Monarquia, Cidadania, Democracia


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Monarquia – Projecto de Continuidade

Na Monarquia a Chefia do Estado transmite-se por via hereditária. Quando a vida do Pai chega ao fim, seu Filho, como foi planeado e educado para isso, é automaticamente alçado Rei e, depois de Aclamado, prolongará a Dinastia e dará continuidade a essa chefia, nunca ficando a obra e o projecto do Rei de cujus por ultimar. O Rei morreu! Viv’ó Rei! Sim, porque o novo Monarca não vai reinar sobre aquele que Lhe deu a vida, mas dar-Lhe continuidade!

Como escreveu o 2.º Conde de Alvellos in ‘O Berço Exilado do Príncipe da Beira’:

‘A Realeza é outra coisa, visa de longe a meta, e, com prudente vagar, chega ao fim planeado; se não for o Pai a ultimar a realização, seu Filho, automaticamente alçado Rei, educado das mesmas ideias de seu Pai, tudo seguirá como se a mesma vida fosse, o labor do mesmo pensamento.

Assim se fez o Império, com o prolongamento do comando: – A DINASTIA.

A todas as Repúblicas, por melhores que sejam, falta e faltará sempre, este apanágio das Realezas: – A CONTINUIDADE.’

Essa Continuidade evita as tempestades que podem surgir com uma mudança que põe tudo em causa e gera instabilidade política e social. A Monarquia evita a ruptura!

A sucessão hereditária garante uma legitimidade que é a independência face ao poder político que nenhum outro chefe de Estado possui. A Monarquia não provoca antinomia inconciliável entre um chefe de Estado e governo, assim como não petrifica o Primeiro Cidadão como instrumento político de um governo da sua área ideológica.

Um Monarca personifica o carácter nacional e dá continuidade ao projecto do Estado-Nação. Foi essa ideia propedêutica e que qualifica a sucessão hereditária: só um Rei permite uma evolução – sem quebrar a linha – na chefia do Estado, fruto da substituição geracional. Como, facilmente, se verifica a um presidente advém outro da mesma geração e idade próxima e senatorial, mantendo normalmente, mesmo que de facções ideológicas diversas, a mesma linha de pensamento e acção. Já a um Rei sucede um Rei, que até à hora da sucessão foi um Príncipe herdeiro, de uma geração diferente, educado no seu tempo e na sociedade que vai incarnar. O Príncipe hereditário é, assim, preparado para Reinar na altura certa, compreendendo as mudanças da sociedade, pois viveu-as – a conjuntura é a sua! Existe, de facto, uma verdadeira renovação, mas sem deslocamento de perspectiva.

O novo Rei carrega a lição do Passado, mas como de uma outra geração é fruto de um longo trabalho de preparação técnica e cultural para assimilar e interiorizar a Sua Nação, também, no momento e que dessa forma representará como ninguém. O novo Rei não enterra o passado, mas antes exuma os bons exemplos e aplica-os à nova realidade. Inventa-se a si próprio, para acompanhar sempre os tempos, mas procurando manter um percurso lógico sem desprezar a experiência e o exemplo dos antepassados. A Monarquia é o melhor modelo adaptado a cada época.

Como assinalou o historiador francês Jacques Bainville:

A Monarquia é o mais maleável dos regimes, o mais pronto a se renovar, aquele que tem menos medo das ideias e o que menos se encerra na rotina’.

Na Monarquia não há uma nova ordem que institui uma oposição à ordem anterior, mas uma diferença que qualifica, sem ser radical, mas, também, sem ser igual; existe uma remodelação histórica, um novo sentimento que impulsiona a Nação: não corta com o passado, mas também, não se distancia da vanguarda.

Toda a sequência dos homens durante o decurso de tantos séculos deve ser considerada como um só homem que subsiste e apreende continuamente’, defendeu Pascal.

É isso mesmo: o novo Rei conserva o que é estável e fixo, mas compreende as metamorfoses da sociedade e o continuo fluxo do desenvolvimento, proporcionando desta forma um equilíbrio perfeito. Não fica atolado, não cristaliza para seu conforto e segurança – ficando inoperante; evolui, manejando lucidamente a mudança para proveito do Povo e do Estado. O Rei responde ao apelo dos novos tempos, escuta com bom senso as lições da História, vislumbra os acontecimentos, faz a justaposição, e faz a transição, a passagem do tempo do velho Rei para o tempo do novo Rei.

Desta forma, um Monarca não pode renunciar aos objectivos pelos que reina, mas trabalhar para uma obra global: o bem da Nação. Este homem alçado Rei não é apenas mais um indivíduo, contem em si próprio um princípio, uma finalidade, é o supremo representante de todos os seus compatriotas, de toda a História da Nação, de toda a cultura, não é independente dos projectos dos indivíduos e do Estado, mas o suporte do edifício que é a Nação, que tem obrigação de guardar, servir e proteger.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Ética Real – A Verdadeira Ética

Só um Rei visa a prossecução do interesse público, do bem da coisa comum e do bem-estar comum, da verdadeira res publica, que jurou valer e garantir na Aclamação. Só um Rei asseguraria essa representatividade de todos e garantiria a ética na administração da coisa comum. Um Rei não é proveniente da esfera das rotações partidárias, é aclamado pela mais significativa das aprovações: a Aclamação por todas as forças vivas da sociedade agregadas em Cortes! É Rei pelo Código do Direito Natural e pela Aclamação da Nação reunida:

‘Real! Real! Real! Pelo muito alto e muito poderoso e fidelíssimo Rei de Portugal!’

Assim, o Rei põe em primeiríssimo lugar os interesses do próprio Povo e da Nação que tem por dever fundamental defender: ’em prol do comum e aproveitança da terra’. Essa noção de serviço público enraíza-se na História, que o Rei como ninguém assume e encarna.

Na obra de 1496, ‘Do Governo da República pelo Rei’, Diogo Lopes Rebelo elenca, já, quais os deveres do Rei:

‘É dever do Rei cumprir o que diz. Lembre-se que não é supremo Rei, a fim de nada fazer de indigno de tão grande nome. Acostume-se a nada dizer de indecoroso e de impróprio de si. Não ouça nem profira palavras desonestas pois que as más falas corrompem os costumes.

É ainda dever do Rei levantar a república na adversidade, conservá-la na prosperidade, e de pequena torná-la grande. Deve, também, considerar que foi colocado à frente dela, não tanto para governar, como para proveito dos cidadãos. (…)

Compete, finalmente, ao Rei pensar na utilidade de seus cidadãos e da república, a ele confiada e entregue. (…) A todos os seus protegerá: nobres, plebeus, incultos, sábios, ricos e pobres, porque o Senhor o fez tutor e pai de muitas gentes.’

Na verdade, o Rei é um servidor da Nação e, por isso pode ser destronado em Cortes extraordinárias, se ele não cumprir qualquer das obrigações inerentes ao seu cargo.

O Rei tem de governar rectamente: Rex eris, si recte facias, si non facias, non eris.

Ética republicana?! Por favor, não nos façam rir!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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D. Carlos I – O Rei do Portugal Maior

‘A cada ano que passa, esta figura cresce, a ponto de me parecer um dos maiores Reis da sua dinastia. Já redobra de proporções e não se tira do horizonte da nossa consciência.

Não foram os seus defeitos que o mataram, foram as suas qualidades. Só o assassinaram quando ele tomou a sério o seu papel de reinar, e quando, João Franco, quis realizar dentro da Monarquia o sonho de Portugal Maior.’

– Raul Brandão, in “Memórias”, 1.º Volume, Renascença Portuguesa, Porto, 1919, p. 289


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Família Real Portuguesa e os Animais de Estimação

Era bem pública e reconhecida a estima que a Família Real Portuguesa nutria pelos animais e a enorme afeição que dedicava aos seus animais de estimação.

Cavalos, mas sobretudo os cães, acompanhavam sempre a Família Real que com eles se ocupava em inúmeras recreações.

Na fotografia, cliché do Verão de 1909, tendo como cenário o Palácio da Pena, vê-se Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II de Portugal e a Rainha Senhora Dona Amélia – ainda de luto – com os seus três cães de companhia: o Grand Danois TEJO (em destaque), o labrador CHAMROCK (que na foto recebe a atenção da Rainha) e, deitada, a BOX, a cadelinha branca irish terrier, que para muito desgosto de Sua Majestade a Rainha, ficaria em Mafra após a revolução republicana do 5 de Outubro de 1910, consequência da precipitação dos acontecimentos e da partida abrupta para o exílio.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica