Monarquia, Cidadania, Democracia


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Os Reis Não Tinham Criados

Os Reis Não Tinham Criados!

Uma das mistificações que se constroem em torno da Monarquia é de que a Família Real era servida por uma imensidão de criados e logo as imaginações viajam para produções cinematográficas de época e divagam fantasiando serventes de perucas e librés a restolhar. Ora este é um caso em que a realidade não supera de todo a ficção, pois os Reis, as Rainhas, os Príncipes eram auxiliadas pelo pessoal da Casa Civil e pelos oficiais às ordens. Assim, esses ‘criados’ próximos do Rei eram apenas os nobres da maior estirpe, assim como as Damas de companhia das Rainhas. Os nobres de mais elevada titularia estavam ao serviço pessoal do Rei, uns com cargos específicos na Corte, outros em sistema de rotatividade.

Por exemplo, imagine-se um banquete e o Rei a ser servido à mesa: quem serve o Monarca no prato é um Duque, a quem a terrina do consommé foi passada por um Marquês, e quem veio com a peça de louça com as vitualhas do início da Porta até à mesa foi um Conde, após um Visconde receber à porta da cozinha. Desse modo, também, não era um/a criado/o que servia o chá à Rainha, pois quem servia chá à Rainha era uma Marquesa.

 

Por isso o cargo de Aio, por exemplo, do Rei Dom Luís I foi o 1° Visconde e 1° Conde da Carreira; o Mordomo-mor da Casa Real, que transportava o característico símbolo da sua autoridade, o bordão de marfim com um castão de ébano esculpido com a forma da cabeça de uma mulher africana, no reinado de Dom Carlos I foi o 5° Conde de Sabugosa, o médico dos Reis era o Conde de Mafra, o secretário era o Conde de Arnoso, o estribeiro-mor era o Marquês  de Faial, o alferes-mor era o Conde de São Lourenço; as Damas da Senhora Rainha Dona Amélia eram as Ex.mas Duquesa de Palmela, a Senhora Marquesa de Unhão e D. Isabel Saldanha da Gama (Ponte); o secretário D’El-Rei Dom Manuel II foi o 6° Marquês de Lavrado, etc.

Aliás, quando havia solenidades ou visitas de Monarcas ou outros Chefes de Estado estrangeiros, era necessário contratar, temporariamente, para esse efeito pessoal para as carruagens, para as recepções do Palácio, numa tentativa de adequar os meios e não manter uma estrutura onerosa para o Erário.

 

São, ainda, muitas as manifestações de humildade para com, inclusive, o pessoal menor da Casa do Paço: recorde-se um episódio quando El-Rei Dom Carlos permanecia até altas horas no seu estúdio de pintura, pintando os maravilhosos pastéis que nos legou, e que quando saía para se dirigir para os aposentos descalçava as botas para estas não fazerem o soalho ranger e acordar o oficial às ordens que entretanto adormeceram na antessala; ou então, aquele dia do ano em que o Rei e o Príncipe Real serviam a sopa aos monges do Mosteiro de Mafra.

Apanágio da Realeza: – Servir! Sempre servir… até à morte e até depois dela… pelo exemplo!

Hoje, por cá usam o património e grande séquito, e, cúmulo da generosidade, em nosso nome!

E é paradoxal, mas sobretudo confrangedor, estes políticos sempre prontos a pigarrear que são republicanos e depois desfazerem-se em tantos salamaleques diante dos Reis estrangeiros!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica

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‘Depois de Vós, Nós’ – Divisa D’El-Rei D. Manuel II de Portugal

O Rei tem um papel histórico: o de personificar o carácter nacional; porque o Monarca é o primeiro depositário da tradição dos antepassados dos homens e dos costumes da Nação. Além disso, a função Real é, de facto, um Serviço que é desempenhado com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura exercer o melhor possível o seu Ofício dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante e da defesa do bem comum.

Por isso, mesmo empurrado para o exílio pela ação deletéria da revolução republicana do 5 de Outubro de 1910, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II de Portugal desempenhou um papel muito cativo na Grande Guerra de 1914-18. Com Portugal impelido para o conflito pela república velha, o Monarca português exilado, em Inglaterra, colocou-se à disposição dos Aliados para combater. Não lho permitiram e, então, serviu o como oficial da Cruz Vermelha Britânica, o que fez com grande empenho e dedicação cooperando em conferências e na recolha de fundos, visitando hospitais e mesmo os feridos na frente, foi-Lhe muito gratificante. Todavia, a sua solicitude nem sempre foi reconhecida, equipando a sala de operações do Hospital Português, em Paris, e montando o departamento ortopédico do hospital de Sheperds Bush, Inglaterra, que por firmeza e generosidade do Monarca prolongou o funcionamento até 1925, dando assistência aos estropiados da guerra. Esta dedicação foi reconhecida com lugar cativo ao lado da Família Real Inglesa, na tribuna real, durante o Desfile da Vitória dos Aliados, em Julho de 1919, em Londres.

Uma prova de reconhecimento dos britânicos para com D. Manuel II de Portugal foi quando o Rei britânico Jorge V – primo do Monarca português pelos laços da Casa de Saxe-Coburgo e Gotha – o colocou, e à Rainha Augusta Vitória, a seu lado, da Rainha Mary, do Príncipe de Gales e da Rainha- mãe Alexandra, na tribuna real, durante o Desfile da Vitória

De facto, como mais ninguém, a figura do Rei exprime a virtude da dedicação ao bem da comunidade e tem uma superior consciência dos assuntos nacionais, representando da forma mais ética possível a Nação, a Comunidade confia no Rei e revê-se nele, e quererá seguir-lhe o exemplo o que vai fazer repercutir nas instituições democráticas essa ordem.

Na primeira fotografia, sem qualquer ressentimento para com os seus conterrâneos, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II de Portugal, de uniforme de oficial da Cruz Vermelha Britânica, em 1918, confraternizando com um oficial e um soldado do Corpo Expedicionário Português para a Flandres, ou não fosse a divisa de Sua Majestade, ‘Depois de Vós, Nós’.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica