Monarquia, Cidadania, Democracia

A Última Morada dos Mártires Reais

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A Última Morada dos Mártires Reais

A 10 de Fevereiro de 1908, após dois dias em que o Povo se despediu do seu Rei e do seu Príncipe Real, as urnas dos dois Mártires Reais são depositadas no Panteão Real ou Panteão dos Bragança da Igreja de São Vicente de Fora.

Os Mártires haviam sido ceifados à vida pelos execráveis actos dos terroristas da Carbonária sob mando de uma comissão revolucionária republicana, que, nesse infernal dia 1 de Fevereiro de 1908, colocaram extemporaneamente fim às existências d’ El-Rei o Senhor Dom Carlos I de 44 anos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe de 20 anos.

Na antevéspera, num Sábado que nascera triste e enlutado, a 8 de Fevereiro de 1908, as urnas com os corpos embalsamados dos martirizados no Regicídio deixavam de ser velados na Capela do Palácio das Necessidades – onde repousavam desde 6 desse mês – e eram transferidos para o Mosteiro de São Vicente de Fora dando-se inicio aos Funerais de Estado.

O Cortejo fúnebre partiria do Palácio das Necessidades onde os corpos foram embalsamados de 2 para 3 de Fevereiro e onde foram velados até dia 8.

 

Eram 11 horas, naquela manhã lúgubre, quando as urnas soldadas, por onde, através dos tampos de cristal, se vislumbravam os corpos embalsamados dos Mártires Reais, foram depositadas sobre os coches que encimariam o Cortejo fúnebre. Completava o cenário de dor, um rufar lúgubre de tambores e sinos que choravam plangentes. As urnas foram cobertas por enormes mantos de veludo negro encimados por cruzes bordadas. Ao som das canhoadas das fortalezas e dos navios fundeados no Tejo, inicia-se o Cortejo com os coches tirados por 4 cavalos gualdrapados de um luto muito negro. Precedendo os coches seguiam seis Archeiros do Real Corpo de Archeiros, com as suas alabardas invertidas, em sinal de luto.

O 9.º Conde da Asseca transportava nas mãos a Espada do Príncipe Real e D. Fernando de Serpa a Espada D’el-Rei. O elmo D’El-Rei transportava-o o Coronel Charters de Azevedo; a Cazspka do Príncipe Real – famoso elmo dos Lanceiros – que Dom Luís Filipe usava enquanto Tenente Porta-Estandarte do mítico Regimento de Cavalaria nº 2, Esquadrão de Lanceiros n.º 2 d’El-Rei, era transportada pelo Marquês do Lavradio. Os fiéis de sempre eram seguidos pelos Cavalos enlutados do Rei e do Príncipe Real, o Júpiter e o Burster, que seguiam lado a lado com o Marquês do Faial, na qualidade de Estribeiro-Mor, e a escolta de Cavalaria comandada, pelo não menos dedicado, General Craveiro Lopes.

Seguiam dolorosos, no Coche Real, o enlutado El-Rei Dom Manuel II, ainda de braço enfaixado – resultado do ferimento sofrido no atentado perpetrado pela Carbonária a mando da comissão revolucionar ia republicana –  envergando pela primeira vez o Grande Uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei –, talhado sob o de Seu Pai, e a Rainha-viúva Dona Amelia. Depois, de semblante muito triste e carregado, o Infante Dom Afonso Henriques de Bragança.

Ainda completavam o Cortejo de 200 carruagens, o Príncipe Arthur, Duque de Connaught, em representação de seu irmão, Eduardo VII da Grã-Bretanha, ambos primos de D. Carlos e depois os áulicos e restante Nobreza, representantes diplomáticos e autoridades.

O Cortejo seguiu serpenteando por Lisboa: Av.24 de Julho, Cais do Sodré, Terreiro do Paço Cortejo, Terreiro do Paço, Terreiro do Trigo, Alfama, Campo de Santa Clara e desembocou em São Vicente de Fora. O Povo assistia pesaroso!

Defronte à Igreja as urnas foram retiradas dos Coches e passados por um encadeamento de braços de funcionários da Casa Civil do Paço.

Colocadas as urnas na Capela-Mor, após as cerimónias fúnebres e a Missa de Requiem e antes de serem colocados no Panteão Real dos Bragança os féretros ficariam expostos durante dois dias na Igreja de São Vicente para serem homenageados, por centenas de milhares de Portugueses.

Depois, volvidos esses dois de velório, no dia 10, as urnas dos Mártires Reais são depositadas no Panteão Real da Igreja de São Vicente ou Panteão dos Bragança.

Só conheceriam a derradeira morada quando em 1933, após 25 de exposição, através de uma subscrição privada seriam inumados, nesse mesmo local e lugar, em dois sublimes túmulos prestando-Lhes a devida dignidade e a merecida a homenagem.

Paz às Suas Almas!

Miguel Villas-Boas| Plataforma de Cidadania Monárquica

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One thought on “A Última Morada dos Mártires Reais

  1. QUE SENAS TÃO TRISTES PARA TODOS OS PORTUGUESES DE CORAÇÃO ——-SERÁ QUE QUEM PRATICOU ESTES CRIMES TEM PERDÃO DE DEUS??? OU OS REPUBLICANOS????? QUE COMO SE SABE SÃO CULPADOS DE TÃO VIL ATO.?????

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