Monarquia, Cidadania, Democracia


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D. Afonso Henriques Arma-se Cavaleiro

Dom Afonso Henriques Cavaleiro

Em 1125, com apenas 14 anos de idade, num acto de importante relevância política, o efebo Dom Afonso Henriques, conforme o uso e costume dos Reis, arma-se a si próprio Cavaleiro na Catedral de Zamora, cidade onde se auto-refugiara. O Infante Portucalense torna-se assim guerreiro e cavaleiro independente, pois quando o Conde D. Henrique faleceu, em 1112, e o governo do condado foi assumido por Dona Teresa, uma vez que, Afonso Henriques, o filho de ambos tinha apenas três anos de idade.

A favor de Dona Teresa colocam-se o Bispo de Santiago de Compostela e os nobres galegos, mas D. Urraca, Rainha de Leão e Castela, vence a irmã, em 1119, e assume o domínio do Condado cujo governo volta, pouco depois, a entregar a Dona Teresa mediante vassalagem.

Dona Teresa pouco fica, entretanto, a dever, a esses compromissos tão feudais e, em 1121, auto-intitula-se Rainha, mas os conflitos com o Clero e a sua relação com o fidalgo galego Fernão Peres, a quem entregara o governo dos distritos do Porto e Coimbra, originou a insurreição dos Portucalenses e do próprio filho o Infante D. Afonso Henriques, invariavelmente afastados, por forasteiros, da gestão dos negócios públicos.

Assim, o Infante Dom Afonso Henriques considerando-se usurpado dos seus legítimos direitos prepara a senda aventureira que o haveria de levar à Ideia e depois à Fundação da Nacionalidade e de Portugal e a recortar pela espada esta tão brava Nação.

O primeiro Acto da Sua Gesta pode-se considerar o episódio em que se Arma a Si próprio Cavaleiro. Atentemos ao relato dessa estória que fez o tão patriota Frei António Brandão in ‘Crónica de D. Afonso Henriques’:

‘Célebre e glorioso se pode reputar, entre nossa gente o ano do Senhor de 1125, pois nele tomou a Ordem de Cavalaria o infante D. Afonso, filho da rainha D. Teresa, com cujas armas se ilustrou o nome português.

E porque o facto foi mui notável e o são também as palavras com que se lhe refere a História dos Godos, será bem trasladá-la neste lugar, para satisfação dos curiosos leitores, e são as que se seguem:

«Na era de 1163 [1125, pois só a partir de 1422 é que os documentos portugueses passam a usar a era de Cristo, logo têm que se diminuir 38 anos] o ínclito infante D. Afonso, filho do Conde D. Henrique, tendo 14 anos de idade, se armou cavaleiro na igreja da catedral da cidade de Samora. Ele mesmo, com suas próprias mãos, tomou as insígnias militares do altar do Salvador, a uso dos reis, e se vestiu a loriga, e como gigante (que era grande de corpo) se mostrou semelhante em suas façanhas ao leão, e ao filho do leão, quando anda feroz na montaria. Foi de gentil presença, amável por sua formosura, de engenho claro, de corpo bem composto e agradável, de ânimo intrépido. Com razão podemos chamar a este rei D. Afonso, o Viriato cristão, ou o primeiro Hércules Lusitano, respeitando os imensos trabalhos que passou na dilatação da Fé, e as obras de valor estranho que executou.»’

Seguiram-se os restantes Actos que culminariam com o Nascimento de Portugal em 5 de Outubro de 1143: no dia 24 de Junho de 1128, à dianteira dos barões e fidalgos portucalenses, Dom Afonso Henriques defrontou no campo de São Mamede, perto de Guimarães as forças galegas comandadas por Dona Teresa e pelo seu valete Fernão Peres de Trava, derrotando-os naquela que ficou conhecida pela Batalha de São Mamede e que marcou a Fundação da Nacionalidade Portuguesa, uma vez que o Infante Dom Afonso Henriques avoca a si, o governo do Condado Portucalense com pretensões de independência.

Não é ainda após esta Batalha que se auto-intitula Rei, Rex Portucalensis, pois com duas frentes de Batalha – uma contra Leão e Castela, outra contra os sarracenos –, tal só se viria a acontecer após a Batalha de Ourique, em 1139, quando arrasou os mouros e consegue uma importante vitória que o engrandece sobremaneira e assim declara a Independência face a Castela-Leão. Nascia, assim, em 1139, o Reino de Portugal e a sua 1.ª Dinastia, com El-Rei Dom Afonso I Henriques de Borgonha.

Em 1143, quando assina a paz em Zamora, onde é reconhecido como Rei. Afonso Henriques usava já o título havia três anos, desde o torneio de Arcos de Valdevez, em 1140, após o episódio de Ourique. Mas desaparece, assim, e só aí, a designação histórica de Condado Portucalense e nasce o Reino de Portugal.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica

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28 de Setembro – Aniversários Reis D. Carlos I e D. Amélia de Portugal

Aniversários Reais

A 28 de Setembro de 1863, nascia Dom Carlos I de Portugal, no Palácio da Ajuda, em Lisboa. De Seu nome completo Carlos Fernando Luís Maria Vítor Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis José Simão de Bragança Sabóia Bourbon Saxe-Coburgo-Gotha, foi o penúltimo Rei de Portugal, mas como filho primogénito varão do Rei Dom Luís I e da Rainha Dona Maria Pia, e na qualidade de Príncipe herdeiro da coroa de Portugal, recebeu desde cedo os títulos oficiais de Príncipe Real de Portugal (o 4.º) e Duque de Bragança (19.º), possuindo o usufruto dos rendimentos dessa grande e Sereníssima Casa, último morgadio que no seu tempo era ainda, legalmente, permitido em Portugal. O Ducado de Bragança é o único título real hereditário, atribuído sempre ao herdeiro presuntivo da coroa que, ao subir ao trono, por sua vez o passa para o seu próprio herdeiro.

Dom Carlos recebeu desde muito cedo uma esmerada educação, aquela reservada aos herdeiros presuntivos. Os melhores preceptores instruíram Dom Carlos nas mais variadas ciências e artes, e, também, ministraram-lhe diversas línguas estrangeiras. Ainda jovem viajou pelas diferentes cortes europeias.

Exímio pintor, oceanógrafo, atirador, etc., recebeu inúmeros prémios internacionais pela sua pintura e ficaram para a posteridade os seus estudos oceanográficos e ornitológicos.

‘Com uma instrução geral que o não deixava encontrar hóspede em qualquer assunto de conversação; conhecedor e possuidor de línguas, especialmente do francês e do inglês, por forma que delas se servia como de sua própria; dado ao gosto e cultura das Belas-Artes, em uma das quais, a Pintura, foi distintíssimo; habituado nos sports e, como atirador, excepcionalmente forte – reunia a tudo isso ser o homem mais bem-criado do seu País, dotado de um humor sempre igual, sem descair nunca na vulgaridade, nem deixar perceber de si, em qualquer circunstância, sinal de contrariedade, despeito ou irritação.’, escreveu João Franco Castello-Branco, in Cartas D’El-Rei Dom Carlos I a João Franco Castello-Branco, Seu Último Presidente do Conselho.

Em 28 de Setembro de 1865, durante o exílio da família real francesa, em Inglaterra, nascia, em Twickenhem, Dona Maria Amélia Luísa Helena de Bourbon-Orleães, princesa de França. Dona Amélia era a filha primogénita do pretendente ao trono francês Luís Filipe, Conde de Paris, neto do último Rei de França, Luís Filipe I, e de Maria Isabel de Bourbon-Orleães-Montpensier, infanta de Espanha, filha do Príncipe Antoine D’ Orleães, Duque de Montpensier e Infante de Espanha, por sua vez filho do último Rei de França.

A princesa Dona Amélia passou parte da infância em Inglaterra, até à queda do II.º Império. Então, a Casa Real de Orleães pode regressar ao país, e, embora o seu pai apenas fosse pretendente à Coroa, a princesa teve então uma esmerada educação.

Dona Amélia era uma jovem encantadora e culta, admiradora de ópera e teatro, era leitora compulsiva da melhor literatura da época, chegando a corresponder-se com os seus autores favoritos. Além disso possuía, tal-qualmente, dotes para a pintura que ultrapassavam o elementar.

Tudo parecia predestinado para que o casamento da jovem Princesa francesa ocorre-se com o herdeiro de uma coroa norte-europeia, mas uma feliz coincidência impeliu os acontecimentos. De férias em Paris, o Príncipe Real Dom Carlos de Portugal, Duque de Bragança, que procurava esposa, num encontro organizado pela Infanta de Portugal Dona Maria Antónia foi apresentado a Dona Amélia de Orleães e a seus pais. A Princesa de França Dona Amélia era a filha primogénita do pretendente ao trono francês Luís Filipe, Conde de Paris, neto do último Rei de França, Luís Filipe I, e de Maria Isabel de Bourbon-Orleães-Montpensier, infanta de Espanha, filha do Príncipe Antoine D’ Orleães, Duque de Montpensier e Infante de Espanha, por sua vez filho do último Rei de França. O encanto foi mútuo e o pedido oficial foi realizado por Dom Carlos ao Conde de Paris, a 6 de Fevereiro de 1886, sendo lavrado registo matrimonial nesse mesmo dia no Castelo d’ Eu.

A 17 de Maio de 1886, a princesa Dona Amélia, futura Duquesa de Bragança partiu de França e chegou à Pampilhosa no dia seguinte. Em 19 de Maio, pelas 17 horas, a Princesa foi apresentada à Corte em Lisboa.

O casamento real entre Dom Carlos de Bragança, Príncipe Real, Príncipe hereditário de Portugal e Duque de Bragança com Dona Maria Amélia Luísa Helena de Bourbon-Orleães, princesa de França, foi celebrado no dia 22 de Maio de 1886, na Igreja de São Domingos, e foi acompanhado pela multidão que saiu às ruas de Lisboa para acompanhar o cortejo nupcial.

Depois do casamento, e terminada a lua-de-mel, os Duques de Bragança mudaram-se para a sua nova residência, o Palácio de Belém.

O casamento foi abençoado pelo nascimento do Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança, o primogénito do presuntivo herdeiro do trono de Portugal, e como tal Príncipe da Beira (4.º).

A 19 de Outubro de 1889 falece El-Rei Dom Luís I, e Dom Carlos é entronizado e aclamado novo Rei de Portugal, passando o muito jovem Príncipe da Beira, como presuntivo herdeiro, a ter o título de Sua Alteza Real, o Príncipe Real Dom Luís Filipe, Duque de Bragança.

Depois, em 15 de Novembro de 1889, nasceu o Príncipe Dom Manuel de Bragança, Duque de Beja.

‘Foi uma coroa de espinhos a que o moço rei teve para colocar sobre a cabeça, e nem o brio da juventude lhe permitiu um instante o gozo da vaidade, a que se chama fortuna. (…) E antes, depois e sempre, em todo o decurso deste já longo terramoto, cujo fim não vimos ainda, o moço rei, sozinho, desajudado de homens prestigiosos que lhe amparassem o trono, com partidos desconjunturados que na hora do perigo se demitem, confessando meritoriamente a sua impotência, ouvia estalar os tiros sediciosos do Porto e crescer a vozearia, confundindo os erros da sociedade com a responsabilidade da Coroa, esperando a salvação da queda da monarquia.’, escreveu Oliveira Martins sobre o Reinado de D. Carlos I.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


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Faz Anos A 1.ª Constituição Portuguesa De 1822

Constituição 1822

Art. 12.º – Todos os portugueses podem ser admitidos aos cargos públicos, sem outra distinção que não seja a dos seus talentos e das suas virtudes.

Em 23 de Setembro de 1822, há precisamente 193 anos, era promulgada a primeira Constituição Portuguesa. Em plena Monarquia, os direitos dos Cidadãos, porque se lhes dava enorme relevância, foram elencados logo nos primeiros 19 artigos. Ao ler alguns desses artigos não podemos deixar de reflectir e tirar conclusões entre o que se pretendia num sistema de governo de Monarquia Constitucional, e portanto, democrático, e ao que o actual regime republicano conduziu o País e os seus Cidadãos!

DIREITOS DO CIDADÃO NA CONSTITUIÇÃO DE 1822:

Art. 1.º – A Constituição política da nação portuguesa tem por objectivo manter a liberdade, segurança e propriedade de todos os portugueses.

Art. 2.º – A liberdade consiste em não serem obrigados a fazer o que a lei não manda, nem a deixar de fazer o que a lei não proíbe. A conservação desta liberdade depende da exacta observância das leis.

Art. 3.º – A segurança pessoal consiste na protecção que o Governo deve dar a todos para poderem conservar os seus direitos pessoais.

Art. 4.º – Ninguém deve ser preso sem culpa formada, salvo nos casos e pela maneira decalarada no artigo 203.º e seguintes (…).

Art. 5.º – A casa de todo o português é para ele um asilo. Nenhum oficial público poderá entrara nela sem ordem escrita da competente autoridade, salvo nos casos e pelo modo que a lei determinar.

Art. 6.º – A propriedade é um direito sagrado e inviolável que tem qualquer português de dispor à sua vontade de todos os seus bens, segundo as leis. Quando por alguma razão de necessidade pública e urgente for preciso que ele seja privado deste direito, será primeiramente indemnizado na forma que as leis estabelecerem.

Art. 7.º – A livre comunicação dos pensamentos é um dos mais preciosos direitos do homem. Todo o português pode conseguintemente, sem dependência de censura prévia, manifestar as suas opiniões em qualquer matéria, contanto que haja de responder pelo abuso dessa liberdade nos casos e pela forma que a lei determinar.

Art. 8.º – As Cortes nomearão um tribunal especial para proteger a liberdade de imprensa e coibir os delitos resultantes do seu abuso, conforme a disposição dos artigos 177.º e 189.º (…).

Art. 9.º – A lei é igual para todos. Não se devem portanto tolerar privilégios do foro nas causas cíveis ou crimes, nem comissões especiais. (…)

Art. 10.º – Nenhuma lei, e muito menos a penal, será estabelecida sem absoluta necessidade.

Art. 11.º – Toda a pena deve ser proporcionada ao delito; e nenhuma passará da pessoa do delinquente. Fica abolida a tortura, a confiscação de bens, a infâmia, os açoites, o baraço e o pregão, a marca de ferro quente, e todas as mais penas cruéis e infamantes.

Art. 12.º – Todos os portugueses podem ser admitidos aos cargos públicos, sem outra distinção que não seja a dos seus talentos e das suas virtudes. (…)

[…]

Art. 15.º – Todo o português tem direito a ser remunerado por serviços importantes feitos à pátria, nos casos e pela forma que as leis determinarem.

Art. 16.º – Todo o português poderá apresentar por escrito às Cortes e ao poder executivo reclamações, queixas ou petições, que deverão ser examinadas.

Art. 17.º – Todo o português tem igualmente o direito de expor qualquer infracção da Constituição e de requerer perante a competente autoridade a efectiva responsabilidade do infractor.

Art. 18.º – O segredo de cartas é inviolável. A administração do correio fica rigorosamente responsável por qualquer infracção a este artigo.

Recolha de Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


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Uma Visão Sobre O Regicídio

Rei e Príncipe Real

‘Porque foi, por exemplo, morto D. Carlos? (…) E no entanto já hoje se pode afirmar sem erro que D. Carlos não foi morto pelos seus defeitos, mas pelas suas qualidades. Respirou-se! Respirou-se! – o que não impede que, a cada ano que passa, esta figura cresça, a ponto de me parecer um dos maiores reis da sua dinastia. Já redobra de proporções e não se tira do horizonte da nossa consciência. (…) Não foram os seus defeitos que o mataram, foram as suas qualidades. Só o assassinaram quando ele tomou a sério o seu papel de reinar, e quando, João Franco, quis realizar dentro da monarquia o sonho de Portugal Maior. Foi esse o momento em que, talvez pela primeira vez na história, os monárquicos aplaudiram um crime que os deixava sem chefe, e se abriram de para em par as portas das prisões, congraçando-se todos os políticos sobre os corpos ainda mornos dos dois desventurados.’

– Raul Brandão, in “Memórias”, 1.º Volume, Renascença Portuguesa, Porto, 1919, p. 289


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Há 150 Anos D. Luís Inaugurou O Palácio De Cristal

D. Luis I inaugura Palácio de Cristal

Com Dom Luís I, Portugal ganha a estabilidade política e social necessária para o progresso material.

Assim, há precisamente 150 anos, em 18 de Setembro de 1865, S.M.F. El-Rei Dom Luís I de Portugal inaugurava a 1.ª Expo realizada em Portugal, a Exposição Internacional do Porto, inaugurando simultaneamente o lendário Palácio de Crystal Portuense. Situado no campo da Torre da Marca, o Palácio – como é comummente conhecido – foi projectado pelo arquitecto britânico Thomas Dillen Jones, tendo por modelo o Crystal Palace de Londres que em 1854 tinha sido reinstalado em Sydenham Hill.

Como fora planeado para acolher a grande Exposição Internacional do Porto, o Palácio de Crystal Portuense era uma espécie de gloriosa e gigante vitrina, e a sua dimensão era de 150 metros de comprimento por 72 metros de largura estando dividido em três naves. No decorrer dos seus 86 anos, o Palácio recebeu a Exposição Agrícola de 1903 e a Exposição Colonial de 1934 para além de outras centenas de importantes exposições. Mas o Palácio era mais do que um escaparate tendo funcionado de igual modo como um relevante espaço cultural, podendo orgulhar-se de possuir, inclusive, um dos maiores órgãos de tubos do mundo, pelo que foi palco de inúmeros concertos e performances dos mais consagrados músicos enquanto existiu.

Dom Luís I de Portugal foi um Monarca ilustrado e o seu reinado lançou Portugal na senda do progresso e desenvolvimento material, social e cultural que haveria de continuar com a Sua Augusta descendência.

Já em tempos republicanos, o modelo cultural – a exemplo dos restantes – adulterou-se e o Palácio de Crystal Portuense foi demolido em 1951 com a justificação de que se devia construir sob os seus escombros um Pavilhão para albergar o Campeonato Mundial de Hóquei em Patins no Porto; e assim foi erguido no seu lugar uma nave – ovni – de betão armado, a que foi dado o nome de Pavilhão dos Desportos, e, ulteriormente, Pavilhão Rosa Mota. O mamarracho nunca conseguiu fazer vingar o novel nome, e todos continuam a referir-se carinhosamente ao local como O Palácio.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


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D. Carlos I – Rei e Pintor

A Bom Porto

Marinha – Barco À Vela (pastel sobre cartão) Autor: Rei D. Carlos I – assinado ‘Carlos, 1894’

É de todos conhecido, para além de um largo escol de outros dotes, o mérito D’El-Rei Dom Carlos I, como pintor.

O 1.º mestre – se assim se pode chamar – de D. Carlos foi o avô (o Rei-viúvo D. Fernando II de Saxe-Coburgo-Gotha) que vendo o talento do jovem Príncipe instigou o Rei D. Luís I a contratar um Mestre. Assim, seguiu-se Teodoro da Mota, depois Tomás José da Anunciação, António Manuel da Fonseca, Miguel Ângelo Lupi e por fim Enrique Casanova.

Dom Carlos I privou com os melhores artistas da época e naturalmente que trocariam ideias, e foi não só Malhoa, mas, também, Columbano, Silva Porto, Carlos Reis, etc. Enquanto criança Dom Carlos assinava com as iniciais C.F. (Carlos Fernando), como no caso das aguarelas e desenhos a lápis do ‘Álbum dos Yachts’. Já pintor e já Rei, reconhecido naturalista, assinava desinvestido de realeza, simplesmente, como Carlos, e apresentando-se como simples ‘artista’ ganhou diversos concursos nacionais e internacionais, como no ‘Salon de Paris’ que entre milhares dos melhores pintores do Mundo e sem qualquer deferência ganhou a Medalha de Prata ou na Exposição Internacional de St. Louis onde com ’Gado à Bebida – Ribatejo’ alcançou o Ouro!

Nem o costumeiro maldizente Fialho de Almeida conseguiu ficar indiferente ao imenso talento do Monarca Português:

‘No grupo novo, o lugar de honra pertence ao rei D. Carlos, cujos pastéis passam de prenda à categoria de verdadeiro trabalho de arte. O curioso acabou-se, e agora é necessário apontá-lo entre os pouquíssimos que, neste país de costa, verdadeiramente sentem a marinha e entre os raros que, na exposição [Grémio Artístico, 1892], se esforçam por pintar em português.’

Assim, não temos pejo em afirmar que, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Carlos I de Portugal foi um dos melhores aguarelistas da Sua época e o melhor pastelista português da Sua era, pois a pintura a pastel é uma técnica que não admite correcções e as suas telas parecem óleos dos mais renomados pintores mundiais do Seu tempo.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


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Os Reis E Os Banhos De Multidão

Rei D. Manuel II de Portugal recebido com banho de multidão no Porto

Rei D. Manuel II de Portugal recebido com banho de multidão no Porto

 

 

 

 

 

 

 

Síntese da História da Nação, o Rei torna-se um ideal: o Chefe máximo da Nação, ou seja, o Chefe Supremo do Estado e o Primeiro entre os Portugueses.

‘A própria República de Platão é a imagem proverbial de um ideal vazio.’, afirmou Hegel.

De facto, Platão é amigo, mas a verdade é mais amiga. Um presidente não personifica a Nação, pois não tem história; já um Rei não é apenas um Homem, mas um sonho em que se junta realidade e fantasia, é a mística Portucalense que encarnou num depositário de um Portugal quase Milenar e que, caso único no Mundo, descende do primeiro dos Reis, Dom Afonso I Henriques, pois apesar da Monarquia Portuguesa ter conhecido quatro Dinastias, todas elas eram pertencentes à mesma primeva Família. «A História há-de ser luz da verdade e testemunha dos antigos tempos», escreveu Fernão Lopes nas suas “Crónicas”.

Os nossos antigos Reis criaram um Império de espanto, primeiro pela Espada depois com a Epopeia dos Descobrimentos, a descoberta geográfica do Mundo, com que Portugal participou na primeira linha da edificação de um admirável Mundo Novo e assim o Rei de Portugal se tornou, tal-qualmente, Rei do Mundo, por Rei desta Nação ser, que mundos dá ao Mundo quando quer…

O Povo simples e bom sempre soube que para seu Defensor e cautela do bem-estar da coisa comum só poderia contar com a solícita ajuda do Rei, pelo que lhe fez sempre penhor da maior das afeições. Ora o Rei deve então prezar a Gente Portuguesa pagando com justiça esse afecto.

Por isso os Reis de Portugal sempre souberam qual a fórmula certa para reinar rectamente: reinar com o Alto Preceito e a Mão da Justiça, e, sempre, acolher o Povo nas dobras do seu Manto evitando que sofresse nas mãos caprichosas e ambiciosas dos políticos.

Ser Rei é ser o Pai da Nação e por isso no Rei está encarnada a Pátria inteira, Rei de Todos e para Todos, sem as excepções que os sufrágios criam por defeito de sistema que procura eleger para presidente de todos o procurador de uma minoria. Um Rei justo e recto é o Ideal profundo e o alto Sentimento pela História nove vezes secular de Portugal.

Bem sabiam os nossos Reis que, primeiro deviam garantir os súbditos e só depois a Eles mesmos, por isso, El-Rei Dom Manuel II tinha como divisa «Depois de Vós, Nós», premissa de que o Rei serve primeiro os interesses da Nação.

Só o soberano real acautelará com o seu Poder Moderador a separação de poderes e o funcionamento das instituições, assim como será o garante máximo dos direitos e garantias constitucionais e legais do cidadão.

O golpe republicano do 5 de Outubro não foi uma manifestação da vontade popular, até o disse e melhor escreveu o génio de Fernando Pessoa que «a revolução é só da superfície», e que «a maioria do país era monárquica (…)».

Por isso, ainda nas rimas do Príncipe das Letras Portuguesas, assim estamos, olhando para o infinito:

E ao abismo do futuro clama

Por quem enfim

Vier, régia lusitana chama!

Pelo Rei que a Esperança chama…

A função do Monarca é personificar o carácter nacional e nenhum Rei esquece que a Sua função é um Ofício que deve desempenhar com sentido de Missão sempre fiel ao Senhor-Rei que é Portugal e à História de um Povo… por isso é Real e por isso é Mito.

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica