Monarquia, Cidadania, Democracia


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Há 115 Anos – Os Reis Na Madeira

Reis Madeira

Suas Majestades Fidelíssimas os Reis de Portugal D. Carlos I e D. Amélia visitaram a Madeira há 115 anos.

Às 7 horas do dia 22 de Junho de 1901, os Reis de Portugal Dom Carlos I e Dona Amélia chegam à Ilha de Porto Santo. Inserida numa viagem aos Arquipélagos Atlânticos, pela primeira vez um Rei de Portugal visitava as Ilhas da Madeira e dos Açores.

Os Reis de Portugal haviam partido dia 20 de Junho a bordo do Cruzador D. Carlos, escoltados pelos navios da mesma classe São Gabriel e D. Amélia. Exactamente por causa da viagem real, um mês antes, o Príncipe Real Dom Luís Filipe, 22.º Duque de Bragança, em Sessão Real das Cortes reunidas ambas as Câmaras, perante os Pares do Reino e os Deputados da Nação havia jurado a Constituição Política do Reino de Portugal tornando-se assim, aos 14 anos, SAR o 5.º Príncipe Real de Portugal e Herdeiro Presuntivo do Trono.

Em pouco tempo os cruzadores com SS.MM.FF. El-Rei Dom Carlos I de Portugal e a Rainha D. Amélia, alcançaram o Yacht Amélia, onde seguia a Casa Militar do Rei, e um paquete com uma comitiva de 164 pessoas, entre eles muitos jornalistas, que haviam deixado o porto de Lisboa a 18 desse mês.

Não havia na Coroa Portuguesa mais bonita jóia que a Madeira e foi ela o Capítulo Primeiro dos Descobrimentos Portugueses, quando lá chegaram, os cavaleiros à Ordem do Infante, Gonçalves Zarco e Tristão Vaz.

Recebidos os cumprimentos das entidades oficiais Suas Majestades partiram para o Funchal onde aportaram às 14 horas desse dia 22 de Junho de 1901 e o Povo acorreu a ver o casal régio que saudou com manifestações de enorme afeição. A Monarquia é uma instituição que comporta uma carga simbólica sem paralelo; com admiração, o Povo reconhece o valor que ele julga o melhor e o mais poderoso da Nação: o Rei.

Os Reis na Madeira

Seguiu-se um Te-Deum na Sé da capital da Ilha e um Jantar de Gala no Paço. Nos restantes dias, dos 3 que duraria a estada na Madeira, Suas Majestades visitariam a Câmara municipal, a Quinta da Vigia, diversas exposições e presidiriam a um Baile de Gala seguido de fogo-de-artifício – que já nessa altura era cartão-de-visita do Jardim do Atlântico. Dia 25, depois de uma missa campal, de um passeio na Choupana e de uma escalada ao Pico do Infante, os Reis de Portugal partiriam para Santa Maria.

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Numa carta enviada da Ilha da Madeira a Rainha Senhora Dona Amélia, mostrando-se comovidíssima, escreveria:

‘Pela primeira vez a avistei agora e sei que nunca mais a esquecerei o deslumbramento dos meus olhos perante aquele panorama. Chamem-lhe pérola dos mares mas não há comparações que digam tamanha formosura. (…) Nada mais lhe direi da beleza desta ilha, tantas vezes descrita.’

Com entusiasmo, ovações e Vivas aos Reis!, o povo delirava com a presença das pessoas reais e mostrava-o nesse o grito nacional de Povo fiel à instituição real e à independência da Monarquia Portuguesa e do Reino de Portugal.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

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O Povo na I.ª República

5.Povo durante República

Testemunha da miséria do Povo, escreveu Fernando Pessoa, em 1919, durante a vigência da I.ª República ou República Velha!

 

Anda o Povo a passar fome

E quem o mandou para a França

Não tem barriga para o que come

Nem mãos para o que alcança.

 

Os ladrões já não andam na estrada,

Moram na pele dos ministros.

 

Não é português quem come

À custa do português pobre.

 

Nasceram aqui porque tinham

Que nascer em qualquer parte.

 

Ninguém odiava o alemão.

Mais se odiava o francês.

Deram-nos uma espada para a mão

E uma grilheta para os pés.

 

Podiam vender negócios

Sem vender a nossa pele.

 

É inglesa a constituição,

E a república é francesa.

É de estrangeiros a Nação,

Só a desgraça é (que é) portuguesa.

 

Venderam Portugal

Para ter dinheiro em notas.

Meteram-nos na guerra a mal

Só para termos derrotas.

 

Não nos davam de comer,

Nós é que éramos a comida,

Para eles poderem viver

Que lhes estorvava a nossa vida?

 

Metade foi para a guerra,

Metade morreu de fome,

Quem morre, cobre-o de terra.

Quem se afoga, o mar o some.

 

– Fernando Pessoa


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522 Anos do Tratado de Tordesilhas

Tratado de Tordesilhas

Há 522 Anos assinou-se o Tratado de Tordesilhas!

Em 7 de Junho de 1494 foi celebrado entre o Reino de Portugal e o recente Reino de Espanha o Tratado de Tordesilhas, para dividir as terras ‘descobertas e por descobrir’ por ambas as Coroas fora do Continente Europeu. O Tratado ocorreu no seguimento da contestação portuguesa às aspirações da Coroa espanhola que reclamara oficialmente o Continente Americano para a Rainha Espanhola Isabel, a Católica, resultantes da viagem empreendida por Colombo, que um ano e meio antes chegara ao Novo Mundo.

O Tratado de Tordesilhas, assim chamado embora fosse assinado na povoação castelhana de Arévalo, foi assinado por El-Rei Dom João II de Portugal e pelo Rei-consorte Espanhol D. Fernando II de Aragão, marido de Dona Isabel I de Castela, a Católica e que juntos ficaram para a História como os Reis Católicos.

O tratado definia como linha de demarcação o meridiano  370 léguas   a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. Esta linha estava situada a meio caminho entre estas ilhas – já portuguesas – e as ilhas das Caraíbas descobertas por Cristóvão Colombo, no tratado referidas como Cipango e Antilha. Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, à Espanha. O tratado foi ratificado pela Espanha a 2 de Julho e por Portugal a 5 de Setembro de 1494.

Mas mais importante que a História do Tratado de Tordesilhas é a lenda, pois este tratado encerra muitos mistérios.

El-Rei Dom João II de Portugal ganhou o cognome de O Príncipe Perfeito, pois em tudo o que fazia ou deliberava punha um cunho de perfeição, e para o sucesso das suas decisões em termos de política externa e geoestratégia contava sem dúvida as decisões que tomava em função da informação privilegiada que os seus serviços secretos recolhiam e que o tornavam no mais esclarecido dos monarcas europeus da época. Prova disso, e expoente máximo da sua política, é o Tratado de Tordesilhas. É muitas vezes apontada a tese de que a Descoberta do Brasil, apesar de ter ocorrido oficialmente em 1500, por Pedro Álvares Cabral ao serviço d’El-Rei Dom Manuel I de Portugal, já havia sido achado nas misteriosas viagens do capitão Duarte Pacheco Pereira para oeste de Cabo Verde e que um lançado – Lançados eram agentes desembarcados na costa oriental de África e depois seguiam para o interior recolhendo informação que facilitasse a expansão portuguesa no continente que se começava a explorar, e sobretudo sobre o então lendário Reino de Preste João. Eram homens de uma enorme coragem lançados no desconhecido e que por isso lhes deram o nome indígena de Tangomaos, sendo que tangomao significa: ‘aquele que morre ausente ou desterrado da pátria’ – de nome João Fernandes ‘Lavrador’ terá mesmo feito uma pequeníssima exploração do território. Então, sabendo disso, Dom João II nas negociações do Tratado de Tordesilhas tudo fez para que o acordo fosse gizado daquela forma, incluindo a ainda por descobrir Terra de Vera Cruz.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


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D. Manuel II – O Rei Que O Povo Amou

Rei em Viagem

A exemplo de Seu Augusto Pai e Avô, Sua Majestade El-Rei Dom Manuel II calcorreava o País de lés a lés, e onde quer que fosse o Povo aclamava-O entusiasticamente e exortava de alegria à Sua passagem, sugestionado não apenas pela expressão superlativa da persona Real, mas porque o Rei percorria as ruas sondando e interagindo com o Seu Povo, visitando os doentes nos hospitais, levando-lhes o tão importante aconchego espiritual, mostrando-se Português em tudo e não se fazendo esquisito em estender a mão a qualquer súbdito e a dirigir a Sua palavra cordial a qualquer um. Às visitas do Rei, em qualquer localidade deste Portugal, como no Porto, Espinho, Santo Tirso, Barcelos, Braga, Guimarães, Viana do Castelo, etc., acudia o Povo, a Nobreza urbana e rural e a burguesia com ruidosas manifestações de sentimento e dedicação traduzidos nos incontáveis e expressivos ‘Viv’ó Rei!’, pelo que, também, com Ele o trono do Rei de Portugal era alçado não num estrado, mas erguido nas bases sólidas do direito público nacional e escorado na dedicação recíproca entre Monarca e Povo.

O Rei e as instituições da Monarquia nunca foram os bloqueadores do funcionamento das instituições políticas, mas os que mais contribuíam para o seu funcionamento, porém a política era terreno podre, e como tal campo fácil para ser minado pelos revolucionários republicanos que pretendiam apropriar-se dos meios de poder e coacção.

‘Praticam actos que impedem a vida regular dos governos o Júlio Vilhena, a minoria, o Presidente da Câmara, a maioria?! O culpado sou eu, e eu só é que devo conseguir tudo, senão… não poderei contar com a fervorosa dedicação dos que eu agora abandono!… Mas quem é que eu abandono?! Tenho trabalhado com a máxima sinceridade e dedicação ao meu País e tenho feito, como bem sabe, tudo o possível para harmonizar! Sou eu, que tenho provocado os conflitos na Câmara? Sou eu que tenho acirrado a vivacidade das paixões políticas? De mim tudo se exige! Não poderei eu pedir aos políticos que por amor do País atenuem um pouco isto tudo?!’, escreveria um atilado Rei Dom Manuel II a José Luciano de Castro, fazendo ver o quanto os políticos com as suas questiúnculas estavam a prejudicar o País e a Coroa, a quem depois imputavam culpas, não merecidas, pela inaptidão própria destes homens que se meneavam em jogos dos interesses partidários.

A Monarquia não caiu, deixaram que a assaltassem!

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica