Monarquia, Cidadania, Democracia

A Verdade Da Monarquia

1 Comentário

Ideal Republicano Vazio

A própria República de Platão é a imagem proverbial de um ideal vazio.’, afirmou Hegel.

De facto, Platão é amigo, mas a verdade é mais amiga.

Antero de Quental num desafogo feito ao amigo Oliveira Martins, analisa o republicanismo português do século XIX: «Envio-lhe o primeiro número dum jornal do Teófilo, que me mandou o [José] Fontana. É um documento! Que programa!, tiraram ao acaso frases do nosso e amalgamaram-nas com asneiras da própria lavra. Que diz a isto?, e que lhe parece duma república feita por esta boa gente? (…) Nos centros republicanos, não se encontra nem um homem nem uma ideia».

Esta gente já tinha merecido de Antero outras boutades como «esse grupinho de republicanos lunáticos» que caracterizava como «Jacobinos declamadores» e «os declamadores e os pulhas que actualmente constituem a quase totalidade do grupo republicano». Dizia mesmo, «o pior que nos pode acontecer é sermos amanhã república».

Também, sabendo dos ideais fortemente anti-republicanos do seu amigo Alberto Sampaio, Antero sentia-se à vontade para bem expressar a sua opinião: «Dir-te-ei que o republicanismo avulta de dia para dia. Mas que republicanos! É um partido de lojistas, capitaneado por bacharéis pífios ou tolos. É quanto basta para se lhe tirar o horóscopo. Duma tal república só há-de sair a anarquia e a fome!».

Longe de ser um Partido dilatado em militantes e agregador de uma vasta multidão de simpatizantes, o Partido Republicano Português era um grémio ou se preferirem um redil com uma pequena caterva de adeptos, ou seja, republicanos sem público!

A essa parca abrangência popular juntava-se a falta de organização e a incompetência do seu directório, ele próprio enredado em lutas intestinas.

O PRP não era um partido que arrastava multidões, como querem fazer crer alguns escribas republicanos. Pode-se constatar pelos resultados das Eleições Gerais realizadas no Reino de Portugal entre 1878 e 1910 que o Partido Republicano Português não passava da insipiência, e que a sua pequena franja de admiradores se concentrava sobretudo nas zonas urbanas de Lisboa e Porto – que até não eram tão densamente povoadas como presentemente.

Como se poderá verificar, pela leitura dos resultados das Eleições, o partido republicano Português só alcançou os seus melhores resultados a partir do Ultimatum e da Revolução republicana brasileira, factores que concorreram para que crescesse, e, mesmo assim, como se verifica, não muito. Desta forma não pode ser declarado, por quem quiser ter o mínimo de probidade e honestidade na leitura da História, que o 5 de Outubro de 1910 se tratou de um movimento popular.

Resultados das Eleições Gerais realizadas no Reino de Portugal entre 1878 e 1910:

.13 de Outubro 1878  – 148 deputados monárquicos e 1 deputado republicano

.19 de Outubro 1879 – 137 deputados monárquicos e 1 deputado republicano

.21 de agosto1881 – 148 deputados monárquicos e 1 deputado republicano

.29 de Junho 1884 – 167 deputados monárquicos e 2 deputados republicanos

.06 de Março 1887 – 157 deputados monárquicos e 3 deputados republicanos

.20 de Outubro 1889 – 157 deputados monárquicos e 2 deputados republicanos

.30 de Março 1890 – 148 deputados monárquicos e 3 deputados republicanos

.23 de Outubro 1892 – 119 deputados monárquicos e 2 deputados republicanos

.15 e 30 de Abril 1894 – 167 deputados monárquicos e 2 deputados republicanos

.17 de novembro1895 – 141 deputados monárquicos e 0 deputados republicanos

.02 de Maio 1897 – 141 deputados monárquicos e 0 deputados republicanos

.26 de Novembro 1899 – 142 deputados monárquicos e 3 deputados republicanos

.25 de Novembro 1900 – 145 deputados monárquicos e 0 deputados republicanos

.06 de Outubro 1901 – 157 deputados monárquicos e 0 deputados republicanos

.26 de Junho 1904 – 157 deputados monárquicos e 0 deputados republicanos

.29 de Abril 1906 – 157 deputados monárquicos e 0 deputados republicanos

.05 de Abril 1908 – 148 deputados monárquicos e 7 deputados republicanos

.28 de Agosto 1910 – 139 deputados monárquicos e 14 deputados republicanos

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

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One thought on “A Verdade Da Monarquia

  1. Não conhecia o comentário do Hegel sobre a República de Platão. Mas ao vazio que este filósofo lhe apontou eu preferiria falar em incompletude. Ao edifício republicano por ele desenhado falta-lhe a cúpula: o Rei, o Chefe de Estado, o Supremo Comandante das Forças Armadas, o mais Alto Magistrado da Nação, o permanente Representante da Pátria e da sua imortalidade, o legítimo herdeiro de quem com outros da sua têmpera foi capaz de talhar, pela força das armas e da Cruz de Cristo, o território do País e torná-lo independente! E tudo isto tendo a seu lado a Família Real, base e fundamento da continuidade e formação institucional da monarquia.
    Depois da revolução de 5 de Outubro de l910, a república bem procurou ter nos múltiplos presidentes que no parlamento foram sendo escolhidos um substituto do Rei! Mas debalde o fez… Faltava-lhes a aura, o prestígio, a força da tradição, a carga histórica, a educação especial, a independência dos partidos políticos e dos grupos ideológicos, o espírito de tolerância e a receptividade na alma popular que sempre foram apanágio da instituição real e que os sucessivos presidentes, alguns com mandatos efémeros de poucos meses… , não podiam, como não puderam, substituir! Até hoje!
    A inutilidade, a parcialidade e a indiferença que, mesmo em regime dito docrático e de direito, vêm marcando o desempenho dos Presidentes da República são a prova provada do vazio de que Hegel falou existir na república ou do carácter incompleto ou imperfeito que a singulariza, na minha humilde perspectiva.
    Com este modesto contributo, pretendo ajudar a demonstrar, racional e emocionalmente, “A Verdade Da Monarquia”. E, já agora, a valorizar e a louvar o excelente artigo do Muiguel Villas Boas que me serviu de mote.
    Muito obrigado pela atenção que me quiserem dar.

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