
A ORIGEM DAS CORES CLUBISTAS
Tudo começou na Antiga Roma, ainda no tempo dos Reis, no séc. VI a.c., com as corridas de aurigas no Circo Máximo. que era um circo — um estádio utilizado para corridas de bigas — e a maior arena de entretenimento de Roma. Situada no vale entre o Aventino e o Palatino, media 621 metros de comprimento e 118 metros de largura e podia acomodar mais de 150 000 espectadores.
As corridas estavam envoltas numa certa aura mística e a vitória de um aurigarius – assim se chamava o cocheiro – para os vencedores atingia proporções de vitória nacional e, para os derrotados, de catástrofe pública.
Os adeptos dos aurigas distribuíam-se por clubes que correspondiam às quatro facções representadas no Reino, depois na República e ulteriormente no Império, por quatro cores diversas: os Azuis, os Brancos, os Verdes e os Vermelhos.
E o público, sedento de emoção, favorecia uma ou outra, e não o cocheiro em si, o que demonstrava que muito mais do que valores desportivos se jogava na competição. Estas facções puxavam e aplaudiam pela bandeira da sua facção, e persistiam, mesmo quando mudava o cocheiro encarregue de fazer triunfar a sua cor. Acresce que, eram sempre os mesmos fautores, ou seja simpatizantes ou torcedores, que aplaudiam fanaticamente.
A razão para todo este fervor consistia em que cada uma daquelas cores fora adoptada por uma classe social, que a adoptava como símbolo e com ela se identificava. O Povo e os Liberais exultavam pelos Verdes e apoiavam esta facção. Ao contrário, o Senado e alta aristocracia tradicional apadrinhava os Azuis, pois desde os primórdios da civilização romana que o Azul foi sempre identificado como a cor da nobreza e da aristocracia. Os nobres populares eram partidários dos Brancos e os Vermelhos correspondiam à camada mais popular. Assim sob a aparência de uma simples competição desportiva, muitos outros valores estavam em causa!
A bandeira era assim, cumulativamente, a bandeira do Estado e do estrato.
Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica