Monarquia, Cidadania, Democracia


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Rei D. Manuel II Em Viana do Castelo

Enquadrado na Sua 1.ª visita oficial ao Norte do Reino, El-Rei Dom Manuel II chegou, a 17 de Novembro de 1908, a Viana do Castelo, onde permaneceu por dois dias, sendo efusivamente saudado pelo Povo Minhoto!

No dia 17, vindo do Porto o Rei de Portugal chega com a comitiva Real a estação ferroviária de Viana do Castelo. A população de todas as classes sociais do Alto Minho acorre a ver o novo Rei e proporciona-lhe uma recepção apoteótica. As belas minhotas trajadas à Vianense, mordomas e lavradeiras vestidas com os trajes tradicionais de cada freguesia da capital do Alto Minho lançam pétalas de flores ao Rei e progridem com a sua comitiva pelas principais ruas do Centro Histórico de Viana do Castelo. Que espectáculo prodigioso os tradicionais e coloridos Trajes à Vianense de lavradeira, de mordoma, de noiva, de meia senhora ou com traje de festa, segurando na mão, envoltos num lenço de Viana, uma vela votiva ou um palmito e envergando ao peitilho os mais variados artefactos do chamado Ouro de Viana: gramalheiras, fios – alguns de três metros – com e sem pendente, colares de contas, peças, custódias, borboletas, cruzes de raios e de Malta, Corações de Viana em filigrana, brincos à Rainha, escravas, tudo em ouro e num valor que rondaria una largos milhões de reis. Depois visita os Paços do Concelho, os asilos dos velhotes, a Misericórdia e os belos e inúmeros templos.

‘Povo bondosíssimo deste Minho tão belo e calmo que sabe sentir e vibrar de comoção ante dores e alegrias; Sabe recordar com merecido horror o execrando crime que me privou de um Rei que era pai bem-amado e de um Príncipe que era meu queridíssimo irmão, ao mesmo passo afogando em seu coração tão fundas mágoas saúda hoje com entusiasmo e alegria aquele que chamado à sucessão dos seus maiores é hoje Conde e Duque de Barcelos e Rei de Portugal.’

À noite é oferecido ao Monarca um banquete onde estarão presentes os altos dignitários e os representantes das distintas Famílias minhotas. Ao fim da noite o Senhor Dom Manuel II é brindado com um deslumbrante espectáculo de fogo-de-artifício.

Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II de Portugal permaneceria os dias 17 e 18 de Novembro na região, onde receberia mais honras e privaria com o Povo e com alguns amigos da região cujos pais tinham prestado serviço no Paço ou ocupado pastas nos Ministérios no tempo de Seu Augusto Pai o Senhor Rei Dom Carlos I.

No dia 19, El-Rei Dom Manuel II de Portugal regressou ao Porto.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica

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Aniversário Rei D. Manuel II de Portugal

A 15 de Novembro de 1908, durante a viagem Régia pelo Norte do Reino, S.M.F. El-Rei Dom Manuel II regressa ao Porto para festejar o Seu Aniversário, onde o aguardavam a sua Augusta Mãe a Rainha Dona Amélia e o tio Infante Dom Afonso, Duque do Porto. Mas além das reais figuras aguardava-O, também, o bom Povo portuense que enchia o largo fronteiro ao Paço Real do Norte- vulgo Palácio dos Carrancas. Constantemente cheio de gente a gritar ininterruptamente “Viv’ó Rei!”, Dom Manuel II vinha à janela frequentes vezes para acenar à aclamação popular. Nos elementos da Legião Azul e da Mocidade Monárquica, que quando o Rei chegara ao Porto da primeira vez formaram a Sua escolta de Honra, até se vislumbravam lágrimas de emoção.

Rei Dom Manuel II e Rainha Dona Amélia na varanda do Palácio Carrancas no Porto recebendo calorosa saudação do Povo

Nenhuma outra instituição causava mais fascínio que a Real: o Rei era a personificação da História de uma Nação milenar, que pelo engenho e pela conquista traçou as fronteiras na Península e pela imaginação e curiosidade das caravelas dilatou o Império. Felizes os Povos que têm História, e que têm um Rei para encarná-la!

À noite a Associação Comercial do Porto ofereceu um banquete em honra d’El-Rei.

A 15 de Novembro de 1889, no Palácio de Belém, em Lisboa, nasceu o Infante Dom Manuel de Bragança, Duque de Beja e varão secundogénito dos Reis Dom Carlos I e Dona Amélia – D. Carlos subira ao trono um mês antes.

Tal como o irmão mais velho, o Príncipe Real Dom Luís Filipe, foi entregue aos cuidados da ama Maria dos Anjos, e depois da aia Carlota de Campos e da Dama D. Isabel Saldanha da Gama, da Casa da Ponte. Os jovens príncipes tiveram uma infância feliz aos cuidados de uma mãe extremosa, de uma cuidadosa dama de companhia e da carinhosa Calita, a aia. Por vontade da Rainha Dona Amélia os jovens príncipes convivem com outras crianças da sua idade filhos das mais famílias da nobreza do Reino.

Uma cuidada e rigorosa educação, revelou as qualidades inatas dos Príncipes, mas despertou-lhes também a cordialidade, a amabilidade e mesmo a bondade para com os outros, atributos de que haveriam de dar provas muito frequentemente.

Dom Manuel muito cedo revelou a sua erudição e dedicação ao culto das letras, facilmente comprovados pois o Infante de Portugal, aos seis anos já falava e escrevia em francês. ‘Primorosamente educado, nunca fazia sentir aos que d’Ele se acercavam que era o Rei. Prudente, grave, reflexivo. Era dominadora a sua paixão pelos livros. O estudo e as investigações históricas, por vezes o levavam ao esgotamento, com grave prejuízo da sua precária saúde. Comedido, moderado, adorando a paz, a tranquilidade, a aplicação. Trabalhava sempre, sem descanso, quase freneticamente’, retratou, a el-Rei Dom Manuel II, Costa Cabral in ‘Memórias II’.

Para isso estudou línguas, história e música com o professor Rey Colaço, mas sem esquecer que a Família Real tem de servir o Reino e assim o Duque de Beja teve como preceptor de balística, táctica e topografia o tenente-coronel José de Castro. Em 1907, iniciou os seus estudos de preparação para ingresso na Escola Naval, preparando-se para seguir carreira na Marinha.

Após uma estadia de alguns dias em Vila Viçosa, com toda a Família Real, havia regressado mais cedo a Lisboa precisamente para se preparar para os exames da Escola Naval, tendo ido esperar o resto da Família ao Terreiro do Paço e eis que o destino do futuro marinheiro se viu alterado pelo terrível atentado terrorista conhecido como o Regicídio em que o Rei Dom Carlos I, aos 44 anos de idade, e o Príncipe Real Dom Luís Filipe, aos 20 anos, foram tragados à vida pelos facínoras da Carbonária.

Mudou, também, o destino de Dom Manuel II que ascendeu a Rei, mas um Príncipe é educado para a abnegação pessoal às suas funções e devoção exclusiva ao bem do País, pelo que estará sempre pronto a servir a Nação da maneira que for a mais adequada.

O Seu nascer impôs-Lhe bem cumprir o Dever herdado dos Reis da Dinastia de Aviz e de Bragança: ‘Depois de Vós, Nós’! Servir… Sempre Servir é o Duro Ofício e Destino dos Reis – Para Bem de Portugal!

De facto, SM El-Rei Dom Manuel II de Portugal era Senhor de um temperamento calmo e conciliador, sem deixar de evidenciar espírito crítico, pelo que foi um modelo de monarca constitucional, respeitador zeloso da separação de poderes e das liberdades políticas e públicas que proporcionou um período de Acalmação política. Acarinhado pelo Povo, era amiúde alvo de demonstrações que o confirmavam, mas o Seu Reinado não resistiu à sedição dos batalhões infiltrados pela carbonária, às bombas dos anarquistas, aos interesses dos pedreiros-livres da Maçonaria e do seu braço armado, juntamente com a inépcia dos políticos e das chefias militares e com a complacência do olhar convenientemente para o lado de alguns áulicos e políticos monárquicos progressistas, que por acção ou omissão ‘ajudaram’ o coup de 5 de Outubro a implantar o novo regime republicano.

O último Rei de Portugal faleceu no exílio, em Inglaterra.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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D. Manuel II No Desfile Da Vitória

D. Manuel II No Desfile da Vitória dos Aliados
 
‘Pelo nosso Portugal tenho feito, e sempre, tudo o que é humanamente possível. Tenho, ao menos, a consolação do dever cumprido.’, escreveria S.M.F. El-Rei Dom Manuel II de Portugal já no exílio.
 
Mesmo depois de deposto na golpada revolucionária do 5 de Outubro de 1910, Dom Manuel II se colocou sempre ao serviço dos Portugueses ou não fosse a divisa d’El-Rei: «Depois de Vós, Nós».
No Desfile da Vitória dos Aliados, em 1919, em Londres, e que comemorava o fim das hostilidades na 1.ª Guerra Mundial, o Rei britânico Jorge V, que presidia à parada, colocou El-Rei Dom Manuel II de Portugal – exilado em Twickenham, arredores de Londres, Inglaterra- e à Rainha Augusta Vitória, a seu lado na Tribuna Real, o que criou um momento de grande comoção quando desfilou em parada o contingente do Corpo Expedicionário Português. Recorde-se que os dois Monarcas eram primos pelos laços da Casa de Saxe-Coburgo e Gota. No palanque estavam ainda a Rainha consorte britânica Mary – visita habitual das tropas britânicas na linha da frente -, a Rainha-mãe Alexandra e o Príncipe de Gales, David Edward – futuro Eduardo VIII.
Sua Majestade Fidelíssima El- Rei Dom Manuel II – Português acima de tudo – colocou-se sempre ao serviço dos Portugueses: com o início da Iª Guerra Mundial, dita a Grande Guerra, e com Portugal empurrado para o conflito pela república velha, o Monarca exilado, em Inglaterra, colocou-se à disposição dos aliados para servir como melhor pudesse. Primeiramente, apanhou-o a desilusão quando o colocaram como oficial da Cruz Vermelha Britânica, mas o empenho que mostrou no decorrer da guerra, cooperando em conferências e na recolha de fundos, visitando hospitais e mesmo os feridos na frente, foi-Lhe muito gratificante. Todavia, a sua solicitude nem sempre foi reconhecida, e chegou mesmo a referi-lo numa entrevista ao ‘Times’: “A sala de operações do Hospital Português, em Paris, durante a guerra, foi montada por mim. Sabe o que puseram na placa da fundação? ‘De um português de Londres’.”
El-Rei Dom Manuel II estabeleceu, tal-qualmente, o departamento ortopédico do hospital de Sheperds Bush – onde, também, prestaram cuidados como enfermeiras as Rainhas D. Amélia e D. Augusta Vitória -, e que por insistência do último Monarca português e da Sua bolsa continuou a funcionar até 1925, dando assistência aos estropiados de guerra e financiou um hospital para oficiais feridos, em Brighton. Patrocinou ainda a obra do médico Dr. Tovar de Lemos, ‘A Reeducação Profissional dos Nossos Mutilados de Guerra’, e, apoiou financeiramente diversas comissões de beneficência às famílias dos estropiados e mortos na terrível Grande Guerra.
 
Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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09/11/1908 – D. Manuel II Começa No Porto Viagem Ao Norte Do Reino

Viagem Régia Ao Norte do Reino: D. Manuel II no Porto

Enquadrado no périplo régio de 15 dias pelo Norte do Reino, S.M.F. El-Rei Dom Manuel II de Portugal chegou ao Porto dia 09 de Novembro de 1908, onde no meio do Povo é aclamado entusiasticamente pelos Portuenses. Depois, na varanda dos antigos Paços do Concelho o recém Aclamado Rei de Portugal, El-Rei Dom Manuel II, proferiu o seguinte juramento:

‘Portuenses e amigos: Na vossa casa e perante vós, Eu, Rei de Portugal: Juro manter a Monarquia Constitucional; juro concorrer quanto em mim caiba para o desenvolvimento harmónico das liberdades civis e políticas, que sirvam de base ao levantamento moral e material da nossa querida Pátria!’

De acordo com os jornais da época, facilmente comprovado pelos clichés fotográficos, sobressaiu além da Real e simpática figura d’El-Rei o Senhor Dom Manuel II de Portugal, a multidão constituída por todas as classes sociais que acorreu a ver com olhos faiscantes o novo Monarca: uma legião de cabeças, um mar de chapéus a agitar, ao som de palmas e vivas ao Rei a ressoarem na capital do Norte. Um Triunfo, como, também, se pode constatar pela mensagem ida e entregue a El-Rei pela Mocidade Monárquica do Porto:

‘Senhor DOM MANUEL II, a Cidade do Porto, mantendo as suas nunca desmentidas tradições de fidelidade, toda ela, vibrante de entusiasmo, corre a saudar e a prestar a homenagem devida à Augusta pessoa de Vossa Majestade, na primeira visita com que Vós Senhor, Vos dignastes honrá-la. (…) Ora em Vossa Majestade, encarnação sublime da Pátria, depositamos nós todas as lisonjeiras e prometedoras esperanças.
Príncipe educado numa vida de laboriosa actividade intelectual, (…) Príncipe inteligente, bom, leal, amante do seu País e amado do seu povo: – Príncipe assim, há-de ser Rei digno de sua Pátria e fazer a Pátria digna de seu Rei. (…)
Senhor, Pela Pátria e Pelo Rei, será essa a nossa divisa.’

Dom Manuel II esteve 2 dias na Cidade Invicta – voltaria várias vezes durante esta viagem que percorreu todo o Entre-Douro e Minho -, onde se instalou no Paço Real do Porto, o antigo Palácio dos Carrancas, Barões de Nevogilde, adquirido para uso real por D. Pedro V. No dia 11, El-Rei Dom Manuel II seguiria do Porto para Braga.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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D. Luís Filipe – Português, Portuguesíssimo

Sou Português, Portuguesíssimo!’, afirmava o Príncipe Real.

‘O sentimento patriótico tão característico no Príncipe Real [D. Luís Filipe de Bragança], o seu espírito eminentemente culto fizeram-no entrar admiravelmente na realização dessa ideia que o alto senso político d’El-Rei D. Carlos imediatamente aprovara.
Da forte personalidade do Príncipe Real emanava um singular atracção: a amenidade do trato e a seriedade do carácter, a alegre comunicabilidade da sua mocidade eram outros tantos elementos da simpatia que despertava.’

– António Carlos Coelho V.B. Vasconcellos Porto, Ministro da Guerra D’El-Rei D. Carlos I no Ministério de João Franco (1908) in ‘A Marcha Para O Renascimento – El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’

Fotografia: SAR O Senhor Dom Luís Filipe de Bragança, 5.º Príncipe Real de Portugal, 4.º Príncipe da Beira e 22.º Duque de Bragança com o traje à “Jersana”, em 1899

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06 de Novembro de 1656 – Morreu El-Rei D. João IV

06 de Novembro de 1656 – Morreu El-Rei D. João IV

D. João de Bragança nasceu, em Vila Viçosa, a 19 de Março de 1604 e, com a morte do pai, em 29 de Outubro de 1630, torna-se D. João II, 8.° Duque de Bragança – recorde-se que a Sereníssima Casa de Bragança teve a sua fundação em Dom Afonso I, filho natural de Dom João I e de Inês Pires, uma mulher solteira, tendo sido legitimado pelo Rei que lhe concedeu o título de Conde de Neiva e, depois de casado com D. Beatriz Pereira Alvim, recebe do sogro, D Nuno Alvares Pereira, o Condado de Barcelos; mais tarde, já na regência do seu meio-irmão Dom Pedro, D. Afonso recebeu o título de Duque de Bragança, e que por ser uma Casa cujo 1.º Duque era filho de Rei, os Duques têm numeração como os Reis.
Dom João II de Bragança casou com D. Luísa de Gusmão, uma espanhola filha do 8° Duque de Medina-Sidónia, a 12 de Janeiro de 1633.
Em 1639, Dom João II de Bragança, o 8.º Duque de Bragança, recém-nomeado Governador de Armas do Reino, instalou-se em Almada onde começou a receber a visita da nobreza e fidalguia, entre os quais D. Francisco de Mello e D. Antão de Almada e em breve as tertúlias ganham aspecto de algo mais profundo e sério, aflorando-se-lhes ideias da restauração da independência.
Recorde-se que extinta a Casa de Avis, o trono de Portugal passou para Filipe II de Espanha, I de Portugal, e que originou a 3.ª Dinastia, a Filipina ou dos Habsburgos. Filipe I de Portugal era filho de Dona Isabel de Portugal, irmã do Cardeal-Rei e de Dom João III, e portanto neto do Rei Dom Manuel I de Portugal.
Mas entende-se, que, de acordo com a Lei Fundamental da Nação Portuguesa e o Direito Consuetudinário portugueses que Filipe, sendo um Príncipe estrangeiro, não tinha direito ao trono português, tanto mais que havia, segundo estas leis do País um candidato natural e legítimo: Dona Catarina, Duquesa de Bragança, e tal como Filipe I, neta d’ El-Rei Dom Manuel I, e que, segundo as Leis Portuguesas, as mulheres tinham direitos de sucessão desde que não casassem com estrangeiros. Ora, Dona Catarina de Bragança contraiu matrimónio com D. João I de Bragança e o seu primogénito D. Teodósio II, foi o 7.º Duque de Bragança, que por sua vez foi o pai de Dom João II de Bragança – que viria a ser o Rei Restaurador Dom João IV de Portugal.
Então, secretamente, começou a congregar-se, quando a noite já ia alta, um grupo de 40 e tal Nobres, que viriam a ser denominados de Conjurados. Nas suas reuniões, no Palácio dos Almadas, propriedade do então titular, Dom Antão de Almada, 7.º Conde de Avranches, o grupo patriótico português nascido clandestinamente, começou a analisar e engendrar a melhor forma de revolta contra o domínio castelhano. Principiaram então a tecer uma revolta que tivesse garantias de êxito, e que pretendia repor a legalidade no Trono de Portugal o que se verificaria com a assumpção dos direitos dinásticos de D. João II de Bragança. A justificação destes direitos era facilmente demonstrável: pelo benefício da representação, era em D. João II de Bragança – trineto de Dom Manuel I de Portugal – que recaíam os direitos dinásticos que haviam sido usurpados à sua avó, a Infanta Dona Catarina, Duquesa de Bragança.
‘A sua vida, sendo necessária, havia de ser a primeira que se desse pela liberdade da Pátria’, disse.
A 1 de Dezembro de 1640, às 9h15m certas, os 40 Conjurados invadiram o Paço da Ribeira! Às 9h30m do 1.º de Dezembro de 1640 estava consumada a Restauração da Independência do Reino de Portugal, que pôs fim à dominação castelhana de seis décadas: ‘Liberdade! Liberdade! Viva El-Rei Dom João IV! O Duque de Bragança é o nosso legítimo Rei!’
Depois dos Filipes que, durante 60 anos, (des)governaram Portugal, D. João IV foi Aclamado Rei a 15 de Dezembro de 1640.
Assim, no Reino de Portugal, nunca a Soberania foi coisa própria e cativa dos Reis, mas os Monarcas Portugueses exerciam a Soberania por delegação da Comunidade por intermédio de um pactum subjectionis em que o mandato real era limitado, uma vez que o poder vinha directamente de Deus para o Povo tendo estes súbditos o poder in habitu e os Reis apenas o poder in actu.
Atente-se no que escreveu Velasco de Gouveia in ‘Justa Aclamação’:
‘Que o poder Régio dos Reis está nos Povos e Respublicas, e delas o receberão imediatamente.
Que o poder político civil, está nos próprios Povos e Respublicas, e que os Reis o não receberão imediatamente de Deus, senão deles onde principalmente consistia e estava.
A instituição dos Reis, e a translação do poder régio neles se fez entre os homens per modo de pacto; transferindo-se neles o poder com pacto, e condição de os governarem e administrarem com justiça, e tratarem da defesa, e conservação e aumento dos próprios Reinos.
Que ainda que os povos transferissem o poder nos Reis, lhes ficou habitualmente, e o podem reassumir quando lhes for necessário para sua conservação.’
No Assento das Cortes de 1641 ficou expresso:
‘Apenas a Comunidade de portugueses reunida na instituição das Cortes pode conferir legitimidade suprema ao poder do Rei, por isso o juramento do rei será legitimado pelo juramento de Fidelidade dos três Estados: Clero, Nobreza e Povos; o Juramento dos Povos terá de ser confirmado pelos legítimos representantes do estado dos Povos, os procuradores dos Concelhos em Cortes. O Rei identifica a vontade expressa de todo um reino.’
Em 1646 coroou Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa como Rainha de Portugal – não mais os Reis de Portugal cingiram a Coroa na cabeça.
Dom João IV foi um Rei muito empenhado na conservação e consolidação da Independência de Portugal, pondo cobro a uma conspiração do ‘partido’ pró-Espanha e batendo-se pessoalmente durante a Guerra da Restauração que se seguiu com Filipe IV. Recuperou, ainda, o Brasil donde expulsou os usurpadores holandeses. Desenvolveu intensa actividade legislativa, e cumprindo estritamente as funções para as quais foi Aclamado Rei, reuniu Cortes cinco vezes.
Além de Monarca-restaurador, impõe-se referir que foi tal-qualmente um artista e um letrado, um amador da Música, compondo o hino Adeste Fideles, que esteve à altura dos melhores do seu tempo.
Em testamento, datado de 2 de Novembro de 1656, confiou a regência à mulher, Luísa de Gusmão.
El-Rei faleceu, em 6 de Novembro de 1656, no Paço da Ribeira, em Lisboa, devido ao «mal da gota e da pedra», doença que se manifestara a partir de 1648. Jaz no Panteão Real da Dinastia de Bragança, no mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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O Rei Como Pilar Moral

Escreveu S.M.F. El-Rei Dom Pedro V de Portugal: “As nossas desagradáveis questões políticas têm feito esquecer a natureza verdadeira das cousas, e para os seus fins tem confundido tudo.”; e ‘Se os governos quiserem hoje ser úteis à sociedade, se eles não quiserem adiantar a época do terrível cataclismo que espera um estado de coisas factício em que o dolo e imoralidade e o ludíbrio do Povo ocupa uma parte tão considerável, eles terão que olhar mais pelo Povo que padecia em silêncio sem se queixar porque já nem mesmo se sabe queixar.’; e também: “Sabemos que os Reis são homens como os outros, que eles têm desejos, paixões e defeitos; que eles têm os meios naturais de satisfazer a esses desejos, de ceder ao império dessas paixões, e de seguir a via errónea dos seus defeitos; mas devemos também lembrar-nos que existe para eles uma lei moral muito mais severa do que para os outros, porque quanto mais elevada é a posição tanto maior é a influência do exemplo.”

Subscrevemos sem moderação as palavras d’El-Rei, pois, de facto, a função Real é um Ofício que o Monarca deve desempenhar com sentido de missão, pois constantemente sobre o escrutínio público o Rei procura desempenhar o melhor possível o seu serviço dirigido no sentido do aperfeiçoamento constante.

Só um Rei terá uma superior consciência dos problemas nacionais, pois a educação de um Príncipe é orientada da forma que se entende ser a mais adequada ao melhor desempenho do seu futuro mester de Rei, de forma a reinar da forma mais útil e favorável para o País. Reinar é uma especialização na defesa dos interesses da Nação que nunca podem ser alvo de desdém e indiferença.

A mais-valia do Monarca consiste num misto de preparação, probidade e neutralidade, que evita que o Rei caia no aperto da impreparação – maduro a tomar decisões nunca saltará etapas que possam perigar o estado da Nação -, nunca tropeçará no embaraço da falta de ética, na enrascada do comprometimento, pois mantém uma posição de neutralidade em relação a questões políticas, imune a lobbies, sem compromissos unilaterais que feririam a dignidade do poder moderador que se Lhe exige, enquanto Chefe de Estado, e de titular do poder executivo, que delega no Ministério do Reino, governando não as pastas, mas o Presidente do Ministério ou PM.

A política, pela sua própria essência, campo de pelejas intermináveis, sobrecarregada de invejas, tem esse destino singular de ser ferida e acicatada, por questões, interesses e lobbies partidários, económicos e financeiros ou mesmo desta ou daquela classe social. Por isso não poucas vezes o bem comum não está suficientemente acautelado.

Assim a função de reinar elimina os comprometimentos e as frívolas promessas de campanha e torna a chefia do Estado merecedora de confiança, porque independente de calendários e questiúnculas eleitorais.

Ora, com a figura do Rei que exprime a virtude da dedicação ao bem comum e tem uma superior consciência dos assuntos nacionais, representando da forma mais ética possível a Nação, a Comunidade confia no Rei e revê-se nele, e quererá seguir-lhe o exemplo o que vai fazer repercutir nas instituições democráticas essa ordem.

No nosso ainda novo século, como em nenhum outro antes, testemunha-se nas repúblicas o maior desprezo pela política e pelas instituições, supostamente, democráticas, muito pelo que acontece nos gabinetes do actual sistema, em que políticos manhosos, empanturrados de afetação, sobranceria e questiúnculas de ética duvidosa, exercitam a poder com dominação achando-se depositários da jurisdição totalitária de abater a vontade do Povo e os princípios morais que devem reger o exercício de funções públicas.

Muitas vezes num ambiente de óbvias tensões, de uma enorme cadeia de causas e feitos, de inúmeros interesses individuais, é esse fim último de Bem Comum que só uma figura totalmente livre e independente pode ter o discernimento para perceber. Essa liberdade, absolutamente necessária, só um Rei possui: “Nosso Rei é livre!”. O Rei, também, protege e ama o Povo e a Nação e todas as suas coisas; aos primeiros ama como um Pai e as suas coisas guarda como se fossem Suas. Lembremo-nos da célebre tirada d’ El-Rei Dom João II: ‘Quero que se entenda que a Bandeira Portuguesa defende e protege até um papagaio!’

Servir! – Sempre servir… o Povo, a Nação, até à morte e até depois dela… pelo exemplo!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica