Monarquia, Cidadania, Democracia

D. Carlos I, Um Rei no Mundo

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Dom Carlos I a Cavalo

Nunca a nossa cultura seria tão rica se não fosse o papel preponderante dos nossos Reis e Príncipes no financiamento do talento e não raras vezes mesmo na própria produção artística.

Lograstes Portugueses, em Dom Carlos I, um Rei Perfeito, pois não só era um intérprete da Vontade Nacional que com ponderação e firmeza e com o seu Poder Moderador acrescentou algo mais aos três poderes: legislativo, executivo e judicial. Exercido plena e livremente pelo Rei era a chave de toda a organização política e o Rei, como Chefe de Estado, incessantemente velava sobre a manutenção da independência, equilíbrio e harmonia dos mais Poderes Políticos. O Monarca era, tal-qualmente, um árbitro imparcial que não excluía o contacto com ninguém, até por dever institucional, mas antes procurava a harmonia entre diversas facções sociopolíticas, acima de intrigas mesquinhas, funcionando como um factor construtivo e decisivo para o funcionamento das instituições democráticas.

F.A. Oliveira Martins, “El-Rei D. Carlos I” in “Semana de Lisboa”, 1/1/1893: «Foi uma coroa de espinhos a que o moço rei teve para colocar sobre a cabeça, e nem o brio da juventude lhe permitiu um instante o gozo da vaidade, a que se chama fortuna. (…) E antes, depois e sempre, em todo o decurso deste já longo terramoto, cujo fim não vimos ainda, o moço rei, sozinho, desajudado de homens prestigiosos que lhe amparassem o trono, com partidos desconjunturados que na hora do perigo se demitem, confessando meritoriamente a sua impotência, ouvia estalar os tiros sediciosos do Porto e crescer a vozearia, confundindo os erros da sociedade com a responsabilidade da Coroa, esperando a salvação da queda da monarquia. Como se, no jogo mais ou menos imperfeito das instituições vigentes, houvesse alguma espécie de tirania! Como se o homem, que ontem se sentou no trono, pudesse ser responsável pelos erros acumulados em dezenas, em centenas de anos! Como se a desesperança, a apatia, o abandono com que a sociedade portuguesa se submete à oligarquia das clientelas e cabalas que a exploram, fossem filhas da acção perniciosa da Coroa! Como se, pelo contrário, não pudesse o rei queixar-se de tantos que desertam o seu posto…»

Dom Carlos O Oceanógrafo

Depois temos El-Rei Dom D. Carlos cientista, o responsável pela fundação das ciências oceanográficas em Portugal. Leia-se o relata na primeira pessoas da Sua 1.ª Pesquisa Oceanográfica:

«Ao começar as minhas campanhas oceanográficas, dediquei-me desde logo quase exclusivamente ao estudo dos peixes que obtive, e fui levado principalmente a esta especialização de estudo, por ver a grande importância das pescarias na nossa costa, e acreditar que, talvez, por um estudo metódico da distribuição e das épocas de passagem das diferentes espécies nas nossas águas, melhores resultados pudessem ser obtidos. Hoje, depois de oito anos de observações e de estudos, estou cada vez mais convencido, que se prestaria um grande serviço, à nossa indústria piscatória, publicando um catálogo crítico em que, não só se encontrassem as espécies de peixes que habitam ou frequentam os nossos mares, como também se indicassem com precisão o seu habitat, as épocas de reprodução, as de passagem e os processos de pesca que a experiência aconselhasse preferíveis

Ficaram para a posteridade os seus estudos oceanográficos e ornitológicos. A tudo isto, como se fosse pouco, juntava-se-lhe o Rei-Artista: exímio pintor, Sua Majestade Dom Carlos I de Portugal, recebeu inúmeros prémios internacionais pela sua pintura, concursos a que competia não como Rei, mas como um concorrente equiparado aos demais, sem privilégio ou favorecimento.

João Franco Castello-Branco, in Cartas D’El-Rei Dom Carlos I a João Franco Castello-Branco, Seu Último Presidente do Conselho, Lisboa, 1924: «Com uma instrução geral que o não deixava encontrar hóspede em qualquer assunto de conversação; conhecedor e possuidor de línguas, especialmente do francês e do inglês, por forma que delas se servia como de sua própria; dado ao gosto e cultura das Belas-Artes, em uma das quais, a Pintura, foi distintíssimo; habituado nos sports e, como atirador, excepcionalmente forte – reunia a tudo isso ser o homem mais bem-criado do seu País, dotado de um humor sempre igual, sem descair nunca na vulgaridade, nem deixar perceber de si, em qualquer circunstância, sinal de contrariedade, despeito ou irritação.»

Como escreveu Raul Brandão:  «Se o deixam viver, tinha sido um dos maiores reis da sua dinastia.» Segundo o mesmo autor, novamente sobre El-Rei Dom Carlos I de Portugal: «Se o rei tratava os políticos como lacaios, tratava a gente do povo com extrema bondade.» Continuando a citar Raul Brandão, «D. Carlos aponta a África a uma plêiade brilhante de oficiais, que ele próprio incita, compreendendo que o grande Portugal é outro, e que esta faixa de terreno, com um clima agrícola horrível, só pode ser vinha e um lugar de repouso e prazer. De lá, desse novo Brasil – dos extensos planaltos de Angola, que duas vezes por ano produzem trigo -, tem de nos vir o oiro e o pão. O resto é visão de pequenos estadistas de trazer por casa. Só ele fala (e sonha) num Portugal Maior, e num Portugal esplêndido.»

Desta forma, o Monarca servia o tradicional papel de encarnar e representar esta tão Grande Nação aprontando para este tão Grande Povo mais Grandes feitos, na senda dos Seus Avoengos porque, caso único no Mundo, é um facto que desde Dom Afonso I Henriques o Reino de Portugal conheceu quatro Dinastias, mas todas elas pertencentes à mesma Família, que engrandeceu a Nação e que dando início à epopeia dos Descobrimentos, assim chamada a descoberta geográfica do Mundo empreendida pelos portugueses, foi reflexo do paradigma do Renascimento na medida que o humanismo não se trata apenas de um ideal de cultura, mas um ideal de pensamento de confiança no Homem. Com os Descobrimentos Portugal participa na primeira linha da construção de um admirável mundo novo, e Dom Carlos I continuou a sondagem desse Mundo através das suas investigações.

A Dom Carlos I, assenta pois, como uma luva, mesmo naquele século XIX e início do XX, a denominação de Príncipe da Renascença que designava aqueles Homens que dominavam com mestria superior várias artes e ciências. Poucos houve com merecimento desta titularia, mas muitos Reis Portugueses foram coroados, também, com esta Glória – também, caso único no Mundo!

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

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