Monarquia, Cidadania, Democracia


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A Dor do Povo nos Funerais Reais

A exemplo de certa imprensa da época [Fevereiro de 1908], cujos títulos corroboram facilmente a sua agenda tendenciosa [A República; A Paródia; A Luta], ainda hoje os escribas e escoliastas arregimentados deturpam a verdade histórica, a coberto de um suposto fanatismo republicano, afirmando que o Povo não marcou presença nas Cerimónias fúnebres dos assassinados El-Rei o Senhor Dom Carlos I de Portugal e do Príncipe Real Dom Luís Filipe.

Mentiras e calúnias a que cabe administrar antídoto! E se a verdade da força das nossas palavras não for o bastante para afastar a difamação, nada melhor que a precisão real das imagens fotográficas do Cortejo fúnebre e dos funerais reais, onde se pode visionar, num luto cerrado e pesaroso, multidões compactas de Povo a assistir à passagem das carruagens funerárias que transportavam enlutadas os mártires reais, cujas vidas haviam sido ceifadas por uma coligação negativa de terroristas no fatídico dia 1 de Fevereiro de 1908. Em toda a Lisboa, por onde o Cortejo seguiu serpenteando, vislumbravam-se ainda as varandas gualdrapadas de mantas e colchas negras nos prédios das ruas por onde passaram os féretros: Av.24 de Julho, Cais do Sodré, Terreiro do Paço, Terreiro do Trigo, Alfama, Campo de Santa Clara. O Povo distribuíra-se em densas massas pelas diversas artérias e assistia pesaroso, e lamentos alterando com louvores à memória do seu Rei e do seu Príncipe Real, faziam-se ouvir de todos os lados. Triste e enlutado foi o Povo seguindo as urnas com os corpos embalsamados dos martirizados no Regicídio, até desembocar em São Vicente de Fora, Mosteiro e Panteão dos Bragança, onde se iniciariam aos Funerais de Estado.

Defronte à Igreja as urnas foram retiradas dos Coches e passados por um encadeamento de braços de funcionários da Casa Civil do Paço, perante o lamento sofrido dos milhares de cabeças que ali acorreram para se despedir dos seus dilectos Rei e Príncipe.

Colocadas as urnas na Capela-Mor, após as cerimónias fúnebres e a Missa de Requiem e antes de serem colocados no Panteão Real dos Bragança no dia 10, os féretros D’ El-Rei o Senhor Dom Carlos I de Portugal e do Príncipe Real Dom Luís Filipe, ficariam expostos durante dois dias na Igreja de São Vicente para serem homenageados, por centenas de milhares de Portugueses que acorreram ao último adeus.

Paz às Suas Almas!

Portugal começava a sua Via Crucis!

Miguel Villas-Boas| Plataforma de Cidadania Monárquica

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A Última Morada dos Mártires Reais

A Última Morada dos Mártires Reais

A 10 de Fevereiro de 1908, após dois dias em que o Povo se despediu do seu Rei e do seu Príncipe Real, as urnas dos dois Mártires Reais são depositadas no Panteão Real ou Panteão dos Bragança da Igreja de São Vicente de Fora.

Os Mártires haviam sido ceifados à vida pelos execráveis actos dos terroristas da Carbonária sob mando de uma comissão revolucionária republicana, que, nesse infernal dia 1 de Fevereiro de 1908, colocaram extemporaneamente fim às existências d’ El-Rei o Senhor Dom Carlos I de 44 anos e do Príncipe Real Dom Luís Filipe de 20 anos.

Na antevéspera, num Sábado que nascera triste e enlutado, a 8 de Fevereiro de 1908, as urnas com os corpos embalsamados dos martirizados no Regicídio deixavam de ser velados na Capela do Palácio das Necessidades – onde repousavam desde 6 desse mês – e eram transferidos para o Mosteiro de São Vicente de Fora dando-se inicio aos Funerais de Estado.

O Cortejo fúnebre partiria do Palácio das Necessidades onde os corpos foram embalsamados de 2 para 3 de Fevereiro e onde foram velados até dia 8.

Eram 11 horas, naquela manhã lúgubre, quando as urnas soldadas, por onde, através dos tampos de cristal, se vislumbravam os corpos embalsamados dos Mártires Reais, foram depositadas sobre os coches que encimariam o Cortejo fúnebre. Completava o cenário de dor, um rufar lúgubre de tambores e sinos que choravam plangentes. As urnas foram cobertas por enormes mantos de veludo negro encimados por cruzes bordadas. Ao som das canhoadas das fortalezas e dos navios fundeados no Tejo, inicia-se o Cortejo com os coches tirados por 4 cavalos gualdrapados de um luto muito negro. Precedendo os coches seguiam seis Archeiros do Real Corpo de Archeiros, com as suas alabardas invertidas, em sinal de luto.

O 9.º Conde da Asseca transportava nas mãos a Espada do Príncipe Real e D. Fernando de Serpa a Espada D’el-Rei. O elmo D’El-Rei transportava-o o Coronel Charters de Azevedo; a Cazspka do Príncipe Real – famoso elmo dos Lanceiros – que Dom Luís Filipe usava enquanto Tenente Porta-Estandarte do mítico Regimento de Cavalaria nº 2, Esquadrão de Lanceiros n.º 2 d’El-Rei, era transportada pelo Marquês do Lavradio. Os fiéis de sempre eram seguidos pelos Cavalos enlutados do Rei e do Príncipe Real, o Júpiter e o Burster, que seguiam lado a lado com o Marquês do Faial, na qualidade de Estribeiro-Mor, e a escolta de Cavalaria comandada, pelo não menos dedicado, General Craveiro Lopes.

Seguiam dolorosos, no Coche Real, o enlutado El-Rei Dom Manuel II, ainda de braço enfaixado – resultado do ferimento sofrido no atentado perpetrado pela Carbonária a mando da comissão revolucionar ia republicana –  envergando pela primeira vez o Grande Uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei –, talhado sob o de Seu Pai, e a Rainha-viúva Dona Amelia. Depois, de semblante muito triste e carregado, o Infante Dom Afonso Henriques de Bragança.

Ainda completavam o Cortejo de 200 carruagens, o Príncipe Arthur, Duque de Connaught, em representação de seu irmão, Eduardo VII da Grã-Bretanha, ambos primos de D. Carlos e depois os áulicos e restante Nobreza, representantes diplomáticos e autoridades.

O Cortejo seguiu serpenteando por Lisboa: Av.24 de Julho, Cais do Sodré, Terreiro do Paço Cortejo, Terreiro do Paço, Terreiro do Trigo, Alfama, Campo de Santa Clara e desembocou em São Vicente de Fora. O Povo assistia pesaroso!

Defronte à Igreja as urnas foram retiradas dos Coches e passados por um encadeamento de braços de funcionários da Casa Civil do Paço.

Colocadas as urnas na Capela-Mor, após as cerimónias fúnebres e a Missa de Requiem e antes de serem colocados no Panteão Real dos Bragança os féretros ficariam expostos durante dois dias na Igreja de São Vicente para serem homenageados, por centenas de milhares de Portugueses.

Depois, volvidos esses dois de velório, no dia 10, as urnas dos Mártires Reais são depositadas no Panteão Real da Igreja de São Vicente ou Panteão dos Bragança.

Só conheceriam a derradeira morada quando em 1933, após 25 de exposição, através de uma subscrição privada seriam inumados, nesse mesmo local e lugar, em dois sublimes túmulos prestando-Lhes a devida dignidade e a merecida a homenagem.

Paz às Suas Almas!

Miguel Villas-Boas| Plataforma de Cidadania Monárquica


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Funerais Reais

Neste mesmo dia, mas há 111 anos, num Sábado que nasceu triste e enlutado, a 8 de Fevereiro de 1908, as urnas com os corpos embalsamados dos martirizados no Regicídio de 1 de Fevereiro, El-Rei o Senhor Dom Carlos I de Portugal e do Príncipe Real Dom Luís Filipe deixavam de ser velados na Capela do Palácio das Necessidades – onde repousavam desde 6 desse mês – e eram transferidos para o Mosteiro de São Vicente de Fora dando-se inicio aos Funerais de Estado.

O Cortejo fúnebre partiria do Palácio das Necessidades onde os corpos foram embalsamados de 2 para 3 de Fevereiro e onde seriam velados até dia 8.

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Eram 11 horas, naquela manhã lúgubre, quando as urnas soldadas, por onde, através dos tampos de cristal, se vislumbravam os corpos embalsamados dos Mártires Reais, foram depositadas sobre os coches que encimariam o Cortejo fúnebre. Completava o cenário de dor, um rufar lúgubre de tambores e sinos que choravam plangentes. As urnas foram cobertas por enormes mantos de veludo negro encimados por cruzes bordadas. Ao som das canhoadas das fortalezas e dos navios fundeados no Tejo, inicia-se o Cortejo com os coches tirados por 4 cavalos gualdrapados de um luto muito negro. Precedendo os coches seguiam seis Alabardeiros do Real Corpo de Archeiros, com as suas alabardas invertidas, em sinal de luto.

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O 9.º Conde da Asseca transportava nas mãos a Espada do Príncipe Real e D. Fernando de Serpa a Espada D’el-Rei. O elmo D’El-Rei transportava-o o Coronel Charters de Azevedo; a Cazspka do Príncipe Real – famosa barretina dos Lanceiros – que Dom Luís Filipe usava enquanto Tenente Porta-Estandarte do mítico Regimento de Cavalaria nº 2, Esquadrão de Lanceiros n.º 2 d’El-Rei, era transportada pelo Marquês do Lavradio. Os fiéis de sempre eram seguidos pelos Cavalos enlutados do Rei e do Príncipe Real, o Júpiter e o Buster, que seguiam lado a lado com o Marquês do Faial, na qualidade de Estribeiro-Mor, e a escolta de Cavalaria comandada, pelo não menos dedicado, General Craveiro Lopes.

Seguiam dolorosos, no Coche Real, o enlutado El-Rei Dom Manuel II, ainda de braço enfaixado – resultado do ferimento sofrido no atentado perpetrado pela Carbonária a mando da comissão revolucionar ia republicana –  envergando pela primeira vez o Grande Uniforme de Marechal-General – privatístico do Rei – e a Rainha-viúva Dona Amélia.

Ainda completavam o Cortejo, o Príncipe Arthur, Duque de Connaught, em representação de seu irmão, Eduardo VII da Grã-Bretanha, ambos primos de D. Carlos e depois os áulicos e restante Nobreza, representantes diplomáticos e autoridades.

O Cortejo seguiu serpenteando por Lisboa: Av.24 de Julho, Cais do Sodré, Terreiro do Paço Cortejo, Terreiro do Paço, Terreiro do Trigo, Alfama, Campo de Santa Clara e desembocou em São Vicente de Fora.

Defronte à Igreja as urnas foram retiradas dos Coches e passados por um encadeamento de braços de funcionários da Casa Civil do Paço.

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Colocadas as urnas na Capela-Mor, após as cerimónias fúnebres e a Missa de Requiem e antes de serem colocados no Panteão Real dos Bragança no dia 10, os féretros ficariam expostos durante dois dias na Igreja de São Vicente para serem homenageados, por centenas de milhares de Portugueses.

Paz às Suas Almas!

Miguel Villas-Boas| Plataforma de Cidadania Monárquica


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Regicídio – Quando Mataram o Rei e o Príncipe Real

Completam-se hoje 111 anos sobre o mais trágico magnicídio da História de Portugal, episódio que haveria de ficar para sempre conhecido como Regicídio, pois, a 1 de Fevereiro de 1908, Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Carlos I de Portugal e o Príncipe Real Dom Luís Filipe de Bragança foram assassinados, respectivamente aos 44 e aos 20 anos, num atentado terrorista perpetrado pela Carbonária, organizado em conjunto por esta organização terrorista, pela maçonaria, por republicanos do Partido Republicano Português e dissidentes do Partido Progressista. Nele morreram não só um Rei e um Príncipe, mas a Esperança de toda uma Nação, pois foi dali que veio todo o Mal.

A unidade na Maçonaria permitiu a formação de uma organização secreta sediciosa e armada, a Carbonária, que, liderada por Luz de Almeida, alistava grupos de civis que treinava nas técnicas de combate urbano e anarquista e procedia ao recrutamento de fidelidades nos quartéis entre os marinheiros, soldados e os sargentos. Apoiada pelo próprio grão-mestre do Grande Oriente Lusitano Unido, lançou-se mesmo em atentados bombistas como os dos anarquistas João Borges e José do Valle.

A Carbonária foi uma organização terrorista secreta, oriunda de Itália, e que se instalou em Portugal em 1822. Era paralela da Maçonaria, embora sem vínculo orgânico à Maçonaria Portuguesa, não obstante utilizava algumas lojas do então Grande Oriente Lusitano Unido para aquartelar os seus órgãos superiores, os seus membros eram na maioria também maçons, e colaborou oficialmente com esta Obediência para a tentativa de revolução republicana falhada de 28 de Janeiro de 1908 – conspiração urdida pelos republicanos, pela Carbonária e pelos dissidentes progressistas -, para o Regicídio de 1 de Fevereiro de 1908, e, para a implantação da República, em 5 de Outubro de 1910. A Carbonária era uma organização política, mas de cariz armado, uma espécie de brigada de artilharia, inimiga da Monarquia, do clero e das congregações religiosas. A Carbonária impunha aos seus filiados que ‘possuíssem ocultamente uma arma com os competentes cartuchos’.

O órgão supremo da Carbonária Portuguesa era a Venda Jovem-Portugal, tão secreta que os seus membros não se conheciam uns aos outros e que apenas se reunia em caso de deliberações importantes. O seu Presidente honorário era o Grão-Mestre que era o único dos seus membros que comunicava com a Alta-Venda e que assistia a todas as sessões deste órgão. Continuando com a descrição do organigrama da organização, a Alta-Venda era composta pelo Grão-Mestre eleito na Venda Jovem-Portugal e mais quatro Bons Primos nomeados e escolhidos por este de entre os membros da Carbonária Portuguesa. Este era o órgão de gestão da Carbonária Portuguesa e o seu pólo dinamizador principal.

Na Carbonária havia quatro graus: Rachador, Aspirante, Mestre e Mestre Sublime. Os filiados tratavam-se por Primos e por Tu, havendo entre eles sinais de reconhecimento e palavras especiais, e, nas sessões apresentavam-se sempre todos de capuz geralmente negro ou com a cara encarvoiçada, para dificultar a exposição dos chefes, mas os quais, todavia, conheciam os seus homens. O estandarte carbonário era vermelho e verde e nele estava representado um Estrela de Cinco Pontas, que encima o Globo Terrestre e três pontinhos, dispostos em forma triangular com o vértice na parte inferior.

Do lado político formou-se ainda um comité revolucionário composto pelos dissidentes do Partido Progressista, Visconde da Ribeira Brava e Alpoim, e, os republicanos Afonso Costa e Alexandre Braga, entre outros e que era conhecido pelo Grupo dos 18. Prepararam então a revolução.

Tudo servia de desculpa para denegrir o governo e o Rei: a questão dos adiantamentos, isto é, das supostas dívidas da Casa Real ao Estado; a greve académica de Coimbra em Março de 1907, com o falso pretexto da reprovação de um candidato a Doutoramento em Direito; que João Franco governava em ditadura – ora acontece que depois de quebrado o apoio dos progressistas, passou a governar à turca, mas tratou-se de uma ditadura apenas administrativa, pois era impossível governar com o Parlamento que não funcionava; havia forte especulação de que Dom Carlos I intervinha muito na governação, ora, por causa da inoperância das instituições, designadamente o parlamento enredado no quiproquó do rotativismo, o Rei era, na prática, obrigado a exercer o poder real por vezes de forma significativa, embora sujeito pela Constituição a actuar no conselho do Gabinete – ou isso ou o País parava enredado no jogo rotativista! D. Carlos, foi até menos intervencionista que o regente D. Pedro, Duque de Bragança, depois de 1834, ou que D. Maria II e Dom Pedro V; os rivais, de resto, menos que uma ditadura, temiam a hipótese de uma nova forma de reinar, capaz de confirmar um caminho novo para o regime, limpo de toda a ferrugem que encardia a engrenagem da máquina.

Aliás, tudo parecia resolver-se, até porque o partido de João Franco alcança os acordos indispensáveis com os círculos eleitorais de maneira a garantir a desejada maioria, e são marcadas eleições para o parlamento, o que poria fim à ditadura administrativa e permitiria regressar a um cenário de normalidade e equilíbrio parlamentares.

A Família Real encontrava-se em Vila Viçosa desde 6 de Janeiro, no Paço Ducal dos Braganças, e que era tanto do gosto do Rei que apreciava o bucolismo e a vida simples e rural. Só Dom Manuel, após uma curta estadia, apressara a sua vinda para Lisboa com o objectivo de se preparar para os exames da Escola Naval.

Dia 28 de Janeiro de 1908 foi a data escolhida pelo comité revolucionário para a revolução pelas armas, mas um inconfidência de um dos conspiradores fez chegar a notícia da sublevação às autoridades que actuaram de imediato: António José de Almeida, Luz de Almeida, João Chagas, França Borges, João Pinto dos Santos e Álvaro Poppe foram presos imediatamente. Afastados estes, a chefia e orientação do coup recaiu sobre Afonso Costa, mas com a rápida intervenção das forças da ordem comandadas pelo general Malaquias de Lemos, acabou detido juntamente com Egas Moniz e o Visconde da Ribeira Brava de armas na mão, no Elevador da Biblioteca, de onde contavam chegar à Câmara Municipal para proclamar a república. José Maria de Alpoim conseguiu fugir para Espanha. As tropas por agora mantiveram-se fiéis ao regime e Machado dos Santos não conseguiu sublevar o quartel da Marinha em Alcântara, nem Cândido dos Reis apoderar-se do cruzador São Miguel.

João Franco extrapola e decide usar mão-de-ferro preparando um decreto-lei de excepção vaticinando o exílio para o estrangeiro ou a expulsão para as colónias, sem julgamento, de indivíduos que fossem pronunciados em tribunal por atentado à ordem pública e segurança do Estado. El-Rei hesitou, mas reflectindo, após insistência de Franco anui: ‘Cada vez temos mais necessidade acabar com agitação. Aprovo resolução tomada’. Dom Carlos assina o Decreto de 31 de Janeiro que prevê a deportação dos que atentassem contra a segurança do Estado. O Monarca terá, então, dito:  ’assino a minha sentença de morte!’. Mesmo assim decide regressar a Lisboa no dia seguinte, para não pensarem que o Rei se escondia.

Quem não parara de se movimentar na sombra era a Carbonária que, com a conivência do mencionado comité revolucionário, urdia um atentado para assassinar a Família Real desde 1907, data em que, numa deslocação a Paris, um grupo de republicanos decidira numa reunião com revolucionários anarquistas franceses, num Café da Boulevard Poissonière, assassinar o presidente do Conselho e o Monarca português! Houve depois vários encontros para preparar o atentado, sendo o último na madrugada desse dia 1 de Fevereiro de 1908, nos Olivais, onde uns primos da Carbonária, simultaneamente membros de uma loja maçónica não regularizada, decidem avançar com a impiedade. Decidem assassinar, primeiro o Rei Dom Carlos I, depois o Príncipe Real Dom Luís Filipe, depois o Infante Dom Manuel e, finalmente, a Rainha Dona Amélia.

A Família Real deixou Vila Viçosa às 11h00 de 1 de Fevereiro de 1908 e Dom Carlos I, Dona Amélia e Dom Luís Filipe viajaram de comboio até ao Barreiro onde apanharam o vapor Dom Luís.

Estava uma tarde linda, solarenga e vestida de azul, Dom Manuel, o Infante Dom Afonso, os conselheiros que compunham o governo e vários dignitários e áulicos da Corte, esperavam no cais fluvial de Lisboa o vapor que trazia a Família Real. Dom Carlos I, Dona Amélia e Dom Luís Filipe desembarcam às 17h10m no Terreiro do Paço. Dona Amélia é oblatada com um ramo de flores por uma rapariguinha, Dom Carlos desce de seguida e combina com João Franco reunião no Paço. Trocam-se rapapés vagarosos entre Dom Carlos e o Ministro da Guerra Vasconcellos Porto, e Dom Luís Filipe, o último a descer, vai entretendo boa parte dos 80 elementos que os esperavam, até que o Conde de Figueiró faz saber que as carruagens estavam prontas – pois, ao contrário da insistência do estribeiro-menor Coronel Alfredo Albuquerque, El-Rei decidira que seguiria num laudau de capota descida, prescindindo, dos automóveis. Sobem a carruagem aberta que os levaria às Necessidades. De acordo com o Protocolo, Dona Amélia subiu primeiro e ocupou o lugar à esquerda de frente, Dom Carlos o da direita, Dom Manuel de costas à esquerda e Dom Luís Filipe defronte ao Rei.

Foi um cortejo fúnebre aquele que, a 1 de Fevereiro de 1908, saiu da estação e evoluía em marcha lenta num laudau de capota descida e um pouco destacado da comitiva, e sem grandes medidas de segurança – apenas com uns batedores a cavalo tomando a dianteira e o oficial às ordens a cavalo a ladear o Rei.

O laudau seguia já nas arcadas à esquerda do Terreiro do Paço, no Ministério da Fazenda, na Praça do Comércio, quase a dobrar para a Rua do Arsenal, quando um tiro e um grito de ordem, ‘A Eles!!!’, se ouviram. O Duque de Beja, o Infante Dom Manuel, olhou perscrutante e reparou num indivíduo de densas barbas negras e de varino, no passeio: era o Manuel Buiça! O facínora de olhar vítreo abriu o capote e retirou uma carabina, atirou as faldas do varino para os ombros e correu numa fúria homicida a aproximar-se da carruagem real; já na rua ajoelhou-se à forma de atirador – com um joelho no chão e a coronha da Winchester 1873, encostada ao ombro! Manuel dos Reis Silva Buiça, professor primário, fixou o olhar duro e frio no Rei e disparou usando como alvo a gola vermelha do capote do pequeno uniforme de Marechal-General do Exército que o Rei envergava! A poderosa bala de calibre 44 acertou em cheio no Rei Dom Carlos, atravessando-lhe o corpo, fracturando a coluna vertebral e saindo pelo maxilar inferior, o Rei faz um esgar, mas abateu-se de seguida, morto. Buiça continuou a fuzilar El-Rei, o que fez o Príncipe Real D. Luís Filipe, já recuperado do espanto sacar do Colt e disparar 3 tiros na direcção dos cinco terroristas – parece que atingiu José Nunes; Alfredo Costa surgiu por trás do Rei e disparou-Lhe sobre a nuca, depois colocou o pé direito no apoio de subida do landau e elevou-se ficando ao nível da Família Real, disparando sobre o corpo inerte e tombado de costas do Monarca português. Dom Luís Filipe disparou sobre o terrorista, mas os solavancos fazem-no errar o alvo. Enquanto isso, a Rainha Dona Amélia aos gritos de ‘Infames!’, armada do ramo de flores ofertado à chegada por uma criança, flagelava corajosamente o Costa, mas em vão, pois Alfredo Luís Costa virou-se para o Príncipe Real e disparou-lhe em cheio no esterno, mas não mortalmente. O Príncipe Real não negou a varonia que lhe era reconhecida e corajoso descarregou as restantes 4 balas do Colt no Costa que cai morto da carruagem. Ao ver isso, o Buiça que continuava a espingardearia atingindo Dom Manuel no braço direito, virou-se para Dom Luís Filipe e disparou sobre o já jovem Rei, que não reinaria, pois foi atingido em cheio na face esquerda com uma bala que lhe atravessou a cabeça e sai pela nuca, matando-o. Estava consumado o magnicídio!

O tenente Francisco Figueira trespassou, então, o Buiça com a espada e pôs-lhe um fim. Ainda restavam três terroristas, mas graças à acção do Marquês de Lavradio e do Visconde de Asseca que se colocam a servir de escudo e do sangue-frio do cocheiro Bento Caparica, que mesmo ferido, à brida toda dispara os ginetes em direcção ao Arsenal, os intentos assassinos dos carbonários não conseguem completar o plano gizado e Dom Manuel e Dona Amélia sobrevivem. Os outros carbonários, acabaram, também, às mãos do sabre ou da pistola da guarda.

Uma mulher do povo exclamou, em pranto:

‘- Mataram agora o Rei!’

‘Mataram o Rei! Mataram o Príncipe Real!’

Eram 17h20m, a terrível notícia espalhou-se pela capital. Estava consumada a tragédia do Regicídio!

A Monarquia estava ferida de morte pelos golpes desta tragédia!

‘O meu Pai… o meu Irmão!!!!’, exclamou o filho de Rei e irmão de Príncipe Real.

O Rei morreu… duas vezes!!! Dom Manuel era o novo Rei, obrigava-o o dever do trono e destino dos Reis: reinar sobre a morte de quem lhe deu vida!

É um relato doloroso e gráfico, aquele que se fez do Regicídio, mas necessário para que se possa constatar com toda a justiça a brutalidade do assassinato e o sofrimento das vítimas, dos Mártires Reais.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Regicídio Descrito Por D. Manuel II

 

«Há já uns poucos de dias que tinha a ideia de escrever para mim estas notas íntimas, desde o dia 1 de Fevereiro de 1908, dia do horroroso atentado no qual perdi barbaramente assassinados o meu querido Pai e o meu querido Irmão…No dia 1 de Fevereiro regressavam Suas Majestades El-Rei D. Carlos I a Rainha a senhora D. Amélia e Sua Alteza o Príncipe Real de Villa Viçosa onde ainda tinha ficado…
Meu Pai não tinha nenhuma vontade de voltar para Lisboa. Bem lembro que se estava para voltar para Lisboa 15 dias antes e que meu Pai quis ficar em Villa Viçosa: Minha Mãe pelo contrário queria forçosamente vir. Recordo-me perfeitamente desta frase que me disse na véspera ou no próprio dia que regressei a Lisboa depois de eu ter estado dois dias em Villa Viçosa. “Só se eu quebrar uma perna é que não volto para Lisboa no dia 1 de Fevereiro. Melhor teria sido que não tivessem voltado porque não tinha eu perdido dois entes tão queridos e não me achava hoje Rei! Enfim, seja feita a Vossa vontade Meu Deus! (…) houve uma pessoa minha amiga (que se não me engano foi o meu professor Abel Fontoura da Costa) que disse a um dos Ministros que eu gostava de saber um pouco o que se passava, porque isto estava num tal estado de excitação. O João Franco escreveu-me então uma carta que eu tenho a maior pena de ter rasgado, porque nessa carta dizia-me que tudo estava sossegado e que não havia nada a recear! Que cegueira!

Mas passemos agora ao fatal dia 1 de Fevereiro de 1908, sábado. De manhã tinha eu tido o Marquês Leitão e o King. Almocei tranquilamente com o Visconde d’Asseca e o Kerausch. Depois do almoço estive a tocar piano, muito contente porque naquele dia dava-se pela primeira vez “Tristão e Ysolda” de Wagner em S. Carlos…Um pouco depois das 4 horas saí do Paço das Necessidades num “landau” com o Visconde d’Asseca em direcção ao Terreiro do Paço para esperarmos Suas Magestades e Alteza. Fomos pela Pampulha, Janelas Verdes, Aterro e Rua do Arsenal. Chegámos ao Terreiro do Paço. Na estação estava muita gente da corte e mesmo sem ser. Conversei primeiro com o Ministro da Guerra Vasconcellos Porto, talvez o Ministro de quem eu mais gostava no Ministério do João Franco. Disse-me que tudo estava bem.

Esperamos muito tempo; finalmente chegou o barco em que vinham os meus Pais e o meu Irmão. Abracei-os e viemos seguindo até a porta onde entramos para a carruagem os quatro. No fundo a minha adorada Mãe dando a esquerda ao meu pobre Pae. O meu chorado Irmão deante do meu Pai e eu diante da minha mãe. Sobretudo o que agora vou escrever é que me custa mais: ao pensar no momento horroroso que passei confundem-se-me as ideias. Que tarde e que noite mais atroz! Ninguém n’este mundo pode calcular, não, sonhar o que foi. Creio que só a minha pobre e adorada Mãe e Eu podemos saber bem o que isto é! vou agora contar o que se passou n’aquella historica Praça.
Sahimos da estação bastante devagar. Minha mãe vinha-me a contar como se tinha passado o descarrilamento na Casa-Branca quando se ouviu o primeiro tiro no Terreiro do Paço, mas que eu não ouvi: era sem duvida um signal: signal para começar aquella monstruosidade infame, porque pode-se dizer e digo que foi o signal para começar a batida. Foi a mesma coisa do que se faz n’uma batida às feras: sabe-se que tem de passar por caminho certo: quando entra n’esse caminho dá-se o signal e começa o fogo! Infames! Eu estava olhando para o lado da estátua de D. José e vi um homem de barba preta , com um grande “gabão”. Vi esse homem abrir a capa e tirar uma carabina. Eu estava tão longe de pensar n’um horror d’estes que me disse para mim mesmo, sabendo o estado exaltação em que isto tudo estava “que má brincadeira”. O homem sahiu do passeio e veio se pôr atrás da carruagem e começou a fazer fogo…Quando vi o tal homem das barbas que tinha uma cara de meter medo, apontar sobre a carruagem percebi bem, infelizmente o que era. Meu Deus que horror. O que então se passou só Deus minha mãe e eu sabemos(…) porque mesmo o meu querido e chorado Irmão presenceou poucos segundos porque instantes depois também era varado pelas balas. Que saudades meu Deus! Dai-me a força Senhor para levar esta Cruz, bem pesada, ao Calvário! Só vós, Meu Deus sabeis o que tenho sofrido! Logo depois do Buíça ter feito fogo (que eu não sei se acertou) começou uma perfeita fuzilada, como numa batida às feras! Aquele Terreiro do Paço estava deserto nenhuma providência! Isso é que me custa mais a perdoar ao João Franco (…)

Imediatamente depois do Buíça começar a fazer fogo saiu de debaixo da Arcada do Ministério um outro homem que desfechou uns poucos de tiros à queima-roupa sobre o meu Pai; uma das balas entrou pelas costas e outra pela nuca, que O matou instantaneamente. Que infames! para completarem a sua atroz malvadez e sua medonha covardia fizeram fogo pelas costas. Depois disto não me lembro quase do resto: foi tão rápido! Lembra-me perfeitamente de ver a minha adorada e heróica Mãe de pé na carruagem com um ramo de flores na mão gritando àqueles malvados animais, porque aqueles não são gente «infames, infames».

A confusão era enorme. Lembra-me também e isso nunca poderei esquecer, quando na esquina do Terreiro do Paço para a Rua do Arsenal, vi o meu Irmão em pé dentro da carruagem com uma pistola na mão. Só digo d’Ele o que o Cónego Aires Pacheco disse nas exéquias nos Jerónimos: «Morreu como um herói ao lado do seu Rei»! Não há para mim frase mais bela e que exprima melhor todo o sentimento que possa ter…Quando de repente já na Rua do Arsenal olhei para o meu queridíssimo Irmão vi-O caído para o lado direito com uma ferida enorme na face esquerda de onde o sangue jorrava como de uma fonte! Tirei um lenço da algibeira para ver se lhe estancava o sangue: mas que podia eu fazer? O lenço ficou logo como uma esponja.

No meio daquela enorme confusão estava-se em dúvida para onde devia ir a carruagem: pensou-se no hospital da Estrela, mas achou-se melhor o Arsenal. Eu também, já na Rua do Arsenal fui ferido num braço por uma bala. Faz o efeito de uma pancada e um pouco uma chicotada: foi na parte superior do braço direito…Deus quis poupar-nos! Dou Graças a Deus de me ter deixado a minha Mãe que eu tanto adoro. Sempre foi a pessoa que eu mais gostei neste mundo e no meio destes horrores todos dou e darei sempre graças a Deus de me A ter conservado!

Quando a Minha adorada Mãe saiu da carruagem foi direita ao João Franco que ali estava e disse-lhe ou antes gritou-lhe com uma voz que fazia medo «Mataram El-Rei: Mataram o meu Filho». A minha pobre Mãe parecia doida. E na verdade não era para menos: Eu também não sei como não endoideci. O que então se passou naquelas horas no Arsenal ninguém pode sonhar! A primeira coisa foi que perdi completamente a noção do tempo. Agarrei a minha pobre e tão querida Mãe por um braço e não larguei e disse à Condessa de Figueiró para não a deixar.

De meu Pai e mesmo meu Irmão não tinha grandes esperanças que pudessem escapar. As feridas eram tão horrorosas que me parecia impossível que se salvassem. (…) já lá estava o Ministério todo menos o Ministro da Fazenda Martins de Carvalho…Preveniu-se para o Paço da Ajuda a minha pobre Avó para vir para o Arsenal. Eu não estava quando Ela chegou. Estavam-me a tratar o braço na sala do Inspector do Arsenal…A minha pobre e adorada Mãe andava comigo pelo Arsenal de um lado para o outro com diferentes pessoas: Conde de Sabugosa, Condes de Figueiró, Condes de Galveias e outros falando de sempre num estado de excitação indescritível mas fácil de compreender. De repente caiu no chão! Só Deus e eu sabemos o susto que eu tive! Depois do que tinha acontecido veio aquela reacção e eu nem quero dizer o que primeiro me passou pela cabeça…Minha Mãe levantou-se quase envergonhada de ter caído. É um verdadeiro herói. Quem dera a muitos homens terem a décima parte da coragem que a minha Mãe tem.

Pouco tempo depois de termos chegado ao Arsenal veio ainda o major Waddington dizendo que os Queridos Entes ainda estavam vivos; mas infelizmente pouco tempo depois voltou chorando muito. Perguntei-lhe «Então?» Não me respondeu. Disse-lhe que tinha força para ouvir tudo. respondeu-me então que já ambos tinham falecido! Dai-lhes Senhor o Eterno descanso e brilhe sobre Eles a Vossa Luz Eterna Ámen!

Pouco depois vi passar João Franco com o Aires de Ornelas (Ministro da Marinha) e talvez (disso não me lembro ao certo) com o Vasconcelos Porto, Ministro da Guerra, dirigindo-se para a Sala da Balança para telefonarem que se tomassem todas as previdências necessárias. São isto cenas, que viva eu cem anos, ficarão gravadas no meu coração. Agora já era noite o que ainda tornava tudo mais horroroso e sinistro: estava já então muita gente no Arsenal, e principiou-se a pensar no regresso para o Paço das Necessidades. No presente momento em que estou escrevendo estas linhas estou repassando com horror, tudo no meu pensamento! Entrámos então para o landau fechado, a minha Avó, minha Mãe e o Conde de Sabugosa e eu. Saímos do Arsenal pelo portão que deita para o Cais do Sodré onde estava um esquadrão da Guarda Municipal comandado pelo Tenente Paul: Na almofada ia o Coronel Alfredo de Albuquerque: à saída entregaram ao Conde de Sabugosa um revólver; minha Avó também queria um.
Viemos então a toda brida para o Paço das Necessidades. À entrada esperavam-nos a Duquesa de Palmela, Marquesa do Faial, Condessa de Sabugosa, Dr. Th. de Mello Breyner, Conde de Tattenbach, Ministro da Alemanha e a Condessa, e muitos criados da casa. Foi uma cena horrorosa! Todos choravam aflitivamente. Subimos muito vagarosamente a escada no meio dos prantos e choros de todos os presentes. Acompanhei a minha pobre e adorada Mãe até ao seu quarto e deixei a minha pobre Avó na sala.»

– Transcrição de Extractos das «Notas Absolutamente Íntimas» d’El-Rei Dom Manuel II de Portugal, 21 de Maio de 1908

Mataram o Rei de 44 anos, mataram o Príncipe Real de 20! O Rei morreu… duas vezes!!!

O Rei morreu! Viv’ó Rei!

Pelos mais altos decretos do destino e execráveis actos dos homens que colocaram, nesse infernal dia 1 de Fevereiro de 1908, extemporaneamente, fim às existências d’ El-Rei o Senhor Dom Carlos I e do Príncipe Real Dom Luís Filipe, Dom Manuel II era o novo Rei de Portugal.

A Sua Majestade El-Rei Dom Manuel II, obrigava-o o dever do trono e destino dos Reis: reinar sobre a morte de quem Lhe deu vida!

Recolha texto e conclusão: Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Centenário Monarquia do Norte: 19/01/1919 – 2019

A Monarquia do Norte

Numa cerimónia presidida pelo Coronel Henrique de Paiva Couceiro, a 19 de Janeiro de 1919, no Monte Pedral, no Porto, deu-se o Acto Formal de Restauração da Monarquia Portuguesa. Diante das tropas, em Parada, da Guarnição do Porto, foi hasteada a Bandeira Azul e Branca e restaurada a Monarquia pela voz do Major Satúrio Pires que por ordem de Paiva Couceiro leu às tropas a Proclamação do Comandante:

Soldados!

Tendes diante de vós a Bandeira Azul e Branca!

Essas foram sempre as cores de Portugal, desde Afonso Henriques em Ourique, na defesa da nossa terra contra os moiros até Dom Manuel II mantendo contra os rebeldes africanos os nossos domínios em Magul, Coolela, Cuamato, e tantos outros combates que ilustraram as armas portuguesas.

Quando em 1910 Portugal abandonou o Azul e Branco, Portugal abandonou a sua história! E os povos que abandonam a sua história são povos que decaem e morrem.

Soldados! O Exército é, acima de tudo, a mais alta expressão da Pátria e, por isso mesmo, tem que sustentá-la e tem que guardá-la nas circunstâncias mais difíceis, acudindo na hora própria contra os perigos, sejam eles externos ou internos, que lhe ameacem a existência.

E abandonar a sua história é erro que mata!

Contra esse erro protesta, portanto o Exército, hasteando novamente a sua antiga Bandeira Azul e Branca.

Aponta-vos Ela os caminhos do Valor, da Lealdade e da Bravura, por onde os portugueses do passado conquistaram a grandeza e a fama que ainda hoje dignifica o Exército de Portugal perante as nações do Mundo!

Juremos segui-la, soldados! E ampará-la com o nosso corpo, mesmo à custa do próprio sangue! E com a ajuda de Deus, e com a força das nossas crenças tradicionais, que o Azul e Branco simbolizam, a nossa Pátria salvaremos!

Viva El-Rei D. Manuel II!

Viva o Exército! Viva a Pátria Portuguesa! 

Em seguida constituiu-se uma Junta Governativa do Reino, presidida pelo “Comandante“ – como era tratado pelos seus amigos e apoiantes – Paiva Couceiro, que proclama na varanda do Governo Civil do Porto:

SOLDADOS!
Pelo seu valor e qualidades havía a tropa portuguesa alcançado nome honroso e digno, affirmando-se, — hoje como hontem, — d’ Angola a Moçambique, da Guiné ao Oriente, — herdeira legitima dos descobridores e dos conquistadores do mundo, que foram nossos avós!
E no serviço de cada dia, e n’essas árduas empresas, através de mares longínquos e terras adversas, tinha a bandeira azul e branca sido o guia dos nossos passos, — o alento do nosso corpo, — o impeto das cargas 
a ferro duro, com que vínhamos accrescentando aos factos anteriores da nossa historia de bravuras, o brilho de novos louros!
Com os olhos fitos n’essa insignia consagrada, jogámos muitos de nós a vida e a saúde; sofremos sem queixumes perigos, privações e cansaços; e, dentro dos seus braços amigos, grande número dos nossos valorosos camaradas temos nós visto baixar á terra, varados por amor às suas cores.

Para nós, Exército, era Ella, portanto, não somente o symbolo venerando da Pátria, mas, ainda, a nossa fiel e inseparável companheira de muitos annos d’esforços, sacrifícios e trabalhos, mas, também, a nossa folha pessoal do livro de glorias, onde nós próprios, com a nossa alma e o nosso sangue, inscrevemos Marracuéne, e Mufllo, — Dembos e Magul, — Namarraes, Coelela, — e tantas outras aureas legendas da luminosa biographia nacional! Contudo essa antiga bandeira, que era, há nove anos, a de um Exercito com tradições e união, disciplina e conceito por toda a parte do mundo, —prostraramn’a no solo, como se fôra velho trapo sem valia E no sólo jaz ainda; e, cahidas sob as suas dobras, tradições e união, disciplina e conceito geral, que eram o nosso timbre, a nossa força, e o nosso maior orgulho!

Levantemo-la, pois, soldados, a nossa velha bandeira, e eia avante! que Ella de cór já conhece o caminho da victoria!

Pela Pátria Livre, soldados, eia avante!

Os homens, ou melhor, os homúnculos da República Velha não haviam cumprido quaisquer promessas, antes se instalaram e usaram o poder em proveito próprio, pelo que o regime caminhava em agonia para o remate inexorável.

Fracassara a democracia e o parlamentarismo, enredados que estavam as personalidades e os partidos em lutas intestinas.

Com o governo de Pimenta de Castro, em Janeiro de 1915, que revogara as limitações à liberdade de associação – que desde o 5 de Outubro de 1910 confinavam os monárquicos à clandestinidade – El-Rei Dom Manuel II, Monarca no exílio, havia encorajado os seus correligionários a organizarem-se em partidos e a fazer propaganda para restaurar a Monarquia pelo voto e não pelas armas, pelo que entre Abril e Maio de 1915 abriram-se 55 Centros Monárquicos no Norte e no Centro do País.

Só que perante isto, em 14 de Maio de 1915, toda a horda republicana se entrosa mais uma vez, com a Maçonaria e o Partido Republicano (Democrático) de Afonso Costa a cerraram fileiras e com a Marinha e 15.000 civis armados a subjugarem o Exército e a depor o governo, colocando o Partido Democrático de novo alçado no poder, que, imediatamente, trata de remeter os monárquicos, novamente, à ilegalidade.

Paiva Couceiro, por essa altura vivia no Palácio dos Condes da Ribeira, para os lados de Santo Amaro, onde recebia todos os oficiais e jovens políticos cansados da deliquescência política republicana e que ansiavam por uma nova ordem. Foi neste ambiente, que idealizou, pojectou e iniciou a revolta monárquica. A restauração da Monarquia não passava, inicialmente por um golpe militar, pois goradas a primeira e a segunda Incursões Monárquicas, Paiva Couceiro batia-se agora por um plebiscito, em que democraticamente o Povo determinasse qual o regime em que pretendia ser governado, Monarquia ou república. Com Sidónio Pais no poder e o restabelecimento do sufrágio universal a opção das urnas voltou a ser possibilidade para os Monárquicos, mas a sua morte e a liberdade novamente cerceada determina para o Comandante Paiva Couceiro e para os integralistas lusitanos que a hora era de acção e não de palavras.

O governo republicano que regressara, já há muito havia perdido o controlo de certas zonas do País em detrimento de Juntas Militares, e a política dúbia arbitrada por Canto e Castro na Presidência não apresentava qualquer solução para dirimir os problemas portugueses: o comandante de Cavalaria 9 e mais alguns oficiais eram de opinião, que se devia ‘romper com Lisboa’ e formar-se no Norte ‘um governo’.

A Junta Militar do Norte, composta por muitos monárquicos, era de todas as juntas, aquela que pretendia de imediato a formação de um governo militar.

Porém, em Janeiro de 1919, no Ribatejo, mais propriamente na cidade de Santarém eclode uma revolução republicana, que havia sido orquestrada, no hotel Aliança, dessa cidade ribatejana, pelo advogado Dr. José Reis e muitos republicanos democráticos, sedentos de vingança da afronta sidonista e de regressarem ao poder. Todavia, grande parte das Juntas Militares, que controlavam o país, opõe-se de imediato ao coup liderado pelo Partido Democrático de Afonso Costa.

Perante a possibilidade do radicalismo e da caça às bruxas que traria o partido republicano de Afonso Costa, uma vez no poder, era o Agora ou nunca! A Junta Militar do Norte já nada fazia para conter e muito menos neutralizar os conspiradores. Paiva Couceiro continuava a receber os conjuradores, vindos de todos os quadrantes da sociedade portuguesa da época.

O ‘Quartel-general Monárquico’ acomodou-se no Hotel Universal do Porto, sendo aí formada uma Junta Monárquica. O movimento restaurador deliberou, imediatamente, convidar Paiva Couceiro, para liderar a Causa. Foi à volta da Junta Monárquica que se concentraram, então, as maiores forças monárquicas que, em Janeiro de 1919, iam fazer a RESTAURAÇÃO DA MONARQUIA.

O Comandante Paiva Couceiro tomou a decisão de aceitar liderar a Revolta que reporia a Monarquia legítima.

Em 17 de Janeiro o jornal de tendências monárquicas PÁTRIA, escrevia:

‘Salvemos Portugal porque ou o faremos agora ou nunca mais o poderemos conseguir’

A 18 de Janeiro o mesmo PÁTRIA publica nova instigação monárquica:

‘Quando veremos romper o sol da libertação? Não sabemos nós mas temos a esperança de que não havemos de morrer sem ver tremular as brisas que nos vêm do mar nessa bandeira azul e branca que nasceu em Ourique.’

Nesse mesmo dia 18 de Janeiro de 1919, foram entregues todas as ordens aos comandantes revoltosos; os Integralistas – embora preferissem uma maior preparação – e os Miguelistas apoiam a Restauração da Monarquia. Faltava somente a anuência real do Senhor Dom Manuel II na pessoa do Seu lugar-tenente, Ayres de Ornellas.

‘Go on. Palavras d’El-Rei’, assinado Ayres de Ornellas.

Paiva Couceiro decide então iniciar o golpe, mesmo sabendo que apenas parte da tropa aquartelada em Lisboa estava do seu lado: Cavalaria 2 Lanceiros D’El-Rei e 4, Infantaria 5 e 16 e grupos de baterias de Queluz.

Às 13 horas do dia 19 de Janeiro de 1919, o Comandante Henrique de Paiva Couceiro, à frente de um milhar de soldados e algumas peças de artilharia, entra no Porto e Restaura a Monarquia Constitucional, na pessoa d’El-Rei Dom Manuel II, depositário de 771 anos de História de Portugal!

A Monarquia é restaurada no Monte Pedral, no Porto, onde as tropas monárquicas em parada ouvem a proclamação monárquica, lida por Satúrio Pires, fiel apoiante e grande amigo do Coronel Paiva Couceiro.

Gerou-se uma grande manifestação popular espontânea de apoio à Restauração da Monarquia e, por toda a cidade, as bandeiras realistas azuis e brancas foram colocadas nas janelas e varandas.

A Junta Governativa do Reino, que ficou sob o comando do Comandante Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, instalou-se junto ao Governo Civil do Porto e, às 17 horas, na sala de reuniões da Junta Geral do Distrito, perante a presença do representante da Diocese do Porto, reverendo D. Teófilo Salomão, que receberia o juramento dos membros, a comissão da Restauração declarou em vigor a Carta Constitucional e indicou como ministros da Junta Governativa do Reino: o Conde de Azevedo, o Visconde do Banho, o Coronel Silva Ramos, Luís de Magalhães e Sollari Allegro.

O entusiasmo a Norte do país era grande, e até quadras populares foram escritas contra os principais dirigentes da República, tais como Afonso Costa.

Todo o Norte e algumas povoações do centro aderiram à Monarquia: o Minho e grande parte da Beira eram completamente realistas. Em Viana do Castelo a adesão foi total!

A Junta procurou então organizar política, militar e administrativamente o território fiel, nomeando governadores civis para as principais cidades do Norte e Centro: Porto, Braga, Viana do Castelo, Aveiro, Vila Real, Bragança, Viseu e Coimbra. Criou ainda um órgão de Imprensa, emitiu moeda e começou a legislar.

Foi pois criado o Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, o Diário da Monarquia, onde foram publicados todos os decretos da Junta, reguladores da vida política, social e económica dos portugueses: fixando preços, feriados, o regime político, nomeações de oficiais e funcionários do estado, abolição do escudo, abolição do registo civil, requisição de veículos com «motor de explosão» e a regularização das relações com a Igreja.

Os mais importantes foram o decreto de abolição da República, o do restabelecimento da Carta Constitucional Portuguesa de 29 de Abril de 1826 e o da reinstituição da Religião Católica e Apostólica Romana com religião oficial, e, por exemplo, em todos os espectáculos com orquestra, tocava o hino da Carta.

A linha da frente monárquica ficou perto de Ovar. O Sul manteve-se, quase na sua totalidade, republicano.

No Porto, perante alguma reacção violenta dos radicais republicanos surgiram, espontaneamente, brigadas civis – os trauliteiros -, para defender a Monarquia e prender os republicanos. Por sua vez as tropas monárquicas controlavam completamente a capital do Norte. A Monarquia a Norte progredia a bom ritmo.

Entretanto do lado republicano, foi imediatamente realizada uma reunião com o Presidente do Conselho, Tamagnini Barbosa, onde participaram os partidos republicanos, que – apesar dos ódios figadais – como aquando da revolução republicana se uniram para reagir à possibilidade de perda das sinecuras.

Nessa reunião participaram todos os nomes republicanos de relevo como José Relvas, Alberto da Silveira, Carlos da Maia, Barros Queiroz, Egas Moniz, Brito Camacho, António José de Almeida e Afonso Costa. Trataram logo de reconstituir os pelotões civis armados que antes constituíam a Carbonária, mas que agora se chamava de Formiga-branca. Também, os militares republicanos foram igualmente convocados para uma reunião em Campolide, onde iriam iniciar a contra-revolução. Nessa reunião seria aprovado um importante manifesto, que se designava pelo Pacto do Corpo de Tropas.

 

As tropas monárquicas lideradas por Ayres de Ornellas, lugar-tenente do Rei D. Manuel II, que sempre servira a Pátria e o Rei com denodo, fosse como militar ou, ulteriormente, como Ministro de Estado e da Marinha no Ministério de João Franco, estavam estacionadas neste local, ponto estratégico para bombardear e dominar a cidade de Lisboa, enquanto as republicanas se agrupavam para atacar essas posições.

A 24 de Janeiro de 1919, telegrafa de Monsanto a Paiva Couceiro, informando: ‘Situação óptima. Bandeira azul e branca acaba de ser içada em todos os quartéis. Temos 30 bocas de fogo e três batalhões de infantaria, toda cavalaria, muita polícia e inúmeros civis. As adesões continuam. Viva a Monarquia! . Ayres de Ornellas.’

Os estudantes académicos radicais de Lisboa, futuros bacharéis pífios como os que os armavam, tinham-se reunido no dia 22 de Janeiro de 1919, no quartel das Janelas Verdes e formaram um Batalhão Académico, para participar no recontro do Monsanto, onde com grande parte da Marinha – onde foram pescados a generalidade dos primos da Carbonária para fazer a Revolução de 1910 -, atacaram as forças monárquicas.

Os confrontos, em Lisboa, prolongaram-se por 5 dias, durante os quais se defrontaram ferozmente os monárquicos e republicanos, com uma intensa batalha de artilharia, que fez muitos mortos e feridos de ambos os lados, tendo morrido ao todo 39 pessoas e ficado feridas 330. As forças monárquicas, cercadas, ficaram sem mantimentos e munições e sem possibilidade de evacuação e tratamento dos feridos. Sem munições os monárquicos foram atacados por todos os lados e tiveram que se refugiar no forte de Monsanto e Ayres de Ornellas com algumas centenas de monárquicos do Regimento de Lanceiros 2, forças de Cavalaria 4, 7 e 9, em Monsanto, com terreno pouco propício para a arma de cavalaria, acabaria por se render, em 24 de Janeiro.

Apesar desta derrota dos monárquicos, o país encontrava-se claramente dividido e continuava a ser governado por dois governos, um republicano em Lisboa e outro monárquico no Porto. Contudo era a Norte, que a monarquia tinha prevalecido.

Após a vitória de Lisboa, as forças republicanas dirigem-se ao Norte do país, começando por submeter toda a Beira, incluindo a sua capital Viseu e muitas outras povoações.

Seguiram depois para a Régua e Albergaria, que após violentas refregas dominaram. Muitas unidades militares do Norte ao saberem da vitória dos republicanos em Monsanto, passaram-se então para o lado republicano.

Na cidade do Porto, os radicais republicanos começaram a manifestar o seu apoio à República, reunindo-se no Monte da Virgem.

As forças republicanas dominavam toda a logística do país, por terra, mar e ar, apresentando uma grande vantagem em relação às forças monárquicas. Controlavam os abastecimentos de comida e munições, a pequena força aérea de hidroaviões e essencialmente dominavam todos os portos do país. As forças monárquicas em inferioridade clara, decidiram constituir companhias de reservistas como o formado pelos estudantes da Universidade do Porto, de ideologia monárquica – que na Monarquia tinham constituído a Mocidade Monárquica e a Legião Azul – e que ficou conhecido por Real Batalhão Académico do Porto. Outros eram formados por gente pobre dos campos, sem preparação e mal equipada. A Monarquia soçobrava e perdia.

Os hidroaviões republicanos eram comandados pelos dois aviadores portugueses, Sacadura Cabral e Santos Moreira que estavam ao serviço do governo republicano. A sua missão era, sobretudo, de lançarem panfletos contra-revolucionários no Porto, embora tivessem feito igualmente alguns bombardeamentos bem sangrentos. Paiva Couceiro tenta, então, comprar em Espanha, em 8 de Fevereiro de 1919, um Caudron G3, o único aeroplano disponível para entrega imediata. Contudo não teve tempo para o fazer, já que cinco dias depois estaria tudo terminado, pois o governo republicano usou alguns batalhões do C.E.P. – Corpo Expedicionário Português -, que tinham combatido em França na Grande Guerra, e os republicanos iam-se infiltrando nas unidades monárquicas, mormente na Guarda Real, sedeada na cidade do Porto.

Entretanto no Porto, foi publicada uma lei a 13 de Fevereiro de 1919, que muito desagradou à população: a população devia entregar no Banco de Portugal as notas de 20, 50 e 100 mil réis e receberiam 10% desse valor em notas já sobretaxadas ou em notas mais pequenas, que perfizessem esses 10%. E, assim, as notas do Banco de Portugal passavam a ter uma enorme desvalorização. Se a Monarquia fosse derrotada a população arriscava- se a perder grande parte das suas economias e assim a população acorreu aos bancos a levantar grandes quantias de dinheiro. Este decreto foi talvez, a causa da resolução da guerra civil instalada no país, já que produziu um profundo descontentamento em toda a população, que se sentia dessa forma espoliada de noventa por cento do seu dinheiro.

Na manhã de 13 de Fevereiro, ainda foi realizada uma cerimónia na sede do Batalhão Real do Porto, onde foi descerrado um retrato d’El-Rei Dom Manuel II e a Junta Governativa do Reino, ainda publicou o seu 15º Diário da Junta, último acto oficial da Monarquia do Norte. Paiva Couceiro encontrava-se fora do Porto, a inspeccionar as tropas no Picoto e em Espinho. Aqui anunciaram-lhe a revolta republicana no Porto. Ainda marchou com as tropas monárquicas para o Porto, mas no caminho, a população ia avisando os soldados da coluna monárquica, da revolta republicana, e começam a desertar. Nesse mesmo dia, a Guarda Real revoltou- se e restabeleceu no Porto a República, acabando de vez com a guerra civil e o sonho da Restauração da Monarquia.

Os ministros da Junta Governativa do Norte e muitos militares monárquicos foram presos, julgados sumariamente e condenados a penas de prisão seguidas de degredo, ou então poderiam optar por uma pena única de degredo.

Durante este período foram cometidas enormes violências contra os presos políticos: os velhos republicanos repuseram no poder a República Velha e com ela as perseguições aos monárquicos, o desgoverno, a instabilidade política, a ditadura de partido único, a anarquia, a fome, a violência e o revolverismo.

Aproveitando o fim da Monarquia do Norte, os republicanos conseguiram acabar com o sidonismo, e implantaram de novo um regime parlamentar anti-democrático e de lutas intestinas.

Henrique Mitchell de Paiva Couceiro, o último grande Herói português, o grande patriota, o Comandante Monárquico, exila-se em Espanha.

Portugal perdera o seu momento!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


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Um Santo E Feliz Natal

A celebração do Natal é a festa do Nascimento do Rei dos Reis, o Salvador Jesus Cristo. Mas para além disso, há uma série de iconografia natalícia que apareceu fruto do querer da realeza fossem como próprios introdutores dos costumes ou como mecenas da sua realização.

Apesar de originária das culturas e religiões pagãs que celebravam a fertilidade da natureza recorrendo a árvores enfeitadas, a Árvore de Natal, tout cour, que chegou aos nossos dias, germinou nos costumes dos povos germânicos cristãos, a partir do século XVI.

Porém, só com a intervenção da realeza – sempre no momento certo -, no século XIX, é que esta tradição de enfeitar o Pinheiro de Natal, assim como demais decorações, se estendeu à restante Europa.

Preponderante na dispersão europeia do costume foi quando, em 1846, o Príncipe germânico Albert de Saxe-Coburgo-Gotha (Dinastia Wettin), marido de Sua Majestade A Rainha Vitória do Reino Unido, armou uma árvore de Natal no Castelo de Windsor. A enfeitar o Pinheiro de Natal, foram pendurados nos ramos, nozes pintadas de dourado, bolas coloridas, frutas cristalizadas diversas e de múltiplas cores cobertas de açúcar, pacotes de doces, enfeites de correntes de papel colorido. Flores e laços de tecido, também coloriam a árvore. Por fim, como iluminação, penduraram pequenas velas em potes de vidro cuja luz reflectia no pó de vidro espalhado para dar mais luminosidade e efeitos e contrastes de luz à árvore. Depois, bastou uma gravura da família real junto do pinheiro de Natal, e que haveria de ser publicada na revista Illustrated London News, para a tradição se estender por todo o domínio do Império Britânico e por toda a Europa cristã.

Em meados do século XIX, o Rei-consorte Dom Fernando II, marido da Rainha Senhora Dona Maria II, e primo do Príncipe Albert – Prinz Albert de Saxe-Coburgo-Gotha (Dinastia Wettin), Príncipe germânico marido de Sua Majestade A Rainha Vitória do Reino Unido, que foi o primeiro a armar uma Árvore de Natal, no Castelo de Windsor -, pois nascera Prinz Ferdinand August von Sachsen-Coburg-Gotha-Koháry, introduzir o costume de enfeitar o Pinheiro no Natal, no Reino de Portugal, país onde a tradição natalícia decorativa abrangia apenas o Presépio de que eram expoentes os de Machado de Castro, Barros Laborão e António Ferreira. Com o nascimento do Príncipe Real Dom Pedro e os infantes, Dom Fernando II – já Rei-consorte – começou a festejar o Natal segundo o costume germânico que experimentara durante a infância na gélida Alemanha. Para além da Árvore de Natal que enfeitava com bolas de vidro translúcidas de variadas cores e guloseimas, das coroas de advento, o próprio monarca se fantasiava de São Nicolau e distribuía prendas à família – conforme o confirmam gravuras a carvão ilustradas pelo Rei-artista.

Na seguinte imagem o jovem Príncipe Real D. Pedro encontra-se a enfeitar a Árvore de Natal.

Depois, até o costume se difundir pela nobreza foi um passo, disseminar-se-ia, então, pela burguesia e, finalmente, pelo Povo, para durar até aos dias de hoje.

Quanto ao Presépio, em Portugal, os primeiros presépios de que há memória datam do século XVI, mas é no século XVIII, que se executam os melhores presépios, alguns dos quais verdadeiras obras de arte – e é disso que, verdadeiramente, se trata.  O Presépio da Basílica da Estrela, no qual figuram cerca de 500 peças, foi uma encomenda da própria Rainha D. Maria I de Portugal – que mandou igualmente construir a Basílica e o Convento – a Machado de Castro. O nome Machado de Castro ou o da sua Oficina surge ligado a diversos presépios não só públicos como particulares – especialmente para a Família Real – que se acham dispersos de norte a sul do País, nomeadamente, o da Sé Patriarcal de Lisboa, fabricado em 1776.

Quanto ao Bolo-Rei, é legado dos romanos que, primeiro, persistiu somente em França onde tem duas formas de confecção: no Norte é em massa folhada e, no Sul, um brioche recreado com frutas caramelizadas, tal como o Bolo-Rei português que por isso deriva do segundo. Foi precisamente das suas viagens por França, que Baltazar Castanheiro II, filho do fundador da Confeitaria Nacional, trouxe a receita do Bolo-Rei, mais precisamente de Toulouse.

Mas claro, é mérito da Confeitaria Nacional e do seu empreendedor de confeitaria pegar numa receita do bolo francês e convertê-la no icónico e típico doce português: o bolo redondo, em forma de coroa, com frutos secos e cristalizados e polvilhado com açúcar. O Bolo-Rei logo se tornou um sucesso, e a Confeitaria Nacional foi nomeada, por El-Rei D. Luís I, fornecedora oficial da Casa Real. Depois até se generalizar, dada a qualidade do produto, foi um ápice: o Bolo-Rei, assim chamado por causa da forma de Coroa, não mais abandonaria as mesas nacionais, sobretudo na época Natalícia.

Já na república velha, aquela instaurada por intermédio de um processo revolucionário, que durou entre 1910 e 1926, Afonso Costa e Bernardino Machado mudaram o nome do Bolo-Rei para Bolo-presidente, mas os portugueses não engoliram… nem a imposição, nem a nomenclatura nascida daquelas mentes intransigentes; e a designação Bolo-Rei prevaleceria ad eternum.

Se o bacalhau é o fiel amigo, o Bolo-Rei é o Real Amigo e sempre permanecerá: inventem quantos pastelinhos quiserem e nomeiem-nos de ‘presidentes’ – como em Cebolais de Cima (história verídica) -, de ministros, de edis, de vereadores, mas o Real pastel perdurará sempre entronizado nos nossos corações e palato como Bolo-Rei!

Há uma Canção de Natal, o Adeste Fideles, mundialmente conhecido pelo título de Hino Português escrito e composto por El-Rei D. João IV de Portugal, a exemplo de muitas outras obras, na escola de música que fundou no Paço Ducal dos Bragança, em Vila Viçosa. Foram encontrados dois manuscritos desta obra, datados de 1640, no Palácio Ducal de Vila Viçosa, que era propriedade dos Duques de Bragança. Os ingleses atribuíram, erroneamente, a autoria desse hino a John F. Wade que não pode ter composto a partitura, uma vez que o seu manuscrito está datado ulteriormente, de 1760, pelo que Wade se limitou a traduzir o Hino Português, como de resto era designado à época, tentando usurpar os louros a El-Rei Dom João IV de Portugal.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica