Monarquia, Cidadania, Democracia


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A Dor do Povo nos Funerais Reais

A exemplo de certa imprensa da época [Fevereiro de 1908], cujos títulos corroboram facilmente a sua agenda tendenciosa [A República; A Paródia; A Luta], ainda hoje os escribas e escoliastas arregimentados deturpam a verdade histórica, a coberto de um suposto fanatismo republicano, afirmando que o Povo não marcou presença nas Cerimónias fúnebres dos assassinados El-Rei o Senhor Dom Carlos I de Portugal e do Príncipe Real Dom Luís Filipe.

Mentiras e calúnias a que cabe administrar antídoto! E se a verdade da força das nossas palavras não for o bastante para afastar a difamação, nada melhor que a precisão real das imagens fotográficas do Cortejo fúnebre e dos funerais reais, onde se pode visionar, num luto cerrado e pesaroso, multidões compactas de Povo a assistir à passagem das carruagens funerárias que transportavam enlutadas os mártires reais, cujas vidas haviam sido ceifadas por uma coligação negativa de terroristas no fatídico dia 1 de Fevereiro de 1908. Em toda a Lisboa, por onde o Cortejo seguiu serpenteando, vislumbravam-se ainda as varandas gualdrapadas de mantas e colchas negras nos prédios das ruas por onde passaram os féretros: Av.24 de Julho, Cais do Sodré, Terreiro do Paço, Terreiro do Trigo, Alfama, Campo de Santa Clara. O Povo distribuíra-se em densas massas pelas diversas artérias e assistia pesaroso, e lamentos alterando com louvores à memória do seu Rei e do seu Príncipe Real, faziam-se ouvir de todos os lados. Triste e enlutado foi o Povo seguindo as urnas com os corpos embalsamados dos martirizados no Regicídio, até desembocar em São Vicente de Fora, Mosteiro e Panteão dos Bragança, onde se iniciariam aos Funerais de Estado.

Defronte à Igreja as urnas foram retiradas dos Coches e passados por um encadeamento de braços de funcionários da Casa Civil do Paço, perante o lamento sofrido dos milhares de cabeças que ali acorreram para se despedir dos seus dilectos Rei e Príncipe.

Colocadas as urnas na Capela-Mor, após as cerimónias fúnebres e a Missa de Requiem e antes de serem colocados no Panteão Real dos Bragança no dia 10, os féretros D’ El-Rei o Senhor Dom Carlos I de Portugal e do Príncipe Real Dom Luís Filipe, ficariam expostos durante dois dias na Igreja de São Vicente para serem homenageados, por centenas de milhares de Portugueses que acorreram ao último adeus.

Paz às Suas Almas!

Portugal começava a sua Via Crucis!

Miguel Villas-Boas| Plataforma de Cidadania Monárquica


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A Última Morada dos Mártires Reais

A Última Morada dos Mártires Reais

A 10 de Fevereiro de 1908, após dois dias em que o Povo se despediu do seu Rei e do seu Príncipe Real, as urnas dos dois Mártires Reais são depositadas no Panteão Real ou Panteão dos Bragança da Igreja de São Vicente de Fora.

Os Mártires haviam sido ceifados à vida pelos execráveis actos dos terroristas da Carbonária sob mando de uma comissão revolucionária republicana, que, nesse infernal dia 1 de Fevereiro de 1908, colocaram extemporaneamente fim às existências d’ El-Rei o Senhor Dom Carlos I de 44 anos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe de 20 anos.

Na antevéspera, num Sábado que nascera triste e enlutado, a 8 de Fevereiro de 1908, as urnas com os corpos embalsamados dos martirizados no Regicídio deixavam de ser velados na Capela do Palácio das Necessidades – onde repousavam desde 6 desse mês – e eram transferidos para o Mosteiro de São Vicente de Fora dando-se inicio aos Funerais de Estado.

O Cortejo fúnebre partiria do Palácio das Necessidades onde os corpos foram embalsamados de 2 para 3 de Fevereiro e onde foram velados até dia 8.

Eram 11 horas, naquela manhã lúgubre, quando as urnas soldadas, por onde, através dos tampos de cristal, se vislumbravam os corpos embalsamados dos Mártires Reais, foram depositadas sobre os coches que encimariam o Cortejo fúnebre. Completava o cenário de dor, um rufar lúgubre de tambores e sinos que choravam plangentes. As urnas foram cobertas por enormes mantos de veludo negro encimados por cruzes bordadas. Ao som das canhoadas das fortalezas e dos navios fundeados no Tejo, inicia-se o Cortejo com os coches tirados por 4 cavalos gualdrapados de um luto muito negro. Precedendo os coches seguiam seis Archeiros do Real Corpo de Archeiros, com as suas alabardas invertidas, em sinal de luto.

O 9.º Conde da Asseca transportava nas mãos a Espada do Príncipe Real e D. Fernando de Serpa a Espada D’el-Rei. O elmo D’El-Rei transportava-o o Coronel Charters de Azevedo; a Cazspka do Príncipe Real – famoso elmo dos Lanceiros – que Dom Luís Filipe usava enquanto Tenente Porta-Estandarte do mítico Regimento de Cavalaria nº 2, Esquadrão de Lanceiros n.º 2 d’El-Rei, era transportada pelo Marquês do Lavradio. Os fiéis de sempre eram seguidos pelos Cavalos enlutados do Rei e do Príncipe Real, o Júpiter e o Burster, que seguiam lado a lado com o Marquês do Faial, na qualidade de Estribeiro-Mor, e a escolta de Cavalaria comandada, pelo não menos dedicado, General Craveiro Lopes.

Seguiam dolorosos, no Coche Real, o enlutado El-Rei Dom Manuel II, ainda de braço enfaixado – resultado do ferimento sofrido no atentado perpetrado pela Carbonária a mando da comissão revolucionar ia republicana –  envergando pela primeira vez o Grande Uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei –, talhado sob o de Seu Pai, e a Rainha-viúva Dona Amelia. Depois, de semblante muito triste e carregado, o Infante Dom Afonso Henriques de Bragança.

Ainda completavam o Cortejo de 200 carruagens, o Príncipe Arthur, Duque de Connaught, em representação de seu irmão, Eduardo VII da Grã-Bretanha, ambos primos de D. Carlos e depois os áulicos e restante Nobreza, representantes diplomáticos e autoridades.

O Cortejo seguiu serpenteando por Lisboa: Av.24 de Julho, Cais do Sodré, Terreiro do Paço Cortejo, Terreiro do Paço, Terreiro do Trigo, Alfama, Campo de Santa Clara e desembocou em São Vicente de Fora. O Povo assistia pesaroso!

Defronte à Igreja as urnas foram retiradas dos Coches e passados por um encadeamento de braços de funcionários da Casa Civil do Paço.

Colocadas as urnas na Capela-Mor, após as cerimónias fúnebres e a Missa de Requiem e antes de serem colocados no Panteão Real dos Bragança os féretros ficariam expostos durante dois dias na Igreja de São Vicente para serem homenageados, por centenas de milhares de Portugueses.

Depois, volvidos esses dois de velório, no dia 10, as urnas dos Mártires Reais são depositadas no Panteão Real da Igreja de São Vicente ou Panteão dos Bragança.

Só conheceriam a derradeira morada quando em 1933, após 25 de exposição, através de uma subscrição privada seriam inumados, nesse mesmo local e lugar, em dois sublimes túmulos prestando-Lhes a devida dignidade e a merecida a homenagem.

Paz às Suas Almas!

Miguel Villas-Boas| Plataforma de Cidadania Monárquica


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Funerais Reais

Neste mesmo dia, mas há 111 anos, num Sábado que nasceu triste e enlutado, a 8 de Fevereiro de 1908, as urnas com os corpos embalsamados dos martirizados no Regicídio de 1 de Fevereiro, El-Rei o Senhor Dom Carlos I de Portugal e do Príncipe Real Dom Luís Filipe deixavam de ser velados na Capela do Palácio das Necessidades – onde repousavam desde 6 desse mês – e eram transferidos para o Mosteiro de São Vicente de Fora dando-se inicio aos Funerais de Estado.

O Cortejo fúnebre partiria do Palácio das Necessidades onde os corpos foram embalsamados de 2 para 3 de Fevereiro e onde seriam velados até dia 8.

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Eram 11 horas, naquela manhã lúgubre, quando as urnas soldadas, por onde, através dos tampos de cristal, se vislumbravam os corpos embalsamados dos Mártires Reais, foram depositadas sobre os coches que encimariam o Cortejo fúnebre. Completava o cenário de dor, um rufar lúgubre de tambores e sinos que choravam plangentes. As urnas foram cobertas por enormes mantos de veludo negro encimados por cruzes bordadas. Ao som das canhoadas das fortalezas e dos navios fundeados no Tejo, inicia-se o Cortejo com os coches tirados por 4 cavalos gualdrapados de um luto muito negro. Precedendo os coches seguiam seis Alabardeiros do Real Corpo de Archeiros, com as suas alabardas invertidas, em sinal de luto.

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O 9.º Conde da Asseca transportava nas mãos a Espada do Príncipe Real e D. Fernando de Serpa a Espada D’el-Rei. O elmo D’El-Rei transportava-o o Coronel Charters de Azevedo; a Cazspka do Príncipe Real – famosa barretina dos Lanceiros – que Dom Luís Filipe usava enquanto Tenente Porta-Estandarte do mítico Regimento de Cavalaria nº 2, Esquadrão de Lanceiros n.º 2 d’El-Rei, era transportada pelo Marquês do Lavradio. Os fiéis de sempre eram seguidos pelos Cavalos enlutados do Rei e do Príncipe Real, o Júpiter e o Buster, que seguiam lado a lado com o Marquês do Faial, na qualidade de Estribeiro-Mor, e a escolta de Cavalaria comandada, pelo não menos dedicado, General Craveiro Lopes.

Seguiam dolorosos, no Coche Real, o enlutado El-Rei Dom Manuel II, ainda de braço enfaixado – resultado do ferimento sofrido no atentado perpetrado pela Carbonária a mando da comissão revolucionar ia republicana –  envergando pela primeira vez o Grande Uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei – e a Rainha-viúva Dona Amélia.

Ainda completavam o Cortejo, o Príncipe Arthur, Duque de Connaught, em representação de seu irmão, Eduardo VII da Grã-Bretanha, ambos primos de D. Carlos e depois os áulicos e restante Nobreza, representantes diplomáticos e autoridades.

O Cortejo seguiu serpenteando por Lisboa: Av.24 de Julho, Cais do Sodré, Terreiro do Paço Cortejo, Terreiro do Paço, Terreiro do Trigo, Alfama, Campo de Santa Clara e desembocou em São Vicente de Fora.

Defronte à Igreja as urnas foram retiradas dos Coches e passados por um encadeamento de braços de funcionários da Casa Civil do Paço.

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Colocadas as urnas na Capela-Mor, após as cerimónias fúnebres e a Missa de Requiem e antes de serem colocados no Panteão Real dos Bragança no dia 10, os féretros ficariam expostos durante dois dias na Igreja de São Vicente para serem homenageados, por centenas de milhares de Portugueses.

Paz às Suas Almas!

Miguel Villas-Boas| Plataforma de Cidadania Monárquica


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Regicídio – Quando Mataram o Rei e o Príncipe Real

Completam-se hoje 111 anos sobre o mais trágico magnicídio da História de Portugal, episódio que haveria de ficar para sempre conhecido como Regicídio, pois, a 1 de Fevereiro de 1908, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Carlos I de Portugal e o Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança foram assassinados, respectivamente aos 44 e aos 20 anos, num atentado terrorista perpetrado pela Carbonária, organizado em conjunto por esta organização terrorista, pela maçonaria, por republicanos do Partido Republicano Português e dissidentes do Partido Progressista. Nele morreram não só um Rei e um Príncipe, mas a Esperança de toda uma Nação, pois foi dali que veio todo o Mal.

A unidade na Maçonaria permitiu a formação de uma organização secreta sediciosa e armada, a Carbonária, que, liderada por Luz de Almeida, alistava grupos de civis que treinava nas técnicas de combate urbano e anarquista e procedia ao recrutamento de fidelidades nos quartéis entre os marinheiros, soldados e os sargentos. Apoiada pelo próprio grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, lançou-se mesmo em atentados bombistas como os dos anarquistas João Borges e José do Valle.

A Carbonária foi uma organização terrorista secreta, oriunda de Itália, e que se instalou em Portugal em 1822. Era paralela da Maçonaria, embora sem vínculo orgânico à Maçonaria Portuguesa, não obstante utilizava algumas lojas do então Grande Oriente Lusitano Unido para aquartelar os seus órgãos superiores, os seus membros eram na maioria também maçons, e colaborou oficialmente com esta Obediência para a tentativa de revolução republicana falhada de 28 de Janeiro de 1908 – conspiração urdida pelos republicanos, pela Carbonária e pelos dissidentes progressistas -, para o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, e, para a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910. A Carbonária era uma organização política, mas de cariz armado, uma espécie de brigada de artilharia, inimiga da Monarquia, do clero e das congregações religiosas. A Carbonária impunha aos seus filiados que ‘possuíssem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos’.

O órgão supremo da Carbonária Portuguesa era a Venda Jovem-Portugal, tão secreta que os seus membros não se conheciam uns aos outros e que apenas se reunia em caso de deliberações importantes. O seu Presidente honorário era o Grão-Mestre que era o único dos seus membros que comunicava com a Alta-Venda e que assistia a todas as sessões deste órgão. Continuando com a descrição do organigrama da organização, a Alta-Venda era composta pelo Grão-Mestre eleito na Venda Jovem-Portugal e mais quatro Bons Primos nomeados e escolhidos por este de entre os membros da Carbonária Portuguesa. Este era o órgão de gestão da Carbonária Portuguesa e o seu pólo dinamizador principal.

Na Carbonária havia quatro graus: Rachador, Aspirante, Mestre e Mestre Sublime. Os filiados tratavam-se por Primos e por Tu, havendo entre eles sinais de reconhecimento e palavras especiais, e, nas sessões apresentavam-se sempre todos de capuz geralmente negro ou com a cara encarvoiçada, para dificultar a exposição dos chefes, mas os quais, todavia, conheciam os seus homens. O estandarte carbonário era vermelho e verde e nele estava representado um Estrela de Cinco Pontas, que encima o Globo Terrestre e três pontinhos, dispostos em forma triangular com o vértice na parte inferior.

Do lado político formou-se ainda um comité revolucionário composto pelos dissidentes do Partido Progressista, Visconde da Ribeira Brava e Alpoim, e, os republicanos Afonso Costa e Alexandre Braga, entre outros e que era conhecido pelo Grupo dos 18. Prepararam então a revolução.

Tudo servia de desculpa para denegrir o governo e o Rei: a questão dos adiantamentos, isto é, das supostas dívidas da Casa Real ao Estado; a greve académica de Coimbra em Março de 1907, com o falso pretexto da reprovação de um candidato a Doutoramento em Direito; que João Franco governava em ditadura – ora acontece que depois de quebrado o apoio dos progressistas, passou a governar à turca, mas tratou-se de uma ditadura apenas administrativa, pois era impossível governar com o Parlamento que não funcionava; havia forte especulação de que Dom Carlos I intervinha muito na governação, ora, por causa da inoperância das instituições, designadamente o parlamento enredado no quiproquó do rotativismo, o Rei era, na prática, obrigado a exercer o poder real por vezes de forma significativa, embora sujeito pela Constituição a actuar no conselho do Gabinete – ou isso ou o País parava enredado no jogo rotativista! D. Carlos, foi até menos intervencionista que o regente D. Pedro, Duque de Bragança, depois de 1834, ou que D. Maria II e Dom Pedro V; os rivais, de resto, menos que uma ditadura, temiam a hipótese de uma nova forma de reinar, capaz de confirmar um caminho novo para o regime, limpo de toda a ferrugem que encardia a engrenagem da máquina.

Aliás, tudo parecia resolver-se, até porque o partido de João Franco alcança os acordos indispensáveis com os círculos eleitorais de maneira a garantir a desejada maioria, e são marcadas eleições para o parlamento, o que poria fim à ditadura administrativa e permitiria regressar a um cenário de normalidade e equilíbrio parlamentares.

A Família Real encontrava-se em Vila Viçosa desde 6 de Janeiro, no Paço Ducal dos Braganças, e que era tanto do gosto do Rei que apreciava o bucolismo e a vida simples e rural. Só Dom Manuel, após uma curta estadia, apressara a sua vinda para Lisboa com o objectivo de se preparar para os exames da Escola Naval.

Dia 28 de Janeiro de 1908 foi a data escolhida pelo comité revolucionário para a revolução pelas armas, mas um inconfidência de um dos conspiradores fez chegar a notícia da sublevação às autoridades que actuaram de imediato: António José de Almeida, Luz de Almeida, João Chagas, França Borges, João Pinto dos Santos e Álvaro Poppe foram presos imediatamente. Afastados estes, a chefia e orientação do coup recaiu sobre Afonso Costa, mas com a rápida intervenção das forças da ordem comandadas pelo general Malaquias de Lemos, acabou detido juntamente com Egas Moniz e o Visconde da Ribeira Brava de armas na mão, no Elevador da Biblioteca, de onde contavam chegar à Câmara Municipal para proclamar a república. José Maria de Alpoim conseguiu fugir para Espanha. As tropas por agora mantiveram-se fiéis ao regime e Machado dos Santos não conseguiu sublevar o quartel da Marinha em Alcântara, nem Cândido dos Reis apoderar-se do cruzador São Miguel.

João Franco extrapola e decide usar mão-de-ferro preparando um decreto-lei de excepção vaticinando o exílio para o estrangeiro ou a expulsão para as colónias, sem julgamento, de indivíduos que fossem pronunciados em tribunal por atentado à ordem pública e segurança do Estado. El-Rei hesitou, mas reflectindo, após insistência de Franco anui: ‘Cada vez temos mais necessidade acabar com agitação. Aprovo resolução tomada’. Dom Carlos assina o Decreto de 31 de Janeiro que prevê a deportação dos que atentassem contra a segurança do Estado. O Monarca terá, então, dito:  ’assino a minha sentença de morte!’. Mesmo assim decide regressar a Lisboa no dia seguinte, para não pensarem que o Rei se escondia.

Quem não parara de se movimentar na sombra era a Carbonária que, com a conivência do mencionado comité revolucionário, urdia um atentado para assassinar a Família Real desde 1907, data em que, numa deslocação a Paris, um grupo de republicanos decidira numa reunião com revolucionários anarquistas franceses, num Café da Boulevard Poissonière, assassinar o presidente do Conselho e o Monarca português! Houve depois vários encontros para preparar o atentado, sendo o último na madrugada desse dia 1 de Fevereiro de 1908, nos Olivais, onde uns primos da Carbonária, simultaneamente membros de uma loja maçónica não regularizada, decidem avançar com a impiedade. Decidem assassinar, primeiro o Rei Dom Carlos I, depois o Príncipe Real Dom Luís Filipe, depois o Infante Dom Manuel e, finalmente, a Rainha Dona Amélia.

A Família Real deixou Vila Viçosa às 11h00 de 1 de Fevereiro de 1908 e Dom Carlos I, Dona Amélia e Dom Luís Filipe viajaram de comboio até ao Barreiro onde apanharam o vapor Dom Luís.

Estava uma tarde linda, solarenga e vestida de azul, Dom Manuel, o Infante Dom Afonso, os conselheiros que compunham o governo e vários dignitários e áulicos da Corte, esperavam no cais fluvial de Lisboa o vapor que trazia a Família Real. Dom Carlos I, Dona Amélia e Dom Luís Filipe desembarcam às 17h10m no Terreiro do Paço. Dona Amélia é oblatada com um ramo de flores por uma rapariguinha, Dom Carlos desce de seguida e combina com João Franco reunião no Paço. Trocam-se rapapés vagarosos entre Dom Carlos e o Ministro da Guerra Vasconcellos Porto, e Dom Luís Filipe, o último a descer, vai entretendo boa parte dos 80 elementos que os esperavam, até que o Conde de Figueiró faz saber que as carruagens estavam prontas – pois, ao contrário da insistência do estribeiro-menor Coronel Alfredo Albuquerque, El-Rei decidira que seguiria num laudau de capota descida, prescindindo, dos automóveis. Sobem a carruagem aberta que os levaria às Necessidades. De acordo com o Protocolo, Dona Amélia subiu primeiro e ocupou o lugar à esquerda de frente, Dom Carlos o da direita, Dom Manuel de costas à esquerda e Dom Luís Filipe defronte ao Rei.

Foi um cortejo fúnebre aquele que, a 1 de Fevereiro de 1908, saiu da estação e evoluía em marcha lenta num laudau de capota descida e um pouco destacado da comitiva, e sem grandes medidas de segurança – apenas com uns batedores a cavalo tomando a dianteira e o oficial às ordens a cavalo a ladear o Rei.

O laudau seguia já nas arcadas à esquerda do Terreiro do Paço, no Ministério da Fazenda, na Praça do Comércio, quase a dobrar para a Rua do Arsenal, quando um tiro e um grito de ordem, ‘A Eles!!!’, se ouviram. O Duque de Beja, o Infante Dom Manuel, olhou perscrutante e reparou num indivíduo de densas barbas negras e de varino, no passeio: era o Manuel Buiça! O facínora de olhar vítreo abriu o capote e retirou uma carabina, atirou as faldas do varino para os ombros e correu numa fúria homicida a aproximar-se da carruagem real; já na rua ajoelhou-se à forma de atirador – com um joelho no chão e a coronha da Winchester 1873, encostada ao ombro! Manuel dos Reis Silva Buiça, professor primário, fixou o olhar duro e frio no Rei e disparou usando como alvo a gola vermelha do capote do pequeno uniforme de Marechal-General do Exército que o Rei envergava! A poderosa bala de calibre 44 acertou em cheio no Rei Dom Carlos, atravessando-lhe o corpo, fracturando a coluna vertebral e saindo pelo maxilar inferior, o Rei faz um esgar, mas abateu-se de seguida, morto. Buiça continuou a fuzilar El-Rei, o que fez o Príncipe Real D. Luís Filipe, já recuperado do espanto sacar do Colt e disparar 3 tiros na direcção dos cinco terroristas – parece que atingiu José Nunes; Alfredo Costa surgiu por trás do Rei e disparou-Lhe sobre a nuca, depois colocou o pé direito no apoio de subida do landau e elevou-se ficando ao nível da Família Real, disparando sobre o corpo inerte e tombado de costas do Monarca português. Dom Luís Filipe disparou sobre o terrorista, mas os solavancos fazem-no errar o alvo. Enquanto isso, a Rainha Dona Amélia aos gritos de ‘Infames!’, armada do ramo de flores ofertado à chegada por uma criança, flagelava corajosamente o Costa, mas em vão, pois Alfredo Luís Costa virou-se para o Príncipe Real e disparou-lhe em cheio no esterno, mas não mortalmente. O Príncipe Real não negou a varonia que lhe era reconhecida e corajoso descarregou as restantes 4 balas do Colt no Costa que cai morto da carruagem. Ao ver isso, o Buiça que continuava a espingardearia atingindo Dom Manuel no braço direito, virou-se para Dom Luís Filipe e disparou sobre o já jovem Rei, que não reinaria, pois foi atingido em cheio na face esquerda com uma bala que lhe atravessou a cabeça e sai pela nuca, matando-o. Estava consumado o magnicídio!

O tenente Francisco Figueira trespassou, então, o Buiça com a espada e pôs-lhe um fim. Ainda restavam três terroristas, mas graças à acção do Marquês de Lavradio e do Visconde de Asseca que se colocam a servir de escudo e do sangue-frio do cocheiro Bento Caparica, que mesmo ferido, à brida toda dispara os ginetes em direcção ao Arsenal, os intentos assassinos dos carbonários não conseguem completar o plano gizado e Dom Manuel e Dona Amélia sobrevivem. Os outros carbonários, acabaram, também, às mãos do sabre ou da pistola da guarda.

Uma mulher do povo exclamou, em pranto:

‘- Mataram agora o Rei!’

‘Mataram o Rei! Mataram o Príncipe Real!’

Eram 17h20m, a terrível notícia espalhou-se pela capital. Estava consumada a tragédia do Regicídio!

A Monarquia estava ferida de morte pelos golpes desta tragédia!

‘O meu Pai… o meu Irmão!!!!’, exclamou o filho de Rei e irmão de Príncipe Real.

O Rei morreu… duas vezes!!! Dom Manuel era o novo Rei, obrigava-o o dever do trono e destino dos Reis: reinar sobre a morte de quem lhe deu vida!

É um relato doloroso e gráfico, aquele que se fez do Regicídio, mas necessário para que se possa constatar com toda a justiça a brutalidade do assassinato e o sofrimento das vítimas, dos Mártires Reais.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Regicídio Descrito Por D. Manuel II

 

«Há já uns poucos de dias que tinha a ideia de escrever para mim estas notas íntimas, desde o dia 1 de Fevereiro de 1908, dia do horroroso atentado no qual perdi barbaramente assassinados o meu querido Pai e o meu querido Irmão…No dia 1 de Fevereiro regressavam Suas Majestades El-Rei D. Carlos I a Rainha a senhora D. Amélia e Sua Alteza o Príncipe Real de Villa Viçosa onde ainda tinha ficado…
Meu Pai não tinha nenhuma vontade de voltar para Lisboa. Bem lembro que se estava para voltar para Lisboa 15 dias antes e que meu Pai quis ficar em Villa Viçosa: Minha Mãe pelo contrário queria forçosamente vir. Recordo-me perfeitamente desta frase que me disse na véspera ou no próprio dia que regressei a Lisboa depois de eu ter estado dois dias em Villa Viçosa. “Só se eu quebrar uma perna é que não volto para Lisboa no dia 1 de Fevereiro. Melhor teria sido que não tivessem voltado porque não tinha eu perdido dois entes tão queridos e não me achava hoje Rei! Enfim, seja feita a Vossa vontade Meu Deus! (…) houve uma pessoa minha amiga (que se não me engano foi o meu professor Abel Fontoura da Costa) que disse a um dos Ministros que eu gostava de saber um pouco o que se passava, porque isto estava num tal estado de excitação. O João Franco escreveu-me então uma carta que eu tenho a maior pena de ter rasgado, porque nessa carta dizia-me que tudo estava sossegado e que não havia nada a recear! Que cegueira!

Mas passemos agora ao fatal dia 1 de Fevereiro de 1908, sábado. De manhã tinha eu tido o Marquês Leitão e o King. Almocei tranquilamente com o Visconde d’Asseca e o Kerausch. Depois do almoço estive a tocar piano, muito contente porque naquele dia dava-se pela primeira vez “Tristão e Ysolda” de Wagner em S. Carlos…Um pouco depois das 4 horas saí do Paço das Necessidades num “landau” com o Visconde d’Asseca em direcção ao Terreiro do Paço para esperarmos Suas Magestades e Alteza. Fomos pela Pampulha, Janelas Verdes, Aterro e Rua do Arsenal. Chegámos ao Terreiro do Paço. Na estação estava muita gente da corte e mesmo sem ser. Conversei primeiro com o Ministro da Guerra Vasconcellos Porto, talvez o Ministro de quem eu mais gostava no Ministério do João Franco. Disse-me que tudo estava bem.

Esperamos muito tempo; finalmente chegou o barco em que vinham os meus Pais e o meu Irmão. Abracei-os e viemos seguindo até a porta onde entramos para a carruagem os quatro. No fundo a minha adorada Mãe dando a esquerda ao meu pobre Pae. O meu chorado Irmão deante do meu Pai e eu diante da minha mãe. Sobretudo o que agora vou escrever é que me custa mais: ao pensar no momento horroroso que passei confundem-se-me as ideias. Que tarde e que noite mais atroz! Ninguém n’este mundo pode calcular, não, sonhar o que foi. Creio que só a minha pobre e adorada Mãe e Eu podemos saber bem o que isto é! vou agora contar o que se passou n’aquella historica Praça.
Sahimos da estação bastante devagar. Minha mãe vinha-me a contar como se tinha passado o descarrilamento na Casa-Branca quando se ouviu o primeiro tiro no Terreiro do Paço, mas que eu não ouvi: era sem duvida um signal: signal para começar aquella monstruosidade infame, porque pode-se dizer e digo que foi o signal para começar a batida. Foi a mesma coisa do que se faz n’uma batida às feras: sabe-se que tem de passar por caminho certo: quando entra n’esse caminho dá-se o signal e começa o fogo! Infames! Eu estava olhando para o lado da estátua de D. José e vi um homem de barba preta , com um grande “gabão”. Vi esse homem abrir a capa e tirar uma carabina. Eu estava tão longe de pensar n’um horror d’estes que me disse para mim mesmo, sabendo o estado exaltação em que isto tudo estava “que má brincadeira”. O homem sahiu do passeio e veio se pôr atrás da carruagem e começou a fazer fogo…Quando vi o tal homem das barbas que tinha uma cara de meter medo, apontar sobre a carruagem percebi bem, infelizmente o que era. Meu Deus que horror. O que então se passou só Deus minha mãe e eu sabemos(…) porque mesmo o meu querido e chorado Irmão presenceou poucos segundos porque instantes depois também era varado pelas balas. Que saudades meu Deus! Dai-me a força Senhor para levar esta Cruz, bem pesada, ao Calvário! Só vós, Meu Deus sabeis o que tenho sofrido! Logo depois do Buíça ter feito fogo (que eu não sei se acertou) começou uma perfeita fuzilada, como numa batida às feras! Aquele Terreiro do Paço estava deserto nenhuma providência! Isso é que me custa mais a perdoar ao João Franco (…)

Imediatamente depois do Buíça começar a fazer fogo saiu de debaixo da Arcada do Ministério um outro homem que desfechou uns poucos de tiros à queima-roupa sobre o meu Pai; uma das balas entrou pelas costas e outra pela nuca, que O matou instantaneamente. Que infames! para completarem a sua atroz malvadez e sua medonha covardia fizeram fogo pelas costas. Depois disto não me lembro quase do resto: foi tão rápido! Lembra-me perfeitamente de ver a minha adorada e heróica Mãe de pé na carruagem com um ramo de flores na mão gritando àqueles malvados animais, porque aqueles não são gente «infames, infames».

A confusão era enorme. Lembra-me também e isso nunca poderei esquecer, quando na esquina do Terreiro do Paço para a Rua do Arsenal, vi o meu Irmão em pé dentro da carruagem com uma pistola na mão. Só digo d’Ele o que o Cónego Aires Pacheco disse nas exéquias nos Jerónimos: «Morreu como um herói ao lado do seu Rei»! Não há para mim frase mais bela e que exprima melhor todo o sentimento que possa ter…Quando de repente já na Rua do Arsenal olhei para o meu queridíssimo Irmão vi-O caído para o lado direito com uma ferida enorme na face esquerda de onde o sangue jorrava como de uma fonte! Tirei um lenço da algibeira para ver se lhe estancava o sangue: mas que podia eu fazer? O lenço ficou logo como uma esponja.

No meio daquela enorme confusão estava-se em dúvida para onde devia ir a carruagem: pensou-se no hospital da Estrela, mas achou-se melhor o Arsenal. Eu também, já na Rua do Arsenal fui ferido num braço por uma bala. Faz o efeito de uma pancada e um pouco uma chicotada: foi na parte superior do braço direito…Deus quis poupar-nos! Dou Graças a Deus de me ter deixado a minha Mãe que eu tanto adoro. Sempre foi a pessoa que eu mais gostei neste mundo e no meio destes horrores todos dou e darei sempre graças a Deus de me A ter conservado!

Quando a Minha adorada Mãe saiu da carruagem foi direita ao João Franco que ali estava e disse-lhe ou antes gritou-lhe com uma voz que fazia medo «Mataram El-Rei: Mataram o meu Filho». A minha pobre Mãe parecia doida. E na verdade não era para menos: Eu também não sei como não endoideci. O que então se passou naquelas horas no Arsenal ninguém pode sonhar! A primeira coisa foi que perdi completamente a noção do tempo. Agarrei a minha pobre e tão querida Mãe por um braço e não larguei e disse à Condessa de Figueiró para não a deixar.

De meu Pai e mesmo meu Irmão não tinha grandes esperanças que pudessem escapar. As feridas eram tão horrorosas que me parecia impossível que se salvassem. (…) já lá estava o Ministério todo menos o Ministro da Fazenda Martins de Carvalho…Preveniu-se para o Paço da Ajuda a minha pobre Avó para vir para o Arsenal. Eu não estava quando Ela chegou. Estavam-me a tratar o braço na sala do Inspector do Arsenal…A minha pobre e adorada Mãe andava comigo pelo Arsenal de um lado para o outro com diferentes pessoas: Conde de Sabugosa, Condes de Figueiró, Condes de Galveias e outros falando de sempre num estado de excitação indescritível mas fácil de compreender. De repente caiu no chão! Só Deus e eu sabemos o susto que eu tive! Depois do que tinha acontecido veio aquela reacção e eu nem quero dizer o que primeiro me passou pela cabeça…Minha Mãe levantou-se quase envergonhada de ter caído. É um verdadeiro herói. Quem dera a muitos homens terem a décima parte da coragem que a minha Mãe tem.

Pouco tempo depois de termos chegado ao Arsenal veio ainda o major Waddington dizendo que os Queridos Entes ainda estavam vivos; mas infelizmente pouco tempo depois voltou chorando muito. Perguntei-lhe «Então?» Não me respondeu. Disse-lhe que tinha força para ouvir tudo. respondeu-me então que já ambos tinham falecido! Dai-lhes Senhor o Eterno descanso e brilhe sobre Eles a Vossa Luz Eterna Ámen!

Pouco depois vi passar João Franco com o Aires de Ornelas (Ministro da Marinha) e talvez (disso não me lembro ao certo) com o Vasconcelos Porto, Ministro da Guerra, dirigindo-se para a Sala da Balança para telefonarem que se tomassem todas as previdências necessárias. São isto cenas, que viva eu cem anos, ficarão gravadas no meu coração. Agora já era noite o que ainda tornava tudo mais horroroso e sinistro: estava já então muita gente no Arsenal, e principiou-se a pensar no regresso para o Paço das Necessidades. No presente momento em que estou escrevendo estas linhas estou repassando com horror, tudo no meu pensamento! Entrámos então para o landau fechado, a minha Avó, minha Mãe e o Conde de Sabugosa e eu. Saímos do Arsenal pelo portão que deita para o Cais do Sodré onde estava um esquadrão da Guarda Municipal comandado pelo Tenente Paul: Na almofada ia o Coronel Alfredo de Albuquerque: à saída entregaram ao Conde de Sabugosa um revólver; minha Avó também queria um.
Viemos então a toda brida para o Paço das Necessidades. À entrada esperavam-nos a Duquesa de Palmela, Marquesa do Faial, Condessa de Sabugosa, Dr. Th. de Mello Breyner, Conde de Tattenbach, Ministro da Alemanha e a Condessa, e muitos criados da casa. Foi uma cena horrorosa! Todos choravam aflitivamente. Subimos muito vagarosamente a escada no meio dos prantos e choros de todos os presentes. Acompanhei a minha pobre e adorada Mãe até ao seu quarto e deixei a minha pobre Avó na sala.»

– Transcrição de Extractos das «Notas Absolutamente Íntimas» d’El-Rei Dom Manuel II de Portugal, 21 de Maio de 1908

Mataram o Rei de 44 anos, mataram o Príncipe Real de 20! O Rei morreu… duas vezes!!!

O Rei morreu! Viv’ó Rei!

Pelos mais altos decretos do destino e execráveis actos dos homens que colocaram, nesse infernal dia 1 de Fevereiro de 1908, extemporaneamente, fim às existências d’ El-Rei o Senhor Dom Carlos I e do Príncipe Real Dom Luís Filipe, Dom Manuel II era o novo Rei de Portugal.

A Sua Majestade El-Rei Dom Manuel II, obrigava-o o dever do trono e destino dos Reis: reinar sobre a morte de quem Lhe deu vida!

Recolha texto e conclusão: Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica