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Cerimónia de Entronização de S.M.I. Naruhito, Imperador do Japão

🎎 Entronização de S.M.I. Naruhito, O Imperador do Japão

Banzai! Banzai! Banzai!

Sua Majestade Imperial Naruhito foi hoje Entronizado Imperador do Japão. Recorde-se que após 30 anos de reinado consumou-se a 30 de Abril de 2019 a abdicação do imperador Akihito e o até então Príncipe herdeiro Naruhito substitui o pai no Trono do Crisântemo. Essa renúncia foi uma das várias cerimónias que marcam a transferência do domínio imperial para o seu sucessor, um evento que durou uns singelos 10 minutos, e que foi a primeira vez que um monarca do Japão abdicou do trono em mais de dois séculos.
A única abdicação até agora tinha sido a do Imperador Kôkaku (1771-1840), que renunciou em 1817, após quase quarenta anos de reinado, aventando as mesmas razões que Akihito: não poderia mais desempenhar as suas funções, devido à idade avançada. O processo de abdicação foi demorado, pois a actual Constituição Japonesa não previa tal quadro, de modo que o Parlamento aprovou uma lei específica para o caso.
Naruhito, de 59 anos, tornou-se Imperador nessa tarde e assim “o símbolo do estado e da unidade do povo” japonês, mas a Cerimónia da Sua Entronização foi realizada hoje cerimónia tradicional e muito mais simbólica e elaborada com a presença de muitas cabeças coroadas e chefes de Estado de 195 países. Na cerimónia da tarde de 1 de Maio de 2019, o novel Imperador recebeu “os três tesouros sagrados”: uma espada (kusanagui não tsurugi), uma jóia ou colar de jóias de Jade (yasakani não magatama), e um espelho (yata não kagami). Estes objectos representam as três virtudes primárias do Japão: o valor (espada), a sabedoria (espelho), e a benevolência (jóia).
Mitologicamente, a deusa solar Amaterasu se escondeu do seu irmão Usanoo, em uma caverna, removendo assim a luz ao mundo. O deus usou o espelho e jóias para tentar a curiosidade da Amaterasu e fazê-la sair da sua caverna. A mesma ao ver o seu reflexo no espelho assustou-se, deixando-a vulnerável para que pudessem tirá-la da caverna. A espada foi uma oferenda de Usanoo como pedido de desculpas pelo acontecido.

Já a Cerimónia de Entronização (Sokui-Rei) decorreu no Pavilhão Shishinden no Palácio Imperial de Quioto – antiga capital -, e que serve para as grandes cerimónias. Aí dentro encontram-se os 2 Tronos Imperiais o Takamikura (do imperador) e o Michodai (da imperatriz).


O Palácio Imperial de Kyoto (jīng dōu yù suǒ, Kyoto-gosho) é o antigo palácio do Imperador do Japão. Desde então, os imperadores ter no Palácio Imperial de Tóquio após a Restauração Meiji em 1869, e a preservação do Palácio Imperial de Kyoto foi ordenada em 1877. Hoje, os terrenos estão abertos ao público, e a agência da casa imperial recebe o público. Passeios pelos edifícios várias vezes por dia. O Palácio Imperial de Kyoto é o mais recente dos palácios imperial construídos em ou perto do seu local na parte nordeste da antiga capital de Heian-kyō (agora conhecida como Kyoto) após o abandono do Palácio de Heian original (dà nèi lǐ, Dai-dairi) que estava localizado a oeste do actual palácio durante o período Heian. O Palácio perdeu grande parte da sua função na época da Restauração Meiji, quando as funções de capital foram transferidas para Tóquio em 1869. No entanto, o Imperador Taisho e o Showa ainda tiveram suas cerimónias de entronização no palácio.
Durante a cerimónia desta manhã de terça-feira, o Imperador vestiu o Quimono tradicional da corte e caminhou rumo ao trono de Takamikura, no principal hall do Palácio Imperial.
O trono de Takamikura é o trono cerimonial do soberano japonês e é o trono mais antigo usado pela monarquia japonesa. O trono assenta num estrado octogonal levantado cinco metros acima do chão e encontra- se dentro de um dojo, o Daigoku-den com cortinas e uma porta deslizante conhecida como kenjo no shoji que pode esconder o imperador da vista na sala do trono. No telhado, o Daigoku-den apresenta uma Fénix.


Em seguida, o Imperador Naruhito fará um discurso declarando sua ascensão ao trono perante chefes de estado e outros visitantes convidados.


Na tarde desta terça-feira, o Banquete da Entronização será realizado no Palácio Imperial com a participação de Reis, Príncipes, Chefes de Estado e demais dignitários, entre os quais Suas Majestades os Reis de Espanha, Suas Majestades os Reis dos Belgas, S.M. o Rei da Suécia, Sua Alteza Real o Grão-Duque do Luxemburgo, Sua Alteza Real o Príncipe Carlos, Príncipe de Gales, etc.


Um cortejo imperial que fora programado para terça-feira, em seguida à cerimónia de entronização, foi adiado pelo governo para o dia 10 de Novembro, concentrando nos esforços de recuperação das áreas que foram seriamente afectadas pelo Tufão Hagibis.
Diferente de outras monarquias, o Japão não possui coroas. Os objectos mais especiais da cerimónia de entronização são conhecidos como “Três Tesouros Sagrados do Japão”.
A era imperial que começou no dia 1 de Maio no Japão, 30 de Abril no Ocidente, é apelidada de ‘Reiwa’ (lê-se ‘Reina’), uma junção das palavras “ordem” e “harmonia”.
O novel Imperador Naruhito Kōtaishi Denka é o filho varão primogénito do ex-Imperador Akihito e da ex-Imperatriz Michiko, e nasceu em 23 de Fevereiro de 1960, no Palácio Imperial de Tóquio com o título de Príncipe Hero, tornando-se o herdeiro aparente do Trono do Crisântemo com a morte de seu avô, o Imperador Showa (Hirohito), em 7 de Janeiro de 1989.


Naruhito tornou-se o 126.º Soberano do Japão, numa linhagem contínua da Dinastia Yamato – a mais longeva dinastia reinante do mundo -, que remonta até ao Imperador Jimmu, que terá reinado há mais de dois mil e quinhentos anos e morrido aos 126 anos de idade, e até a figuras semi-lendárias, uma vez que os japoneses crêem que os seus Imperadores, que são a mais alta autoridade da fé xintoísta, descendem directamente da divindade mitológica Amaterasu, a deusa do sol.
Sua Majestade Imperial Naruhito é casado com a agora Imperatriz Masako Owada e têm uma filha: Sua Alteza Imperial Princesa Aiko a Princesa Toshi.


Uma vez que, de acordo com a lei sucessória japonesa só o primogénito do sexo masculino pode suceder, prescrevendo a primogenitura agnática ou primogenitura varonil absoluta, as mulheres não podem suceder ao Trono, o novel Imperador terá como herdeiro presuntivo seu irmão mais novo, o Príncipe Akishino, seguido pelo filho deste, o Príncipe Hisahito de Akishino, actualmente com nove anos de idade. A Linha de Sucessão tem ainda mais dois nomes: o Príncipe Hitachi, de oitenta anos, irmão do anterior Imperador, que não tem filhos; e o Príncipe Mikasa, de cem anos, tio-avô de Sua Majestade Imperial, cujos três filhos homens faleceram sem deixar descendência varonil.

Teno Heika Banzai! – Longa Vida ao Imperador!
Banzai! Banzai! Banzai!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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46.ª e Última Eleição Geral da Monarquia (28/08/1910)

Eleição Geral

A ÚLTIMA ELEIÇÃO GERAL NA MONARQUIA

Em altura de eleições legislativas, convém recordar a última Eleição Geral realizada em Monarquia, em 28 de Agosto de 1910, apenas escassos meses antes da revolução republicana.

O Partido Republicano Português, longe de ser um Partido dilatado em militantes e agregador de uma vasta multidão de simpatizantes, era um grémio ou se preferirem um redil com uma pequena caterva de adeptos, ou seja, republicanos sem público!

A essa parca abrangência popular juntava-se a falta de organização e a incompetência do seu directório, ele próprio enredado em lutas intestinas, só que esses membros que nutriam uns pelos outros ódios figadais, mantiveram a união até ao golpe revolucionário que implantou o Estado das Coisas republicano.

Para a 46.ª Eleição Geral, 37.ª eleição da 3.ª vigência da Carta estavam recenseados 695 471 eleitores e votaram 600 000, o que se traduziu numa participação de 86,27%.

A ida às urnas traduziu-se numa vitória dos Governamentais de Teixeira de Sousa (58%), mas sobretudo numa Vitória dos Partidos Monárquicos com 91% contra uns meros 9% do Partido Republicano Português.

Bloco Liberal dos Governamentais:

58% – 90 Deputados governamentais, do chamado bloco liberal. Governo venceu em quase todo o País.

Bloco oposicionista ou Bloco conservador, das oposições monárquicas com 33% – 51 Deputados:

. 15% – 20 Deputados regeneradores apoiantes de Campos Henriques ;

. 13% – 23 Deputados progressistas

.  3% – 5 Deputados Franquistas

.  2% – 3 Deputados Nacionalistas

Republicanos:

. 9% – 14 Deputados (Afonso Costa, Alexandre Braga, Alfredo Magalhães, António José de Almeida, A. Luís Gomes, Cândido dos Reis, João Menezes, Miguel Bombarda, Teófilo Braga e Bernardino Machado por Lisboa)

Apontar o 5 de Outubro de 1910 como o resultado natural de uma emanação popular só pode ser risível ao analisar os resultados das últimas eleições do constitucionalismo monárquico, que se realizaram a 28 de Agosto de 1910, pouco mais de três meses antes da revolução que instaurou a República.

A golpada que derrubou a Monarquia, em 5 de Outubro de 1910, não foi mais do que um coup terrorista que, meia dúzia de positivistas mal-intencionados, apoiados nas bombas dos anarquistas, nos interesses dos pedreiros-livres da Maçonaria e no seu braço armado, a Carbonária, deram em 771 anos de História de um Reino, que apesar de ter tido alguns poucos momentos menos bons, foi grandiosa.

Antero de Quental analisou os republicanos portugueses do século XIX e referiu-se-lhes do seguinte modo: «Mas que republicanos! É um partido de lojistas, capitaneado por bacharéis pífios ou tolos. É quanto basta para se lhe tirar o horóscopo. Duma tal república só há-de sair a anarquia e a fome!».

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica