Monarquia, Cidadania, Democracia

Alberto Sanches de Castro e o 1.º Voo Civil em Portugal

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Sanches de Castro – O 1.º Aviador Civil Português

Muito se tem falado em aviação nos últimos tempos, ora a pretexto de suposta paternidade da aviação civil portuguesa, ora pelo baptismo de aeroportos com nomes de personalidades. Por isso em abono da verdade e da realidade histórica cumpre tirar do baú da memória o 1.º voo civil realizado em Portugal e nome do seu autor, Alberto Sanches de Castro, e que o controlo histórico teimou em lançar no oblívio.

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Alberto Caetano da Silva Sanches de Castro conhecido por Alberto Sanches de Castro, embora nato em Lisboa, a 27 de Março de 1888, nasceu no seio de uma Família Monárquica natural do Minho, mais precisamente de Vila Nova de Cerveira, e era neto do Conselheiro Caetano Pereira Sanches de Castro, General, diplomado em Engenharia e Infantaria militar, que na arma de Engenharia desempenhou as mais honrosas comissões: membro da Comissão da Defesa de Lisboa e dos seus Fortes, algumas das famosas Linhas de Torres – tendo sido nomeado o seu Chefe em 1870. O General Caetano Sanches de Castro, em 1871 foi nomeado membro da Comissão incumbida de apresentar o Plano Geral das Obras de Melhoramento da Capital, sendo-lhe confiada pessoalmente a apresentação do Plano Geral das Obras de Defesa do Porto de Lisboa. Em 1873 foi nomeado Director-Geral das Fortificações e assumiu a Presidência da Comissão de Defesa. Elaborou, então, os Projectos, considerados excepcionais, das Baterias do Bom Sucesso, do Forte de São Julião da Barra e dos Redutos de Sacavém e Alto do Duque.

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Todas essas qualidades granjearam ao General Caetano Pereira Sanches de Castro, primeiro a nomeação como Secretário da Guerra e depois como Ministro da Guerra, em 1881, no reinado de S. M. F. El-Rei D. Luís I. Os Sanches de Castro eram Viscondes de Santo António de Lourido, em Vila Nova de Cerveira, sendo o irmão do Conselheiro General, o 1.º Visconde, Francisco Pereira Sanches de Castro, grande proprietário no Distrito de Viana de Castelo, Chefe de Secção dos Corpos de Fiscalização Externa das Alfândegas, Chefe de Distrito de primeira classe do Corpo da Guarda-fiscal e Provedor da Santa Casa da Misericórdia de Vila Nova de Cerveira e o 2.º Visconde – o sobrinho do 1.º e filho do Geenral Caetano – Francisco Pereira Sanches de Castro casado com Henriqueta Margarida Coelho de Vasconcellos V. B. Sanches de Castro, e de quem Alberto Sanches de Castro era respectivamente sobrinho-neto e sobrinho.

Alberto Sanches de Castro foi aluno do Colégio Militar e da Escola de Desenho Industrial de Lisboa e frequentou o atelier Voisin Frères, em Paris, onde obteve o brevet de aviador.

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Assim, Alberto Sanches de Castro FOI O PRIMEIRO PORTUGUÊS A EFECTUAR UM VOO DE AVIÃO “aeroplano com motor”, em Portugal, em 10 de Setembro de 1912, no Mouchão da Póvoa de Santa Iria, concelho de Vila Franca de Xira, aos comandos de um Blériot XI, com motor Anzani de 25 cv. O feito, realizado na pista de 1200 metros do Campo do Mouchão, foi assim descrito na Revista Aeronáutica:

‘Os voos realizados foram quatro, todos em linha recta, sem viragens, sendo dois no sentido leste-oeste, e dois em sentido contrário. A maior distância de voo foi de 450 metros, percorrida em 30 segundos, e a maior altura obtida foi de 5 metros.’

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Sanches de Castro foi também pintor, caricaturista e jornalista. Em 1933 publicou o livro ‘Oh Chico… Não sejas Azelhudo! Ensinamentos d’Automobilismo na Linguagem Dele’, uma recolha de artigos sobre técnica de automobilismo publicados na revista O Volante. Participou com desenhos seus nos Salões Humoristas I, II e III (1912, 1913, 1920), bem como na Exposição dos Humoristas e Modernistas, inaugurada em 17 de Maio de 1915 e continuada em Junho seguinte no Salão-Jardim Passos Manuel, no Porto. Os seus trabalhos foram publicados em O Povo, A Águia, A Sátira, O Riso d ’A Vitória, Diário de Lisboa, ABC a Rir e outros periódicos. Algumas das suas caricaturas de políticos e escritores foram também publicadas sob a forma de postais ilustrados. Casou com a alemã Theodora Bachofen Lehrfeld, de quem teve dois filhos.

É bom, para além de todo o revisionismo do politicamente correcto, recordar os Heróis Portugueses.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

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