Real acabou por se tornar conhecido do público, quando em 2007, a Assembleia da República vota favoravelmente pela transladação de Aquilino Ribeiro para o Panteão Nacional e nós, nos erguemos contra, quem na altura não só tinha votado a favor e lançámos uma petição com o título “Terrorismo não deve ter honras de Estado”, falada aliás na Imprensa Escrita, assim como no programa “Prós e Contras” – cujo tema em debate foi precisamente “Rei ou Presidente?”. Infelizmente, não fomos felizes mas mostrámos a nossa posição, entendendo que, se é um facto por demais evidente que o escritor Aquilino Ribeiro, participou em actos considerados hoje como “terroristas”, pois sabe-se que o mesmo construía bombase foi preso, precisamente por isso, no tempo da Monarquia Constitucional, também se sabe, e aliás o próprio o afirmou na sua obra “Um Escritor confessa-se”, que ajudou a matar o Rei Dom Carlos I!

Os fórum de debate online, dão como muita gente deve imaginar, imenso trabalho, mas é importante aqui referir determinados aspectos que considero fundamentais:
– nunca no FDR foram autorizadas publicações que ofendessem O Senhor Dom Duarte!

– nunca no FDR foram autorizadas publicbações que pusessem em causa a Sucessão Real – ou seja, nunca aceitámos, de forma alguma, que pessoas que são monárquicas para fins de promoção pessoal, alegando pretensões inexistentes e absurdas ao Trono de Portugal!

– Fomos sempre fiéis e Leais à Casa Real Portuguesa!

Quando a situação se tornou incontrolável, pois, obviamente, nos fóruns, mesmo os expulsos regressam com perfis com e-mails alternativos, decidi pôr fim a essa aventura e passei para a blogosfera, com o Projecto Democracia Real! – o PDR!

Com o Projecto Democracia Real procurou-se manter a linha de continuidade do Fórum Democracia Real, reunindo uma equipa de trabalho dedicada. Foi, de facto, um projecto de enorme exigência. Desde a primeira hora procurei sempre ter em mente que era importante divulgar este trabalho ao máximo de número de pessoas possível. E entretanto surgiram as Redes Sociais, como o Hi5, o Facebook, o Youtube, etc. e obviamente procurei fazer vídeos de promoção do projecto, para o youtube, e criei páginas de divulgação no Facebook, passando pelo Twitter!

Além de tudo isso, fazia-se um Boletim periódico, onde se entrevistaram, SAR O Senhor Dom Duarte, O Dr. Paulo Teixeira-Pinto, então Presidente da Causa Real, o Dr. Hernâni Carvalho. – cujas entrevistas aqui serão colocadas durante o mês de Agosto próximo!

A defesa da Instituição Real, com os seus perigos naturais, tornou-se numa paixão perigosa, e causou-me deslumbramento excessivo! É importante que todo o jovem monárquico que ler o que aqui escrevo, perceba que não é nenhum salvador da pátria! A Monarquia, em Portugal, só se restaurará se assim for vontade de todos os Monárquicos, e acima de tudo, de todos os Portugueses! Banner_PDR_final

Este foi o último logótipo do então PDR – Projecto Democracia Real. Foi, sem dúvida, um projecto que pessoalmente, muito me marcou, pois empenhei todo o meu amor à Causa em que sempre acreditei e lutei e pela qual, obviamente, continuo a lutar! Não foi um percurso perfeito, era o que faltava! Cometi os meus erros, evidentemente, a começar por dar confiança em quem, obviamente, se verificou que não merecia, mas fiz o que entendi ser justo fazer. Sempre fui Leal não só à Casa Real Portuguesa, como também ao princípio de Monarquia pela própria defendido: A Monarquia Democrática!

De nada me arrependo, pois não cometi crime nenhum! Quem nunca errou que atire a primeira pedra! BOLETIM PDR 1Esta foi a primeira capa do Boletim do PDR. capa boletim IIEsta foi a capa do II boletim.

CapaBoletim3A capa do III Boleitm, ilustra o princípio do fim.

De facto, o III Boletim, foi o meu último esforço para manter este projecto, mas infelizmente pouco depois do lançamento, o PDR era exposto às maiores barbaridades na Net, e naturalmente, entendi naquele preciso momento, já não haver mais condições para continuar. Em 2011, o Projecto Democracia Real acabava, mas o sonho e os objectivos nunca! Nunca desisti rigorosamente de nada, apenas entendi que a estratégia tinha que ser outra. Algo de diferente tinha que ser feito. Tentei lançar uma platafaforma de “regeneração nacional”, mas fui muito mal acompanhado! Entretanto, já no ano 2013, pus mãos à obra para lançar um projecto que, de facto, tem feito o seu caminho, já com quase 1000 seguidores no Facebook, A Plataforma de Cidadania Monárquica! – Todos os sites, blogues, etc. são plataformas online. Cidadania, pois, efectivamente se se defende uma Monarquia Democrática, e se uma Sociedade Democrática, tem no seu conjunto Cidadãos, iguais todos eles perante a Lei!, é evidente que a base de sustentação do apoio à Monarquia só pode vir da Sociedade Civil, da Cidadania!

Esta plataforma é também Monárquica, pois, porque o nosso objectivo último é a divulgação do Ideal Real, uma alternativa de regime contra a III República que nos governa! ou desgoverna!…

De facto, não sou nenhum génio. Fiz sempre o que entendi que podia fazer, e tenho o feito, com imenso agrado! Vejo que a Internet, de facto, veio ajudar o movimento monárquico português, e é de facto, uma arma bastante poderosa!

Conto continuar, conjuntamente com toda a equipa da Plataforma de Cidadania Monárquica, nesta luta em prol de um Portugal melhor, para as próximas gerações! Que Viva o Rei! Que Viva Portugal!

David Garcia

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O Rei Probo e Bom

10406532_408457585959354_7740655514869493870_nAutor: Miguel Villas-Boas *

A dimensão real, em que a representação do Estado é feita por um Monarca constitucional supra-partidário, árbitro na sua elegância, de estrutura vertical, que modera todas as facções partidárias e sociais e que revela o Bem Comum para o País é a forma mais adequada e harmónica de chefia de Estado.
Dessa forma restabelece-se a unidade da representação, não como Chefe de Estado representativo, mas como representante relativamente a Povo e Nação.
Consequentemente, nenhum líder é mais representante do Estado que um Rei, dado imediato que emerge como uma cor primária aos olhos do Povo, que se sente assim sob a protecção real e natural do Pater que é o Rei. Essa ideia torna-se um pressuposto graças à independência real que nenhum outro consegue ou obtém através de uma eleição na qual parte apoiado por partidos políticos, que constitui a razão do problema da ineficácia cada vez mais clara da magistratura presidencial em qualquer república.
Ora como, muito bem, lembrou Eça de Queiroz, «em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações», pelo que mais necessário, mesmo imperioso, se torna uma figura independente que arbitre as forças partidárias.
O génio da força é estar em relação com as outras forças, mas evitando os contra-sensos, interpretando vontades e sendo reconhecido como o mais «poderoso» para poder gerar consenso – claro que não dominar, mas criar. Todas as forças políticas se afirmam na sua diferença, pelo que o Chefe de Estado não pode ser tendencialmente igual a uma dessas forças. Tem que haver uma figura, papel que só pode ser desempenhado por um Rei, que tenha uma perspectiva geral, abstracta, livre, perdendo de vista o próprio interesse; que tenha uma visão da razão com certeza imediata do que é o melhor para o Estado e não para uma das forças em conflito aberto. O Rei tem a faculdade permanente de possuir os conhecimentos indispensáveis para solucionar os problemas e para, pela mediação, convidar os demais a juntarem-se-lhe para a reflexão necessária, levá-los a reconsiderar os seus motivos e guiá-los à obtenção de um consenso que gere essas mesmas soluções para os problemas imediatos – que não raras vezes dependem totalmente do entendimento para serem dirimidos. E depois, só uma voz neutral tem segurança suficiente para se fazer ouvir, advertir e, em consequência, alcançar, dessa discussão entre contrários, o fim desejado: o bem comum.
Essa liberdade é “o mais” do Rei!
É através dos actos que se conhece o sujeito, não das suas intenções.
“A mulher de César assim como qualquer membro da sua família devem estar acima de qualquer suspeita”, terá, de acordo com Suetónio in “Vidas dos Doze Césares”, afirmado Júlio César.
De facto, é necessário ter atenção na mensagem que transparece para o exterior.
E assim, esta qualidade de isenção quase se torna uma virtude de Estado.
Por isso, não obstante a previsão dos poderes reais numa Constituição, os poderes do Monarca Constitucional estendem-se para lá desses limites, não de forma negativa, mas antes pelo contrário para aconselhar os políticos tendo em vista como melhor servir a Nação.

“O Rei fala, e um seu gesto tudo prende,
O som da Sua voz tudo transmuda.
E a Sua viva Majestade esplende.”
– Fernando Pessoa, 31/7/1935

Com um Rei, da representação natural, intuitiva, que não age de modo absoluto, pois é um Monarca constitucional, passa-se depois à representação da representação, isto é, efectiva, o mesmo será dizer que, depois da imaterialidade, este adquire uma verdadeira lógica. Existe uma instantaneidade, uma ligação directa entre o Rei e o Nacional, pois o Rei é uma Entidade que encerra o peso simbólico da representação histórica, e essa legitimação cultural é muito importante, porque o Monarca guarda Nele a tradição dos antepassados e dos costumes da Nação. Da intuição que se tem dos caracteres próprios da magistratura real derivada do direito natural – pois entre o Rei e o Povo existe uma relação quase familiar, assente nos princípios naturais – deriva depois, dessa quase abstracção, um conceito autêntico e determinável, adquirindo universalidade e determinação em si mesmo, que se apresenta como o mais capaz não só para representar Povo e Nação, mas para resolver os problemas do Estado secular.
Assim, o Povo está e confia no Rei, revê-se Nele e orgulhosamente imita o Seu exemplo. O Rei é o exemplo e a referência!

“No semblante iluminado do Rei está a vida, e a sua benevolência é como a nuvem da chuva serôdia” – Provérbios 16:15

A autoridade dá as piores provas da sua força quando força a obediência pelo medo e alcança a submissão pelo terror. É provado que o afecto granjeia muito melhores resultados que o receio. Dessa relação especial, surge outro factor: o Rei é um canal privilegiado do Povo. E por exemplo como em Portugal os governantes sempre gozam de uma bills de indemnidade, isenção de responsabilidade, mesmo quando violam a Constituição, o Rei seria muitas vezes a única defesa do Povo, o único fiscalizador isento contra decretos ditatoriais.
“Uma Monarquia conduzida com sabedoria e benevolência é a forma mais perfeita de todos os governos”, enunciou Ezra Stiles, famoso pedagogo norte-americano.
A afabilidade que os Reis sempre demonstram com o Seu Povo não é um excesso de cortesia nem compromete a Sua potestade, muito pelo contrário aproxima uns e outros e permite nesse acto de aproximação o dom precioso da concórdia, da harmonia dentro do Estado, algo que só alguém que interpreta a vontade nacional e representa todos os cidadãos, obtém.

Relativamente a um outro aspecto importante, se se pretende que o Chefe de Estado represente o País e, consequentemente, as suas gentes, o Primeiro Cidadão deve ter uma postura que corresponda à dignidade do cargo e às suas funções representativas. Ora aqui é determinante a educação recebida pelo Chefe de Estado, que deve ser desde tenra idade preparado para esse cargo representativo. Esse papel que tem de ser exercido com urbanidade, graça, distinção, só pode ser correctamente desempenhado por um Rei, pois o Príncipe herdeiro é instruído, ensinado, lapidado para melhor representar a Nação. A educação do Príncipe Real é orientada da forma que se entende ser a mais adequada ao melhor desempenho do seu futuro Ofício de Rei, de forma a Reinar da forma mais útil e favorável para o País, tendo uma superior consciência dos problemas nacionais, mas também para representar de forma mais apropriada os costumes da Nação, a civilidade do seu Povo e a ter a polidez necessária que evite embaraços diplomáticos e gaffes protocolares. Por muito que existam pessoas competentes nas instituições de Protocolo de Estado, nas repúblicas, nem mesmo um árbitro das elegâncias e mestre-de-cerimónias como Petronius Arbiter poderia moldar em tão curto espaço de tempo um qualquer mais alto representante de uma qualquer república, que não foi educado durante toda a sua vida para exercer tais funções como foi um Rei. Por isso nunca um qualquer presidente de uma qualquer república pode ter o mesmo grau de urbanidade, polimento, delicadeza e savoir-faire que um Rei – para quem tudo isso é inato, porque para isso foi preparado toda a Sua vida.
O Rei serve, também, a Nação, da melhor forma, na representação externa, abalizado no prestígio e nas relações privilegiadas com os demais chefes de estado muitos deles monarcas, e muitos deles com relações de parentesco. Sem dúvida que este é um argumento muito importante a favor da Monarquia Constitucional, uma vez que enquanto embaixadores privilegiados dos seus países, os Monarcas são uma mais-valia não só a nível político, mas, também, económico: lembremo-nos que, aqui no País vizinho – a título exemplificativo – el Rey Don Juan Carlos I e comitiva na sua última viagem de estado ao Médio-Oriente alcançaram contratos no valor de 3.200 milhões de euros para as empresas espanholas, vem diferente do que acontece por cá, em que opíparas embaixadas voltam sempre do estrangeiro com pouco mais que as habituais promessas.

Quanto à sucessão hereditária nunca será um óbice ao pluralismo e à Democracia mas, ao contrário, ainda os amplifica, pela simples razão que a sucessão hereditária, a normalidade dinástica, garantem uma legitimidade que é a independência face ao poder político e uma dedicação sincera influenciada pelos princípios, que nenhum outro Chefe de Estado goza.
O Rei, Chefe de Estado neutro, tem como único partido o interesse nacional, servindo de árbitro entre as várias forças políticas e sociais, permitindo que o Estado frua de uma Paz Coroada. O Rei facilita o funcionamento do Estado.
Mais ainda, a normalidade dinástica é uma enorme mais-valia pois possibilita a continuidade que é a derradeira forma de permitir uma evolução sem fracturas sociais e políticas.
A sucessão dinástica é a única que permite, também, a regeneração do cargo, com a sucessão de um herdeiro mais jovem e de outra geração com ideias renovadoras, algo que não acontece com uma eleição presidencial, em que substitui um presidente outro presidente mais ou menos da mesma idade, e como tal com a mesma mentalidade.
A Sucessão de um Rei por outro permite, da mesma forma, uma mudança de estilos só possível por o novo Rei ser mais novo e como tal educado noutra época e com outra perspectiva do estado das coisas e das pessoas; já a um presidente substitui um político unívoco, da mesma geração, incrustado nas mesmas ideias, fruto do habitual e eterno rotativismo partidário.

Ó Rei?! Onde Sois?
Voltai, urge o REI!
Ergue-te e acontece!
Ó Vitória vem,
A PORTUGAL, QUE O REI REGRESSE!

* Membro da Plataforma de Cidadania Monárquica


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Pessoa sobre o Estado das Coisas Republicano

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Introdução e recolha dos textos pessoanos: Miguel Villas-Boas *

Vieram há uns tempos, com missão sombria, as flanelas das redacções do sistema inventar um Fernando Pessoa republicano; ora nada mais falso, pois não consta que, apesar de se ter o génio multiplicado em inúmeros heterónimos, ter alguma vez encarnado um tal Aka verde-rubro. Assim, nem foi republicano como “Also know as” e muito menos como ortónimo ou sob pseudónimo!
Tal confusão mal-intencionada só pode ser carpo do desespero ou melhor da desesperança perante o modelo republicano falido que continuam a defender sem procuração. A esta aflição republicana não é estranha, naturalmente, a acção do movimento da Causa Monárquica que tem demonstrado as virtudes e vantagens de se voltar a chamar o Rei.
«Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma», lembrou Joseph Pulitzer, que de tão sábio mereceu dar nome a um consagrado Prémio homónimo.
Cabe então desfazer as dúvidas e afastar os inuendos e mostrar que o grande Príncipe das Letras português nunca foi abduzido por tal repúblico alienígena.
O que fazemos aqui é um regresso ao tema, pois já anteriormente demonstramos em diversos artigos na Plataforma de Cidadania Monárquica que Fernando Pessoa vestia a camisola da Monarquia.
Mas para que não sobejem dúvidas e não pairem hesitações, aqui se vão reproduzir, em mais um rendoso Acto, mais alguns textos em prosa e verso – por datas de produção – sobre o entendimento de “Pessoa sobre o Estado das Coisas Republicano”.

FERNANDO PESSOA, escreveu:

Excertos d’O Jornal 1915:

«(…) Repare agora para o momento português actual. Qual das duas cousas lhe aparece aí a denunciar-lhe que Portugal é uma Pátria? Quebrámos com todas as tradições; até aqui nada há de mau. Resta saber se lhes substituímos qualquer coisa nova que seja de criação portuguesa. É assim? Qual é essa cousa? Os princípios em que assenta esta cousa a que se chama República Portuguesa: estes princípios são franceses. (…) Não há Portugal: há uma mistura ignóbil de «estrangeiros do interior» a governar-nos e a estropiar-nos o resto do que somos. (…) Substituí-lo [a monarquia] por um regimen que, além de não ser nacional de modo nenhum, continuava as mesmas tradições (estas sim!) de gatunagem e de incompetência, agravando, se talvez não a gatunagem, por certo que a incompetência – eis uma cousa para a qual não valia a pena ter derramado sangue, perturbado a vida portuguesa, criado maior soma de desprezos por nós do que os que já havia no estrangeiro. (…)
(…) A situação de Portugal, proclamada a República, é a de uma multidão amorfa de pobres-diabos, governada por uma minoria violenta de malandros e de comilões. O constitucionalismo republicano, para o descrever com brandura, foi uma orgia lenta de bandidos estúpidos (…)»

MARCHA FÚNEBRE – finais de 1917

«Com lixo, dinheiro dos outros, e sangue inocente,
Cercada por assassinos, traidores, ladrões (a salvo)
No seu caixão francês, liberalissimamente.
Em carro puxado por uma burra (a do estado) seu alvo,

Passa para além do mundo, em uma visão desconforme,
A República Democrática Portuguesa.

O Lenine de capote e lenço,
Afonso anti-Henriques Costa.

Mas o Diabo espantou-se: aqui entram bandidos
Até certo ponto e dentro de certo limite.

Assassinos, sim, mas com uma certa inteligência.
Ladrões, sim, mas capazes de uma certa bondade.
Agora vocês não trazem quem tivesse tido a decência
De ao menos ter uma vez dito a razão ou verdade.»

De 1919:

«É inglesa a constituição,
E a república é francesa.
É de estrangeiros a Nação,
Só a desgraça é (que é) portuguesa.»

«(…) Um Portugal onde internacionalmente só se pode ser inglês; onde nacionalmente só se pode ser francês (pois que francesas sejam as ideias republicanas que nos «governam») – um Portugal onde, portanto, tudo se pode ser («tudo» é um modo de falar) menos português, que espécie de «Portugal independente» é que é? Que independência há nisto? Triste gente que se contenta com a triste aparência das cousas, e não vê um palmo adiante das sensações quotidianas, para dentro da sua alma súbdita e oprimida! (…) O Português é hoje um expatriado no seu próprio país. Somos uma nação, não uma pátria; somos um agregado humano sem aquela alma colectiva que constitui uma Pátria. Somos… Sei lá o que nós somos? (…)»

28/12/1919:

«Clarim! Os mortos!

Contra Miguel de Vasconcellos
Republicano!

Eis outra vez o estrangeiro
Em Portugal!
Grita, clarim! Ao Conde Andeiro!
Mas quando a hora do Limoeiro
E do punhal?

Clarim, contra quem deu à França
A pátria e a grei,
Grita com fogo de esperança,
Vozes que chamem
O Rei!

E ao abismo do futuro clama
Por quem enfim
Vier, régia lusitana chama!
Pelo Rei que a Esperança chama,
Grita, clarim!»

1935:

«O rei reside em segredo
No governar da Nação,
Que é um realismo com medo
Chama-se nação ao Rei
E tudo isto é Rei-Nação.

A República pragmática
Que hoje temos já não é
A meretriz democrática.
Como deixou de ser pública
Agora é somente Ré.»

NEVOEIRO in A MENSAGEM, Quinto, 10/12/1928

«Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço de terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo-fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer.
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro…

É a hora!
Valete, Frates»

– E agora digo eu, naturalmente sem a chama do génio: nunca a concepção republicana burguesa despertará uma intensidade de emoções comparável com qualquer assunto relacionado com a Monarquia. Existe um ELO que liga o Rei ao Povo. Essa ligação é natural e intrínseca, pelo que existe uma afectuosidade difusa entre os sujeitos que provoca um interesse atento e permanente a tudo o que são assuntos reais. Por isso o Povo dedica aos seus Príncipes uma alta estima. “Os primeiros entre os seus pares” só porque aparecem, dominam a atenção. De tudo o que parece ligar Rei e Povo, nada há que possa parecer mais natural do que aquele dom que o Monarca tem de discernir e captar a vontade do seu Povo e fazê-la convergir para um fim comum a todos, e esse juízo é uma qualidade que faz o Povo sentir uma enorme exultação e empatia pelo seu soberano.

Por isso parece que em jeito de “Conclusão” pode ficar mais esta pessoana referência para servir de motivação para a nossa Causa:

«Trabalhemos aos menos – nós, os novos – por perturbar as almas, por desorientar os espíritos. Cultivemos, em nós próprios, a desintegração mental como uma flor de preço.»
– Fernando Pessoa, excerto de “O Jornal”, 8/4/1915

Os “Novos” somos todos nós, Monárquicos, independentemente da idade, pois a república, essa sim, é Coisa Velha e de Antigos!

* Membro da Plataforma de Cidadania Monárquica