Monarquia, Cidadania, Democracia


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525 Anos do Tratado de Tordesilhas – Portugal Torna-se Dono De Metade Do Mundo

A 7 de Junho de 1494 foi celebrado entre o Reino de Portugal e o recente Reino de Espanha o Tratado de Tordesilhas, para dividir as terras ‘descobertas e por descobrir’ por ambas as Coroas fora do Continente Europeu. O Tratado ocorreu no seguimento da contestação portuguesa às aspirações da Coroa espanhola que reclamara oficialmente o Continente Americano para a Rainha Espanhola Isabel, a Católica, resultantes da viagem empreendida por Colombo, que um ano e meio antes chegara ao Novo Mundo.
O Tratado de Tordesilhas, assim chamado embora fosse assinado na povoação castelhana de Arévalo, foi assinado por El-Rei Dom João II de Portugal e pelo Rei-consorte Espanhol D. Fernando II de Aragão, marido da Rainha Soberana Dona Isabel I de Castela, a Católica e que juntos ficaram para a História como os Reis Católicos.
O tratado definia como linha de demarcação o meridiano 370 léguas a oeste da ilha de Santo Antão no arquipélago de Cabo Verde. Esta linha estava situada a meio caminho entre estas ilhas – já portuguesas – e as ilhas das Caraíbas descobertas por Cristóvão Colombo, no tratado referidas como Cipango e Antilha. Os territórios a leste deste meridiano pertenceriam a Portugal e os territórios a oeste, à Espanha. O tratado foi ratificado pela Espanha a 2 de Julho e por Portugal a 5 de Setembro de 1494. Portugal tornava-se assim uma Nação de Descobridores e Espanha um Reino de Conquistadores.

Mas mais importante que a História do Tratado de Tordesilhas é a lenda, pois este tratado encerra muitos mistérios.
El-Rei Dom João II de Portugal ganhou o cognome de ‘O Príncipe Perfeito’, pois em tudo o que fazia ou deliberava punha um cunho de perfeição, e para o sucesso das suas decisões em termos de política externa e geoestratégia contava sem dúvida as decisões que tomava em função da informação privilegiada que os seus serviços secretos recolhiam e que o tornavam no mais esclarecido dos monarcas europeus da época. Prova disso, e expoente máximo da sua política, é o Tratado de Tordesilhas. É muitas vezes apontada a tese de que a Descoberta do Brasil, apesar de ter ocorrido oficialmente em 1500, por Pedro Álvares Cabral ao serviço d’El-Rei Dom Manuel I de Portugal, já havia sido achado nas misteriosas viagens do capitão Duarte Pacheco Pereira para oeste de Cabo Verde e que um lançado – Lançados eram agentes desembarcados na costa ocidental de África e depois seguiam para o interior recolhendo informação que facilitasse a expansão portuguesa no continente que se começava a explorar, e sobretudo sobre o então lendário Reino de Preste João. Eram homens de uma enorme coragem lançados no desconhecido e que por isso lhes deram o nome indígena de Tangomaos, sendo que tangomao significa: ‘aquele que morre ausente ou desterrado da pátria’ – de nome João Fernandes ‘Lavrador’ terá mesmo feito uma pequeníssima exploração do território. Então, sabendo disso, Dom João II nas negociações do Tratado de Tordesilhas tudo fez para que o acordo fosse gizado daquela forma, incluindo a ainda por descobrir Terra de Vera Cruz.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica

 


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Origem Das Cores Clubísticas

A ORIGEM DAS CORES CLUBISTAS

Tudo começou na Antiga Roma, ainda no tempo dos Reis, no séc. VI a.c., com as corridas de aurigas no Circo Máximo. que era um circo — um estádio utilizado para corridas de bigas — e a maior arena de entretenimento de Roma. Situada no vale entre o Aventino e o Palatino, media 621 metros de comprimento e 118 metros de largura e podia acomodar mais de 150 000 espectadores.
As corridas estavam envoltas numa certa aura mística e a vitória de um aurigarius – assim se chamava o cocheiro – para os vencedores atingia proporções de vitória nacional e, para os derrotados, de catástrofe pública.
Os adeptos dos aurigas distribuíam-se por clubes que correspondiam às quatro facções representadas no Reino, depois na República e ulteriormente no Império, por quatro cores diversas: os Azuis, os Brancos, os Verdes e os Vermelhos.
E o público, sedento de emoção, favorecia uma ou outra, e não o cocheiro em si, o que demonstrava que muito mais do que valores desportivos se jogava na competição. Estas facções puxavam e aplaudiam pela bandeira da sua facção, e persistiam, mesmo quando mudava o cocheiro encarregue de fazer triunfar a sua cor. Acresce que, eram sempre os mesmos fautores, ou seja simpatizantes ou torcedores, que aplaudiam fanaticamente.
A razão para todo este fervor consistia em que cada uma daquelas cores fora adoptada por uma classe social, que a adoptava como símbolo e com ela se identificava. O Povo e os Liberais exultavam pelos Verdes e apoiavam esta facção. Ao contrário, o Senado e alta aristocracia tradicional apadrinhava os Azuis, pois desde os primórdios da civilização romana que o Azul foi sempre identificado como a cor da nobreza e da aristocracia. Os nobres populares eram partidários dos Brancos e os Vermelhos correspondiam à camada mais popular. Assim sob a aparência de uma simples competição desportiva, muitos outros valores estavam em causa!
A bandeira era assim, cumulativamente, a bandeira do Estado e do estrato.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Parabéns, Portugal – 840 Anos do Reconhecimento da Independência Pelo Papa

840 Anos da Bula Manifestis Probatum

Em 23 de Maio de 1179, o Papa Alexandre III, através da Bula Manifestis Probatum, reconhece como ‘Rex Portucalensis’- Rei de Portugal – El-Rei Dom Afonso Henriques, então com 70 anos de idade e 51 de governação (pois Portugal tinha ganho a sua Independência e soberania enquanto Estado no 5 de Outubro de 1143).

D. Afonso Henriques era há muito o maior de todos os Reis na Terra: D. Afonso, O Primeiro de seu nome, Rei dos Primeiros Portugueses, filho do sangue dos Lusitanos, dos Bracos, Alanos, Suevos e Visigodos, filho do Conde D. Henrique e como tal neto de Henrique de Borgonha, trineto de Roberto I de França, sobrinho-bisneto do Abade S. Hugo de Cluny, filho da Infanta D. Teresa de Leão, neto de Reis e Senhores de Leão e Castela, algoz do Sarraceno, Tomador de Praças e Unificador dos 5 Reinos. Afonso I, mais conhecido pelo seu nome de príncipe, Dom Afonso Henriques (de Henrique, em tradução literal do patronímico Henriques), também chamado de Ibn-Arrik (“Filho de Henrique”) e El-Bortukali (“O Português”), apelidado de “o Conquistador”, era já o primeiro Rei de Portugal desde 1139 e assim foi até à sua morte, a 6 de Dezembro de 1185.

Na Bula referida ab inicio, o Papa ao aceitar que Dom Afonso Henriques lhe preste vassalagem directa, reconhece não só, definitivamente, a independência do Reino de Portugal, como o Rei de Portugal fica liberado de prestar vassalagem – que de resto nunca prestou – ao Rei de Leão e Castela, o primo Don Alfonso VII autointitulado Imperador de toda a Espanha, porque nenhum tributário podia ter dois senhores directos.

‘Alexandre III Bispo de Roma e Servo dos Servos de Deus, ao Caríssimo filho em Cristo, Afonso, Ilustre Rei dos Portugueses, e a seus herdeiros, para sempre.
Com claros argumentos está provado que tu, intrépido extirpador dos inimigos do Nome de Cristo e diligente propagador da Fé Cristã, pelo esforço da guerra e por acções de cavalaria, tens prestado multíssimos serviços à tua Mãe, a Sacrossanta Igreja, como bom filho e Príncipe católico, assim deixando aos vindouros nome digno de memória e exemplo a imitar. Deve a Santa Sé amara com sincero afecto os que a Providência Divina escolheu para governo e salvação do Povo, sendo tu Afonso, pessoa ornada de prudência, particularmente dotada de justiça e idónea para reger o Povo. Por isso tomamos a tua pessoa sob a protecção de S. Pedro e nossa e concedemos e confirmamos o teu excelso domínio sobre o Reino de Portugal, com inteiras honras de Reino e com a dignidade que aos reis pertence, bem como todos os lugares que com o auxílio da graça celeste conquistaste das mãos dos sarracenos e nos quais não podem reivindicar direitos os vizinhos príncipes cristãos”.
Alexander Episcopus

Com a bula “Manifestis probatum”, o Papa Alexandre III declarou o Condado Portucalense independente do Reino de Leão, e D. Afonso Henriques, o seu soberano. Na prática, a bula reconheceu a validade do Tratado de Zamora, assinado a 5 de Outubro de 1143 em Zamora, pelo rei de Leão, e por D. Afonso Henriques. Estava, assim, reconhecido Dom Afonso I Henriques como Rei de Portugal, o Seu direito às conquistas e estabelecida a independência do Reino sob a protecção de Roma.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Batalha de Alfarrobeira – 20 de Maio de 1449

Assinala-se hoje o 570.º aniversário da Batalha de Alfarrobeira, ocorrida a 20 de Maio de 1449.
O Infante D. Pedro O Regente, Duque de Coimbra, filho D’El-Rei D. João I e irmão D’El-Rei D. Duarte, assumira a Regência plena do Reino desde 1439, durante a menoridade do moço Rei D. Afonso V. Foi um governante esclarecido, pois era um Infante preclaro, chamado o “Das Sete Partidas”, biógrafo e peregrino de Jerusalém, mas a sua Regedoria foi tudo menos pacífica, pois a necessidade de aumento de tributos para despesas militares face à ameaça externa, e a opção pela expansão marítima ao longo da costa africana, foram muito custosas para o povo, o que lhe granjeou o ódio dos procuradores dos concelhos; e a atribuição dos principais cargos a pessoas da sua confiança como o seu amigo e valoroso D. Álvaro Vaz de Almada, Conde de Abranches (Avranches no original), que nomeou Alcaide-Mor de Lisboa, como forma de manter o centralismo régio, desagradava muito à alta nobreza, como o seu meio-irmão D. Afonso, Conde de Barcelos (futuro Duque de Bragança), com visão tendencialmente senhorial e mesmo feudal. D. Afonso, homem ambicioso, conspirou sempre contra o meio-irmão durante a regência, não obstante ter visto o seu património sempre reforçado pelo Infante, e na breve reconciliação dos dois, em 1442, ser-lhe atribuído o Ducado de Bragança, mas que nunca foi suficiente para afastar o ressentimento do recém Duque de Bragança em relação aos irmãos, pelo facto de ser filho ilegítimo de D. João I com uma mulher solteira, Inês Pires.
Quando D. Afonso V atinge a maioridade, em 1446, convocam-se as Cortes de Lisboa, e começa a governar de pleno direito. O ex-regente D. Pedro fica, então, numa situação precária, cercado por todos lados de inimigos à procura de um ajuste de contas, e conspirando e envenenando o Rei contra si.

‘E tanto, que fizeram entender a El-Rei meu senhor que eu nunca lhe havia de entregar o regimento de seus reinos, que sempre o havia de trazer em meu poder, que fizeram com que o dito senhor me requeresse o dito regimento’, escreveu D. Pedro ao Conde de Arraiolos.

Isso, não impediu que D. Afonso V casasse com D. Isabel de Avis, filha do Infante D. Pedro, mas por Carta Régia de 15 de Setembro de 1448, Dom Afonso V condena declaradamente a política do Ex-regente e ordena inquirições aos beneficiados com a outorga de bens por D. Pedro e desmantela todo o sistema político administrativo do Infante. O Conde de Avranches é um dos partidários do Infante que é destituído, outros são mesmo presos. No sentido inverso o arquirrival do Infante, o 1° Duque de Bragança é nomeado Fronteiro-mor de Entre-Douro-e-Minho, com poderes militares superiores ao Condestável do Reino, o filho do Infante.
Foi um assalto ao poder, o que D. Afonso fez.
Perseguido e acossado, D. Pedro tinha de reagir, embora fazê-lo fosse uma sentença de morte anunciada, pois bater-se com forças desproporcionais às reais, engrossadas pelas do Duque de Bragança, era no mínimo uma acção típica do romanceado Cavaleiro Medieval. Outro exemplo do ideal de cavalaria aristocrático era o Conde de Avranches, ideal esse plasmado no seu discurso a quando da partida para recontro fatal em Alfarrobeira:

‘Antes morrer grande e honrado, que viver pequeno e desonrado, e que para isso vestissem todos, os corpos de suas armas, e os corações armassem principalmente de muita fortaleza, e que se fossem caminho de Santarém não como gente sem regra desesperada nem leal, mas como homens d’acordo, e que iam sob governança e mando, de um tal príncipe e tal Capitão, que a El-Rei seu Senhor sobre todos era mais leal e servidor mais verdadeiro, e que mandasse a El-Rei pedir e requerer, que com justiça o ouvisse com seus amigos, que lhe tão sem causa tanto mal ordenavam, ou lhe desse com eles campo, em que de suas falsidades e enganos, ele por sua limpeza e lealdade faria que se conhecessem e desdissessem. E que quando El-Rei alguma destas cousas nom houvesse por bem, e todavia quisessem. E que quando El-Rei alguma destas cousas nom houvesse por bem, e todavia quisesse vir sobre ele, que então defendendo-se morressem no campo como bons homens e esforçados cavaleiros.’

A 20 de Maio de 1449, junto à ribeira do lugar de Alfarrobeira, em Vialonga, perto de Alverca, extramuros da capital do Reino, as duas forças dispuseram-se frente a frente. Ao ver os seus homens a tombarem vítimas dos virotes dos besteiros reais e às balas dos espingardeiros, D. Pedro ordena o disparo das suas bombardas, sendo que um projéctil cai junto da tenda d’el-rei; isso traçou o destino do Infante e dos seus homens, caindo sobre eles toda a cólera do exército real. D. Pedro cai ferido de morte por uma flecha no coração. D. Álvaro Vaz de Almada varava à espadeirada a horda de vilãos que sobre tão nobre cavaleiro da Jarreteira se lançavam. Parecia que fora ontem quando o mesmo homem, bravo cavaleiro, no meio, também, de vagas de soldados franceses, quando decorria a Guerra dos Cem Anos contra a França, auxiliara o Rei inglês Henrique VI na conquista da Normandia e fizera cair a seus pés Avranches, razão pela qual foi agraciado pelo monarca inglês com o título de Conde de Avranches (Earl of Avranches), a favor de D. Álvaro Vaz de Almada e seus descendentes, por carta de 4 de Agosto de 1445. Entende-se que já antes, em 1415, tinha participado na batalha de Azincourt ao lado dos Plantageneta. Por isso, também, foi dos poucos estrangeiros e o único português que não da realeza a ser agraciado cavaleiro da Ordem da Jarreteira, a mais nobre ordem da Inglaterra, da qual é o 162° Cavaleiro. Foi ainda um dos míticos ‘Doze de Inglaterra’, Alferes-mor do Reino e Capitão-mor do Reino e do Mar.
Pelo pacto de sangue com o seu Senhor, o Infante, e o cavaleirismo de que era o epítome, sabia que estava ali para morrer, cercado dos corpos exangues dos seus homens e dos inimigos que matara, com a espada na mão, caindo aos golpes dos infanções reais que o feriam e suspirando:

– Meu corpo sinto que não podes mais; e tu, minh’alma, já tarda!

Levanta-se e de espada em riste, solta o último grito de guerra e lança-se para a morte que lhe deram os cavaleiros-vilãos de D. Afonso V e D. Afonso (I) de Bragança:

– É fartar vilanagem, rapazes!

Morre o Infante D. Pedro e o primeiro dos Condes de Avranches e último rico-homem de Portugal, e com eles uma certa ideia de justiça maior. O exército real de 30.000 soldados esmagou completamente os 6.000 homens do Infante D. Pedro de Avis, Duque de Coimbra, um dos da Ínclita Geração.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Na Monarquia Condecorava-se O Valor

Em Monarquia condecorava-se o Valor, inclusive dos simples, como José Rodrigues Maio, mais conhecido como Cego do Maio ou Ti’ Maio, que nasceu a 8 de Outubro de 1817 (morreu a13 de Novembro de 1884) e que foi um pescador de sardinha da Póvoa de Varzim do século XIX, que alcançou estatuto de herói como salva-vidas. Graças à coragem como salva-vidas tornou-se a figura mais representativa e emblemática da Póvoa de Varzim onde é idolatrado como herói local.

‘Os pescadores têm um verdadeiro imposto: as grandes ondas que viram as lanchas.’, escreveu Eça de Queiroz. De facto, a vida do Mar é muito dura, e ninguém sabe isso melhor do que os pescadores e as suas famílias, que tantas vidas viram ceifadas e tantos mortos tiveram de chorar.

Entre os poveiros desse século, retintamente monárquico, destacou-se José Rodrigues Maio, o Cego do Maio e que como muitos dos seus patrícios vivia do mar, mas que para além do mester de pescador dedicava-se à corajosa missão de salvar as vidas daqueles cujas embarcações eram engolfadas pelas tempestades e enroladas e viradas pela força das ondas do mar. Os conterrâneos reconheciam-lhe especial clarividência na previsão do mau tempo e das tempestades, e por isso sempre que vinha tormenta, o Ti’ Maio ficava no Mar ou na praia perscrutando o horizonte para o caso de alguém precisar do seu auxílio. Quando havia naufrágio lá ia ele, a maioria das vezes sozinho, mas algumas vezes auxiliado pelos seus dois filhos. Mais de cem vidas foram salvas por este herói!

Sabendo dos seus valorosos feitos, El-Rei Dom Luís I de Portugal decidiu, de acordo com a Carta-Patente, agraciar José Rodrigues Maio com a condecoração da Ordem da Torre e Espada no grau de Cavaleiro.

‘DOM LUÍS, por Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, etc.: Tomando em consideração os relevantíssimos e repetidos actos de coragem e de devoção cívica que José Rodrigues Maio, da Póvoa de Varzim, tem praticado, arriscando a vida no salvamento de muitos indivíduos que teriam perecido se não fossem os esforços e verdadeira abnegação de tão benemérito cidadão; e Querendo, por estes respeitos, dar-lhe um público testemunho da Minha Real Munificência: Hei por bem fazer-lhe mercê de o nomear Cavaleiro da Antiga e muito Nobre Ordem da Torre e Espada do Valor, Lealdade e Mérito’.

A mais alta condecoração portuguesa, o Colar de Cavaleiro da Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito, assim como a medalha de ouro da Real Sociedade Humanitária do Porto, foram impostas em pessoa pelo Rei D. Luís I. Na cerimónia, quando o Rei o condecorou, o herói José Rodrigues Maio, apesar da sua simplicidade à qual não faltava boa educação, viu-se na obrigação de retribuir e presenteou ‘O Popular’ Rei de Portugal com uma mão-cheia de conchinhas raras, afirmando: ‘Tome lá ó Ti’ Rei, uns beijinhos para as suas criancinhas brincarem!’ Consta que El-Rei se comoveu!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Rei D. Manuel II Foi Aclamado A 6 de Maio de 1908

O último Rei de Portugal, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II foi solenemente Aclamado Rei na Assembleia de Cortes em 6 de Maio de 1908, perante os Pares do Reino e os deputados da Nação, jurando cumprir a Carta Constitucional.
Até El-Rei Dom Miguel I o Soberano era Aclamado pelas Cortes Gerais, depois na Monarquia Constitucional, a partir de 1834, as Cortes Gerais passaram a denominar-se Cortes. D. Pedro V foi Aclamado no Paço das Necessidades, D. Luís I foi Aclamado no Paço Real de Belém e D. Carlos já no Palácio de São Bento onde funcionavam as Cortes da Monarquia Constitucional, e que se chamava então Palácio das Cortes.
As Cortes eram constituídas por duas Câmaras: A Câmara Baixa era a Câmara de Deputados e a Câmara Alta era a Câmara de Pares. Os Deputados tinham o tratamento de Senhores Deputados da Nação Portuguesa e os Pares de Dignos Pares do Reino.

No caso particular de Portugal, e sempre tal aconteceu desde o próprio Rei Fundador Dom Afonso Henriques, o Rei é Aclamado e nunca imposto! Ou seja, apesar do Príncipe herdeiro suceder ao Rei falecido existe uma participação popular que ratifica essa sucessão sendo que esse passo é o acto jurídico que verdadeiramente faz o Novo Rei.
Nos 771 anos da Monarquia Portuguesa o Rei sempre reinou por delegação da comunidade portuguesa, que aos primeiros Monarcas ‘alevantava’ mesmo o Rei entronizado, reunida em Cortes que o Aclama e faz Rei.
Com o magnicídio d’ El-Rei o Senhor Dom Carlos I de 44 anos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe de 20 anos, no atentado perpetrado pela Carbonária na conspiração terrorista de 1 de Fevereiro de 1908, Dom Manuel II ascende imediatamente ao trono de Portugal, mas só será aclamado na data acima mencionada.

Pelas 11 horas da manhã o Rei saiu do Paço das Necessidades, antes, no antigo Coche da Coroa, havia saído a Coroa Real – a última mandada fazer por D. João VI -; na Carruagem da Coroa – construída no reinado de D. Carlos – seguia, depois, D. Manuel II, fechando um imenso Cortejo com um piquete de cavalaria, reis de armas, arautos, passavantes, o Corpo de Archeiro Reais, os coches dos Grandes do Reino e do Infante D. Afonso.


Chegados às Cortes, El-Rei desceu da Carruagem envergando o uniforme de Marechal-General do Exército – posto privativo do Rei de Portugal -, com o Manto régio vermelho bordado com quinas e castelos e forrado a arminhos, sobre os ombros. É recebido pelas deputações parlamentares – formados na ala esquerda -, e pelos Pares do Reino – alinhados à direita. O porteiro-mor saúda Dom Manuel II e seguem em procissão, adiante D’El-Rei caminhavam o porteiro-mor, o vedor, o mestre-sala, o Mordomo-mor – que transportava o característico símbolo da sua autoridade, o bordão de marfim com um castão de ébano esculpido com a forma da cabeça de uma mulher africana -, o estribeiro-mor, o alferes-mor e a guarda real. Depois o Ministério e o Conselho de Estado, e D. Afonso que era o Condestável do Reino; atrás do Monarca seguiam o capelão-mor, o camareiro-mor e o ajudante de campo, com os típicos cordões e agulhetas de oficial às ordens do Rei. O Cortejo entra na Câmara dos Deputados e todos tomam os seus lugares. O Rei sobe ao Trono. Começa a cerimónia de Aclamação e Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II jurou, com a mão sobre o missal de Estêvão Gonçalves, perante os Pares do Reino e os deputados da Nação, como Monarca Soberano, a seguinte Fórmula do juramento na Sessão Real da ratificação do juramento e Aclamação de D. Manuel II pela Graça de Deus, Rei de Portugal e dos Algarves, d’Aquém e d’Além-Mar em África, Senhor da Guiné e da Conquista, Navegação e Comércio da Etiópia, Arábia, Pérsia e Índia, etc.:

‘Juro manter a religião Católica Apostólica Romana, a integridade do Reino, observar e fazer observar a constituição política da Nação portuguesa, e mais leis do Reino, e prover ao bem geral da Nação, quanto em mim couber.’

Ou seja, não obstante a ascensão directa ao trono do Príncipe herdeiro, sempre foi condição indispensável a ratificação dessa sucessão pelas Cortes e uma participação popular que validasse essa sucessão, ou seja, um Alçamento ou Aclamação, sendo esses os actos jurídicos que deveras alçavam o Novo Rei.
Da mesma forma o Rei de Portugal não era Coroado, aliás, desde Dom João IV que não havia imposição formal da Coroa, pois coube ao Restaurador a derradeira vez em que a Coroa dos Reis de Portugal foi colocada, pois o Monarca haveria de oferecer a Coroa de Portugal a Nossa Senhora da Conceição de Vila Viçosa, pela protecção concedida durante a Restauração, coroando-a Rainha de Portugal – nas coroações de outros monarcas que haveriam de se seguir, durante a Cerimónia de Aclamação a Coroa Real seria sempre acomodada numa almofada vermelha (cor real) em fronte do novo Rei, guardada por pajens, como símbolo real, e não na cabeça do monarca.


Mas mais símbolos faziam parte da solenidade da Aclamação. Assim depois do Juramento o Rei recebeu o ceptro – símbolo da Justiça Régia – das mãos do camareiro-mor. O Rei de Portugal não tinha Orbe.
O alferes-mor agitou, então, o Pavilhão Real e bradou: ’Real! Real! Real! Pelo Muito Alto e Muito Poderoso e Fidelíssimo Rei de Portugal, Dom Manuel Segundo.’
Seguem-se três Vivas na Câmara. O alferes-mor baixa a cabeça em sinal de respeito, Seguem-se-lhe o Condestável e os restantes.
Depois, El-Rei proferiu a Fala do Trono. Após o Discurso do Trono seguiu-se o do Presidente da Câmara Baixa.
De seguida, Dom Manuel II foi o primeiro Rei português a prescindir do beija-mão, mostrando o ensejo de renovação.
Finalmente, na varanda do Palácio das Cortes o Arauto D’El-Rei bradou: Atenção! Atenção! Atenção!
E a Bandeira Real transportada, recolhida, pelo Alferes-mor, o conde de São Lourenço, foi desfraldada na varanda do Palácio de São Bento e o mesmo Alferes-mor soltou diante do Povo o pregão conhecido como Brado de Aclamação:

’Real! Real! Real! Pelo Muito Alto e Muito Poderoso e Fidelíssimo Rei de Portugal, Dom Manuel II.’

E o Povo aclamou entusiasticamente o novo Rei. Só assim ficava completa a cerimónia, com a aquiescência do Povo de Portugal! Depois, Dom Manuel II seguiu em cortejo pela Cidade ao som de Vivas ao Rei!
Se todo este processo de Aclamação na Monarquia Tradicional e na Constitucional do Monarca Português por todas as forças vivas da Sociedade não era uma Eleição directa do Rei por Todos para Chefe de Estado, então mais nenhum outro sufrágio o pode ser!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica