Monarquia, Cidadania, Democracia


Deixe um comentário

1 de Dezembro de 1640 – O Dia da Restauração da Independência

1 DE DEZEMBRO DE 1640 – O DIA DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA

Aproximava-se o Natal do ano de 1640 e a maioria dos castelhanos partira para Espanha. Na capital portuguesa, ficaram a Duquesa de Mântua, a espanhola que, desde 1634, ocupava o cargo de Vice-rainha de Portugal, e o seu Secretário de Estado, o traidor português Miguel de Vasconcellos e Brito. Margarida de Sabóia, Duquesa consorte de Mântua, era filha de Carlos Emanuel I, Duque de Sabóia e da Infanta Catarina Micaela de Espanha o que fazia dela neta materna de Felipe II – Felipe III de Espanha, o Rei-planeta – e prima direita de Felipe III – IV de Espanha. Esse parentesco fazia da Duquesa de Mântua um importante membro da família imperial dos Áustria ou Habsburgos, e por meio de uma aliança matrimonial casou com o futuro duque Francisco IV de Mântua e de Montferrat.

Para esta nomeação na qual exerceu as funções de vice-rei de Portugal, em dependência do Rei de Espanha, valeram-lhe as relações de parentesco real, mas, pela sua importância, devem ser reconhecidos os esforços de Diogo Soares, do Conselho de Portugal na capital espanhola, valido do Conde-Duque de Olivares e parente de Miguel de Vasconcellos que, em 1635, foi nomeado Secretário de Estado de Portugal, encarregando-se do governo do Reino.

O dia 1 de Dezembro desse ano de 1640, não fora o facto da ânsia de liberdade ir fazer eclodir, por fim, a revolta na capital, em tudo se assemelhava a um normal dia de Outono, pois a cidade de Lisboa acordara para o rame-rame habitual: os coches a rolarem com as senhoras da nobreza que se dirigiam para a missa, os operários das diversas guildas a desempenharem os seus mesteres, as tabernas com os habitués. Mas sentia-se o odor a mistério e a conspiração no ar! E os avisados, de quando em vez, desligavam-se da rotina dos seus afazeres e olhavam em volta procurando desenvolvimentos.

Assomam então no Paço da Ribeira, como que surgidos de uma bruma que nem existia, os 40 Conjurados, entre eles, D. Antão de Almada – Conde de Avranches -, D. Miguel de Almeida – o de maior idade -, Francisco de Mello e seu irmão Jorge de Mello. Também, além de outros, António Saldanha, Pedro de Mendoça Furtado, Fernão Telles de Menezes, D. Manrique da Silva, Bernardim de Távora, João Pinto Ribeiro.

Às 9h15m certas, invadiram o palácio da Duquesa e dominaram-lhe, facilmente a Guarda Alemã; o Povo, que entretanto se juntara por passa a palavra e que desemborcara serpenteando de todos os lados, seguindo o Crucifixo do Padre Nicolau, ficou a aguardar no Terreiro do Paço o sinal de que a revolução tinha sido bem-sucedida, o que ocorreria com a defenestração de Miguel Vasconcellos.

Tornando-se odiado pelo povo por, sendo português, trair a sua Pátria e colaborar com a representante real servindo assim por interposta pessoa um Príncipe estrangeiro, Miguel Vasconcellos seria a primeira e justa vítima da Restauração. Após, penetrarem no palácio, os patrióticos conspiradores procuraram pelo insidioso, mas do secretário de estado nem sinal. E por mais voltas que dessem, não encontravam Miguel de Vasconcellos. Já tinham percorrido os salões, os gabinetes de trabalho, os aposentos do ministro, e nenhum sinal da criatura.

Ora acontece que Miguel de Vasconcellos, espantadiço, quando se apercebeu que não podia fugir, encolhera-se num armário fechado por dentro, com uma arma em riste. Mas o tamanho do armário era diminuto e o fugitivo, ao tentar posição mais confortável, remexeu-se lá dentro, restolhando a papelada lá guardada, denunciando-se. Foi quanto bastou para os Conjurados patriotas rebentarem a porta e o crivarem de balas. Era hora de dar o sinal ao Povo atirando o traidor pela janela fora!

Ainda antes, os Conjurados proclamaram “Rei” Dom João II de Bragança, aos gritos de “Liberdade! Liberdade! Viva El-Rei Dom João IV!” Depois de D. Miguel de Almeida gritar à janela do Paço Real, “o Duque de Bragança é o nosso legítimo Rei!”, ocorreu, então, a célebre defenestração sendo arremessado pela janela, o corpo de Miguel de Vasconcellos de Brito que caiu, ressupino, no meio de uma multidão enfurecida que acicatou sobre o cadáver todo o ódio acumulado por 60 anos de ocupação, cometendo verdadeiras atrocidades. Depois de ofendido pela turba justiceira, o destroço – que outrora constituiu um corpo – foi deixado in loco na marca da queda para ser desgastado e corroído pelos cães – sinal da mais genuína profanação e destino merecido dos traidores da Pátria.

A Duquesa de Mântua, abandonada pela guarnição castelhana, tentou, em vão, aplacar os ânimos do povo amotinado na Praça. Terá sido neste transe que, diante dos Conjurados, tentando assomar à janela do Paço para pedir a lealdade do povo, D. Carlos de Noronha, um dos líderes da sublevação, lhe terá remetido a frase: “Se Vossa Alteza não quiser sair por aquela porta, terá que sair pela janela…“. Temendo o mesmo destino, o de ser defenestrada como Miguel de Vasconcellos e Brito, isolada e sem apoios locais, a Duquesa, foi aprisionada nos seus aposentos.

Eram 9h30m do 1.º de Dezembro de 1640 e a Revolução, que pôs fim ao domínio castelhano de seis décadas, durou um curtíssimo quarto de hora e foi imediatamente apoiada por muitas comunidades urbanas e concelhos rurais em todo o país.

A 6 de Dezembro, D. João II, Duque de Bragança, desembarcaria na Casa da Índia e, como um César vitorioso, entraria triunfante, em Lisboa, para o seu desfile perante a ovação e os “Vivas!” de todos.

Viv’á Restauração! Viv’ó 1.° de Dezembro! Viva Portugal Independente!

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica

Anúncios


Deixe um comentário

Crónica da Restauração da Independência – A Conjura

Estava uma noite escura e fria, típica do Outono que já ia adiantado, e a neblina envolvia em segredo aquelas figuras que afundadas em capas e capotes negros se abafavam não só do frio, mas se escondiam de olhares indagantes. Os seus largos chapéus de abas e plumas escuras pareciam bailar enquanto as figuras que mal se recortavam no breu se esgueiravam pela noite adentro, sem outra coisa que os denunciasse que não fosse o brilho nos olhos de quem tinha a razão do seu lado, e os tacões que quando em vez apanhando um piso mais seco troavam, fazendo ladrar um cão na vizinhança. Convergiam todos para uma pequena porta incrustada na velha muralha fernandina.

Um a um, ou às vezes até mais quando o objectivo os fazia convergir ao mesmo tempo, batiam à portinhola e depois de reconhecidas as caras do outro lado pelo proprietário entravam e desciam os estreitos degraus um a um – até porque não dava para o fazer de par em par – até desembocar no jardim do que parecia ser um Palácio. Iam entrando numa pequena sala na qual desembocava a escadaria, e que umas velas de luz mortiça teimavam em não se deixar apagar para alumiar os presentes. O encontro tinha que ser assim, no secretismo que aquele lugar possibilitava por estar longe dos olhares curiosos dos demais habitantes do Palácio, especialmente da criadagem – sempre de língua solta! -, até porque aquilo não era uma tertúlia, mas uma Conjura!

Livres dos embuços que serviram para os camuflar na noite, cumprimentaram-se todos efusivamente.

O que levava aqueles homens da mais distinta Nobreza Portuguesa à possibilidade de tais perigos?!

Durante o Domínio Filipino da nossa Pátria, sobretudo no de Filipe III (IV de Espanha), Portugal, na prática, tratava-se de província espanhola, governada à distância, por quem não demonstrava qualquer cuidado com os interesses e anseios dos portugueses.

No início do reinado de Filipe III, então com 16 anos, em 1621, instalou-se em Madrid a política centralista de Gaspar Filipe de Gusmán, Conde-Duque de Olivares, plasmada no seu projecto Instrucción sobre el gobierno de España, de 1625, apontada à obliteração da autonomia portuguesa, abduzindo por completo o Reino de Portugal. Este documento de intenções apontava três sentidos: 1º – Realizar uma cuidadosa política de casamentos, para confundir e unificar os vassalos de Portugal e de Espanha; 2º – Ir o rei Filipe IV fazer corte temporária em Lisboa; 3º – Abandonar definitivamente a letra e o espírito dos capítulos das Cortes de Tomar (1581), que colocava na dependência do Governo autónomo de Portugal os portugueses admitidos nos cargos militares e administrativos do Reino e do Ultramar (Oriente, África e Brasil), passando estes a ser Vice-reis, Embaixadores e oficiais palatinos de Espanha.

A Governação dos Filipes transformara-se em tirania. Como de simples nativos se tratassem, os habitantes serviam unicamente para serem visitados pelo cobrador de impostos. Este confisco em nada beneficiava o País, pois o tributo não era repartido para fruir as necessidades e premências de Portugal e o bem comum dos naturais, mas ajudavam tão só a custear as despesas do Império espanhol.

Foi sobretudo esta política fiscal que abriu o caminho para a Restauração. Ainda, em 1628, aconteceu o Motim das Maçarocas, no Porto, revolta contra o imposto do linho fiado; depois, em Agosto de 1637, foram os protestos e a violência, que ficaram conhecidas por Alterações de Évora, e que tiveram origem no aumento do imposto do real de água e a sua generalização a todo o Reino de Portugal, assim como o aumento do imposto da Sisa elevado para 25%. Apesar da revolta ter sido instigada pelo Procurador e pelo Escrivão do povo – acicatados ainda pelo imposto da meia-anata -, numa manobra para manter o anonimato dos impulsionadores, as ordens para a marcha da insurreição surgiram assinadas pelo ‘Manuelinho’, um pobre demente da cidade alentejana. As Alterações de Évora, contagiariam todo o País e alastraram a Sousel, Crato, Santarém, Tancos, Abrantes, Vila Viçosa, Porto, Viana do Castelo, Bragança, Beira e Algarve.

Vulgarizam-se os panfletos populares contra Filipe III (IV):

‘Que teve em ti Portugal? Grande mal. E de seres seu Senhor? Gram rigor. Que teve dos castelhanos? Grandes danos.’

Desta forma, o descontentamento era transversal a toda a Sociedade portuguesa: a Nobreza via os poucos cargos de administração que, ainda, sobejavam no Reino de Portugal – uma vez que a Corte estava em Madrid -, e, que outrora haviam sido dos seus antepassados, ocupados pelos ocupantes estrangeiros. Além disso, eram obrigados a alistar-se no exército espanhol suportando todas as despesas, e os que a sua idade já desobrigava da prestação obrigatória do serviço militar retiraram-se para a província, onde viviam nos seus palacetes e solares subsistindo com o mínimo de dignidade que imponham os pergaminhos de família.

Também, a Burguesia estava desiludida e em rota de colisão coma pobreza, pois em consequência da belicosidade castelhana com as demais nações europeias, os territórios e navios portugueses eram atacados e saqueados, ficando os corsários Ingleses, Franceses e Holandeses, com os produtos originários dessas terras e que outrora comerciavam proveitosamente. Assim, comércio e respectivo lucro haviam caído a pique.

Apesar da insurreição de Évora, em 1637, não ter derrubado o Governo pró-Castela de Lisboa -consequência da repressão das tropas castelhanas que vieram em seu auxílio e que evitaram logo ali revolução -, já ninguém podia mudar o curso das vontades.

Em 1639, o Duque de Bragança, recém-nomeado Governador de Armas do Reino, instalou-se em Almada onde começou a receber a visita da nobreza e fidalguia, entre os quais D. Francisco de Mello que lhe começa a incutir as ideias da restauração da independência.

Eclode uma revolta na Catalunha, também, contra o centralismo do Conde-Duque de Olivares. A 7 de Junho de 1640, o Rei Filipe IV convoca Dom João II de Bragança para o assistir na viagem à Catalunha e colaborar na campanha de repressão que ia empreender. O Duque de Bragança enjeitou a convocação de Filipe IV, no que foi seguido por muitos nobres portugueses que receberam idêntica intimação, recusando-se também a obedecer a Castela.

Foi, então, que, secretamente, se vinha congregando um grupo de 40 Nobres, que viriam a ser denominados de Conjurados. Nas suas reuniões, no Palácio dos Almadas, propriedade do então titular, Dom Antão de Almada, 7º Conde de Abranches, o grupo patriótico português nascido clandestinamente, começou a analisar e engendrar a melhor forma de revolta contra o domínio castelhano. Principiaram então a tecer uma revolta que tivesse garantias de êxito.

A reunião desta noite de 12 de Outubro de 1640, é a mais importante de todas, pois além do Conde de Almada, fidalga e nobre família que tanto já tinha dado à sua Nação e se preparava para ainda mais dar, incluía D. Miguel de Almeida – o decano destes Conjurados -, o Monteiro-mor Francisco de Mello e seu irmão Jorge de Mello, António Saldanha, Pedro de Mendoça Furtado e o agente do Duque de Bragança em Lisboa, João Pinto Ribeiro.

– Meus senhores… – o anfitrião tomou a palavra –, já é o tempo de encontrarmos despacho neste arrojo conspirativo, pois que de todas as vezes que nos sentamos nesta tabula colocamos nossas cabeças mais perto do cepo! Não desejando perder a minha, tal como de igual modo acham Vossas Mercês grande utilidade às vossas, é o tempo da resolução e da audácia definitiva! Não pode esta tão grande Nação sob jugo ilegal estrangeiro continuar a sofrê-lo e os três estados a verem-se humilhados continuamente pelo ocupante. O tempo urge, por quanto tempo mais ficarão os castelhanos ocupados com aqueles arremedos de independência catalã?

Depois de muito patuá é decidido indigitar um deles para se encontrar com o Duque de Bragança, no Paço Ducal de Vila Viçosa. (Continua)

Miguel Villas-Boas – Plataforma de Cidadania Monárquica


Deixe um comentário

Rei D. Manuel II Em Viana do Castelo

Enquadrado na Sua 1.ª visita oficial ao Norte do Reino, El-Rei Dom Manuel II chegou, a 17 de Novembro de 1908, a Viana do Castelo, onde permaneceu por dois dias, sendo efusivamente saudado pelo Povo Minhoto!

No dia 17, vindo do Porto o Rei de Portugal chega com a comitiva Real a estação ferroviária de Viana do Castelo. A população de todas as classes sociais do Alto Minho acorre a ver o novo Rei e proporciona-lhe uma recepção apoteótica. As belas minhotas trajadas à Vianense, mordomas e lavradeiras vestidas com os trajes tradicionais de cada freguesia da capital do Alto Minho lançam pétalas de flores ao Rei e progridem com a sua comitiva pelas principais ruas do Centro Histórico de Viana do Castelo. Que espectáculo prodigioso os tradicionais e coloridos Trajes à Vianense de lavradeira, de mordoma, de noiva, de meia senhora ou com traje de festa, segurando na mão, envoltos num lenço de Viana, uma vela votiva ou um palmito e envergando ao peitilho os mais variados artefactos do chamado Ouro de Viana: gramalheiras, fios – alguns de três metros – com e sem pendente, colares de contas, peças, custódias, borboletas, cruzes de raios e de Malta, Corações de Viana em filigrana, brincos à Rainha, escravas, tudo em ouro e num valor que rondaria una largos milhões de reis. Depois visita os Paços do Concelho, os asilos dos velhotes, a Misericórdia e os belos e inúmeros templos.

‘Povo bondosíssimo deste Minho tão belo e calmo que sabe sentir e vibrar de comoção ante dores e alegrias; Sabe recordar com merecido horror o execrando crime que me privou de um Rei que era pai bem-amado e de um Príncipe que era meu queridíssimo irmão, ao mesmo passo afogando em seu coração tão fundas mágoas saúda hoje com entusiasmo e alegria aquele que chamado à sucessão dos seus maiores é hoje Conde e Duque de Barcelos e Rei de Portugal.’

À noite é oferecido ao Monarca um banquete onde estarão presentes os altos dignitários e os representantes das distintas Famílias minhotas. Ao fim da noite o Senhor Dom Manuel II é brindado com um deslumbrante espectáculo de fogo-de-artifício.

Sua Majestade Fidelíssima El-Rei Dom Manuel II de Portugal permaneceria os dias 17 e 18 de Novembro na região, onde receberia mais honras e privaria com o Povo e com alguns amigos da região cujos pais tinham prestado serviço no Paço ou ocupado pastas nos Ministérios no tempo de Seu Augusto Pai o Senhor Rei Dom Carlos I.

No dia 19, El-Rei Dom Manuel II de Portugal regressou ao Porto.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


Deixe um comentário

Aniversário Rei D. Manuel II de Portugal

A 15 de Novembro de 1908, durante a viagem Régia pelo Norte do Reino, S.M.F. El-Rei Dom Manuel II regressa ao Porto para festejar o Seu Aniversário, onde o aguardavam a sua Augusta Mãe a Rainha Dona Amélia e o tio Infante Dom Afonso, Duque do Porto. Mas além das reais figuras aguardava-O, também, o bom Povo portuense que enchia o largo fronteiro ao Paço Real do Norte- vulgo Palácio dos Carrancas. Constantemente cheio de gente a gritar ininterruptamente “Viv’ó Rei!”, Dom Manuel II vinha à janela frequentes vezes para acenar à aclamação popular. Nos elementos da Legião Azul e da Mocidade Monárquica, que quando o Rei chegara ao Porto da primeira vez formaram a Sua escolta de Honra, até se vislumbravam lágrimas de emoção.

Rei Dom Manuel II e Rainha Dona Amélia na varanda do Palácio Carrancas no Porto recebendo calorosa saudação do Povo

Nenhuma outra instituição causava mais fascínio que a Real: o Rei era a personificação da História de uma Nação milenar, que pelo engenho e pela conquista traçou as fronteiras na Península e pela imaginação e curiosidade das caravelas dilatou o Império. Felizes os Povos que têm História, e que têm um Rei para encarná-la!

À noite a Associação Comercial do Porto ofereceu um banquete em honra d’El-Rei.

A 15 de Novembro de 1889, no Palácio de Belém, em Lisboa, nasceu o Infante Dom Manuel de Bragança, Duque de Beja e varão secundogénito dos Reis Dom Carlos I e Dona Amélia – D. Carlos subira ao trono um mês antes.

Tal como o irmão mais velho, o Príncipe Real Dom Luís Filipe, foi entregue aos cuidados da ama Maria dos Anjos, e depois da aia Carlota de Campos e da Dama D. Isabel Saldanha da Gama, da Casa da Ponte. Os jovens príncipes tiveram uma infância feliz aos cuidados de uma mãe extremosa, de uma cuidadosa dama de companhia e da carinhosa Calita, a aia. Por vontade da Rainha Dona Amélia os jovens príncipes convivem com outras crianças da sua idade filhos das mais famílias da nobreza do Reino.

Uma cuidada e rigorosa educação, revelou as qualidades inatas dos Príncipes, mas despertou-lhes também a cordialidade, a amabilidade e mesmo a bondade para com os outros, atributos de que haveriam de dar provas muito frequentemente.

Dom Manuel muito cedo revelou a sua erudição e dedicação ao culto das letras, facilmente comprovados pois o Infante de Portugal, aos seis anos já falava e escrevia em francês. ‘Primorosamente educado, nunca fazia sentir aos que d’Ele se acercavam que era o Rei. Prudente, grave, reflexivo. Era dominadora a sua paixão pelos livros. O estudo e as investigações históricas, por vezes o levavam ao esgotamento, com grave prejuízo da sua precária saúde. Comedido, moderado, adorando a paz, a tranquilidade, a aplicação. Trabalhava sempre, sem descanso, quase freneticamente’, retratou, a el-Rei Dom Manuel II, Costa Cabral in ‘Memórias II’.

Para isso estudou línguas, história e música com o professor Rey Colaço, mas sem esquecer que a Família Real tem de servir o Reino e assim o Duque de Beja teve como preceptor de balística, táctica e topografia o tenente-coronel José de Castro. Em 1907, iniciou os seus estudos de preparação para ingresso na Escola Naval, preparando-se para seguir carreira na Marinha.

Após uma estadia de alguns dias em Vila Viçosa, com toda a Família Real, havia regressado mais cedo a Lisboa precisamente para se preparar para os exames da Escola Naval, tendo ido esperar o resto da Família ao Terreiro do Paço e eis que o destino do futuro marinheiro se viu alterado pelo terrível atentado terrorista conhecido como o Regicídio em que o Rei Dom Carlos I, aos 44 anos de idade, e o Príncipe Real Dom Luís Filipe, aos 20 anos, foram tragados à vida pelos facínoras da Carbonária.

Mudou, também, o destino de Dom Manuel II que ascendeu a Rei, mas um Príncipe é educado para a abnegação pessoal às suas funções e devoção exclusiva ao bem do País, pelo que estará sempre pronto a servir a Nação da maneira que for a mais adequada.

O Seu nascer impôs-Lhe bem cumprir o Dever herdado dos Reis da Dinastia de Aviz e de Bragança: ‘Depois de Vós, Nós’! Servir… Sempre Servir é o Duro Ofício e Destino dos Reis – Para Bem de Portugal!

De facto, SM El-Rei Dom Manuel II de Portugal era Senhor de um temperamento calmo e conciliador, sem deixar de evidenciar espírito crítico, pelo que foi um modelo de monarca constitucional, respeitador zeloso da separação de poderes e das liberdades políticas e públicas que proporcionou um período de Acalmação política. Acarinhado pelo Povo, era amiúde alvo de demonstrações que o confirmavam, mas o Seu Reinado não resistiu à sedição dos batalhões infiltrados pela carbonária, às bombas dos anarquistas, aos interesses dos pedreiros-livres da Maçonaria e do seu braço armado, juntamente com a inépcia dos políticos e das chefias militares e com a complacência do olhar convenientemente para o lado de alguns áulicos e políticos monárquicos progressistas, que por acção ou omissão ‘ajudaram’ o coup de 5 de Outubro a implantar o novo regime republicano.

O último Rei de Portugal faleceu no exílio, em Inglaterra.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


Deixe um comentário

D. Manuel II No Desfile Da Vitória

D. Manuel II No Desfile da Vitória dos Aliados
 
‘Pelo nosso Portugal tenho feito, e sempre, tudo o que é humanamente possível. Tenho, ao menos, a consolação do dever cumprido.’, escreveria S.M.F. El-Rei Dom Manuel II de Portugal já no exílio.
 
Mesmo depois de deposto na golpada revolucionária do 5 de Outubro de 1910, Dom Manuel II se colocou sempre ao serviço dos Portugueses ou não fosse a divisa d’El-Rei: «Depois de Vós, Nós».
No Desfile da Vitória dos Aliados, em 1919, em Londres, e que comemorava o fim das hostilidades na 1.ª Guerra Mundial, o Rei britânico Jorge V, que presidia à parada, colocou El-Rei Dom Manuel II de Portugal – exilado em Twickenham, arredores de Londres, Inglaterra- e à Rainha Augusta Vitória, a seu lado na Tribuna Real, o que criou um momento de grande comoção quando desfilou em parada o contingente do Corpo Expedicionário Português. Recorde-se que os dois Monarcas eram primos pelos laços da Casa de Saxe-Coburgo e Gota. No palanque estavam ainda a Rainha consorte britânica Mary – visita habitual das tropas britânicas na linha da frente -, a Rainha-mãe Alexandra e o Príncipe de Gales, David Edward – futuro Eduardo VIII.
Sua Majestade Fidelíssima El- Rei Dom Manuel II – Português acima de tudo – colocou-se sempre ao serviço dos Portugueses: com o início da Iª Guerra Mundial, dita a Grande Guerra, e com Portugal empurrado para o conflito pela república velha, o Monarca exilado, em Inglaterra, colocou-se à disposição dos aliados para servir como melhor pudesse. Primeiramente, apanhou-o a desilusão quando o colocaram como oficial da Cruz Vermelha Britânica, mas o empenho que mostrou no decorrer da guerra, cooperando em conferências e na recolha de fundos, visitando hospitais e mesmo os feridos na frente, foi-Lhe muito gratificante. Todavia, a sua solicitude nem sempre foi reconhecida, e chegou mesmo a referi-lo numa entrevista ao ‘Times’: “A sala de operações do Hospital Português, em Paris, durante a guerra, foi montada por mim. Sabe o que puseram na placa da fundação? ‘De um português de Londres’.”
El-Rei Dom Manuel II estabeleceu, tal-qualmente, o departamento ortopédico do hospital de Sheperds Bush – onde, também, prestaram cuidados como enfermeiras as Rainhas D. Amélia e D. Augusta Vitória -, e que por insistência do último Monarca português e da Sua bolsa continuou a funcionar até 1925, dando assistência aos estropiados de guerra e financiou um hospital para oficiais feridos, em Brighton. Patrocinou ainda a obra do médico Dr. Tovar de Lemos, ‘A Reeducação Profissional dos Nossos Mutilados de Guerra’, e, apoiou financeiramente diversas comissões de beneficência às famílias dos estropiados e mortos na terrível Grande Guerra.
 
Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


Deixe um comentário

09/11/1908 – D. Manuel II Começa No Porto Viagem Ao Norte Do Reino

Viagem Régia Ao Norte do Reino: D. Manuel II no Porto

Enquadrado no périplo régio de 15 dias pelo Norte do Reino, S.M.F. El-Rei Dom Manuel II de Portugal chegou ao Porto dia 09 de Novembro de 1908, onde no meio do Povo é aclamado entusiasticamente pelos Portuenses. Depois, na varanda dos antigos Paços do Concelho o recém Aclamado Rei de Portugal, El-Rei Dom Manuel II, proferiu o seguinte juramento:

‘Portuenses e amigos: Na vossa casa e perante vós, Eu, Rei de Portugal: Juro manter a Monarquia Constitucional; juro concorrer quanto em mim caiba para o desenvolvimento harmónico das liberdades civis e políticas, que sirvam de base ao levantamento moral e material da nossa querida Pátria!’

De acordo com os jornais da época, facilmente comprovado pelos clichés fotográficos, sobressaiu além da Real e simpática figura d’El-Rei o Senhor Dom Manuel II de Portugal, a multidão constituída por todas as classes sociais que acorreu a ver com olhos faiscantes o novo Monarca: uma legião de cabeças, um mar de chapéus a agitar, ao som de palmas e vivas ao Rei a ressoarem na capital do Norte. Um Triunfo, como, também, se pode constatar pela mensagem ida e entregue a El-Rei pela Mocidade Monárquica do Porto:

‘Senhor DOM MANUEL II, a Cidade do Porto, mantendo as suas nunca desmentidas tradições de fidelidade, toda ela, vibrante de entusiasmo, corre a saudar e a prestar a homenagem devida à Augusta pessoa de Vossa Majestade, na primeira visita com que Vós Senhor, Vos dignastes honrá-la. (…) Ora em Vossa Majestade, encarnação sublime da Pátria, depositamos nós todas as lisonjeiras e prometedoras esperanças.
Príncipe educado numa vida de laboriosa actividade intelectual, (…) Príncipe inteligente, bom, leal, amante do seu País e amado do seu povo: – Príncipe assim, há-de ser Rei digno de sua Pátria e fazer a Pátria digna de seu Rei. (…)
Senhor, Pela Pátria e Pelo Rei, será essa a nossa divisa.’

Dom Manuel II esteve 2 dias na Cidade Invicta – voltaria várias vezes durante esta viagem que percorreu todo o Entre-Douro e Minho -, onde se instalou no Paço Real do Porto, o antigo Palácio dos Carrancas, Barões de Nevogilde, adquirido para uso real por D. Pedro V. No dia 11, El-Rei Dom Manuel II seguiria do Porto para Braga.

Miguel Villas-Boas | Plataforma de Cidadania Monárquica


Deixe um comentário

D. Luís Filipe – Português, Portuguesíssimo

Sou Português, Portuguesíssimo!’, afirmava o Príncipe Real.

‘O sentimento patriótico tão característico no Príncipe Real [D. Luís Filipe de Bragança], o seu espírito eminentemente culto fizeram-no entrar admiravelmente na realização dessa ideia que o alto senso político d’El-Rei D. Carlos imediatamente aprovara.
Da forte personalidade do Príncipe Real emanava um singular atracção: a amenidade do trato e a seriedade do carácter, a alegre comunicabilidade da sua mocidade eram outros tantos elementos da simpatia que despertava.’

– António Carlos Coelho V.B. Vasconcellos Porto, Ministro da Guerra D’El-Rei D. Carlos I no Ministério de João Franco (1908) in ‘A Marcha Para O Renascimento – El-Rei D. Carlos e o seu Reinado’

Fotografia: SAR O Senhor Dom Luís Filipe de Bragança, 5.º Príncipe Real de Portugal, 4.º Príncipe da Beira e 22.º Duque de Bragança com o traje à “Jersana”, em 1899

Recolha do texto | Plataforma de Cidadania Monárquica